Atualmente, o Teatro Ibérico é uma das referências culturais da freguesia, e não só pela história do antigo Convento de São Francisco de Xabregas.
“Sinto que existe cada vez mais uma grande aproximação entre a freguesia e o Teatro Ibérico”, diz Rita Costa, uma das diretoras do espaço.
“Essa é também um dos nossos objetivos, criar uma sinergia entre os fregueses e o teatro, que faz parte do bairro”, realça.
Rita Costa destaca ainda “o papel fundamental” que tem desempenhado a Junta de Freguesia do Beato, tanto no apoio direto como na divulgação da programação.
A coordenadora garante que há um maior fluxo de público, sendo que tem sido possível cativar os mais jovens.
Esta maior procura não deixa de estar associada à “nova dinâmica do Beato e de Marvila” que se registou no último ano.
Um interesse acrescido por esta zona de Lisboa que “traz benefícios para o Teatro Ibérico”.
Isto porque, na opinião de Rita Costa, “há mais sangue fresco que permite novos olhares, novas ideias e novos modos de pensar o próprio teatro”.
Para a diretora, esta dinâmica contribui também para “expandir a oferta cultura da cidade de Lisboa, por vezes muito concentrada no centro”.
Esta é portanto mais uma das fases que Teatro Ibérico já enfrentou. “Nas últimas três décadas, já passaram por aqui três ou quatro diretores com visões e estéticas completamente diferentes”.
Segundo Rita Costa, o Teatro Ibérico já teve mais próximo do teatro clássico, “puro e duro”, passando por fases mais relacionadas com a ópera e a música erudita, e até mesmo períodos mais dedicados ao burlesco.
“Agora estamos a adquirir uma identidade própria e muito forte que nos define enquanto espaço cultural mais contemporâneo”, revela.
E acrescenta: “é uma abordagem mais ligada às artes performativas”, que tem trazido ao espaço mais jovens, tanto no público como ao nível dos artistas que aqui se apresentam.
Esta viragem coincide com a chegada da Companhia João Garcia Miguel, que é a companhia residente no Teatro Ibérico desde 2016.
De acordo com Rita Costa, há também uma maior procura do espaço por parte de várias companhias externas para apresentarem os seus espetáculos.
O Teatro Ibérico prepara-se agora para receber “Medeia”, em fevereiro de 2018.
Trata-se de mais uma criação da Companhia João Garcia Miguel, a partir do texto de Francisco Luís Parreira.
Com encenação do próprio João Garcia Miguel, “Medeia” conta com David Pereira Bastos e Sara Ribeiro como intérpretes. A música original é de Mário Laginha.