Só Istambul poderá enfrentar um pior cenário em caso de catástrofe. Os especialistas lembram que Lisboa “está sentada em cima de epicentros”.

A terra vai tremer amanhã. Mas será apenas um exercício. Sexta, 13 de outubro, às 10h13, a Autoridade Nacional de Proteção Civil vai assinalar o Dia Internacional para a Redução de Catástrofes com uma espécie de simulacro a nível nacional para sensibilizar a população sobre qual a melhor reação numa situação de abalo sísmico.

Sobre este tema, Mário Lopes revelou hoje ao Diário de Notícias que Lisboa é a segunda cidade europeia com maior risco sísmico, apenas atrás de Istambul, na Turquia, com previsões de 20 a 30 mil mortes para a capital portuguesa.

O professor do departamento de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico considera que o risco agrava-se no nosso país por causa da “falta de prevenção e de fiscalização da construção e da reabilitação de edifícios que não inclui o reforço sísmico das casas, que está previsto num regulamento de 1958″

O jornal falou também com Alfredo Campos Costa, chefe do Núcleo de Engenharia Sísmica e Dinâmica de Estruturas do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC). Segundo o especialista, existe “um parque de edifícios velhos e desocupados em Lisboa e Setúbal e algumas dessas casas estão a ser reabilitadas. Ou seja, estão a colocar pessoas a viver nessas casas o que é aumentar o risco”.

Mário Lopes adiantou ainda que, em Portugal,  “a reabilitação é inadmissível”. Isto porque, “os edifícios antigos foram construídos em épocas em que não se respeitava a resistência sísmica mas as obras que os reabilitam escondem esse problema e não o resolvem. Melhoram as condições de habitabilidade e conforto mas não a segurança. No curto prazo sabe bem porque é mais barato fazer as obras sem reforço sísmico . E todos os governos têm alinhado nisto sem consciência”.

O professor do IST lembrou ao Diário de Notícias que Lisboa “está sentada em cima de epicentros”.