Tirar as 361 pessoas que ainda vivem nas ruas de Lisboa vai custar 14,5 milhões de euros e promover a criação de 200 empregos para pessoas «sem abrigo», nos diferentes departamentos municipais. Estes são os objetivos do novo Plano Municipal para os sem-abrigo.
A ministra realçou que «a estratégia da autarquia lisboeta está em sintonia com a estratégia nacional para encontrar soluções concretas que garantam a dignidade dessas pessoas», salientando a articulação e sintonia existente entre os planos da autarquia e os do Governo.
«O nosso objetivo é comum: retirar das ruas e encontrar soluções para as pessoas em situação de sem-abrigo, mobilizando várias formas de diversificação de tipos de alojamento e habitação. Queremos encontrar também medidas que permitam responder a casos de dificuldades concretos, como a inscrição na Segurança Social, ou o de atendimento às sessões de formação. Existe a necessidade de encontrar soluções concretas para estas situações que saem dos modelos típicos que estão previstos», afirmou Ana Mendes Godinho.
Para a ministra, «este tipo de respostas implicam o trabalho conjunto de todas as entidades envolvidas (Governo, autarquias, Santa Casa da Misericórdia e instituições de solidariedade social) para garantir a missão comum de responder à grande necessidade de criar condições para que estas pessoas saiam na rua». E, é por isso, conforme salientou, que «estamos a tentar identificar os problemas que têm. Sabemos que há questões de alojamento, saúde em geral, mental e oral em particular, adições, e reintegração profissional que é preciso resolver», salientou.
Na perspetiva do presidente da Câmara de Lisboa, este novo Plano Municipal para a Pessoa em situação de Sem-abrigo vai responder «às necessidades concretas dessas pessoas» e, por isso, vai disponibilizar, até 2023, 400 casas no âmbito do programa Housing First (Casa Primeiro)».
Desta forma, a promoção da inclusão social das pessoas, a diminuição do número de pessoas em situação de sem-abrigo, assim como a garantia de acesso a respostas de saúde e de integração no mercado de trabalho, destacam-se entre as grandes metas às quais a edilidade se propõe a atingir com este plano, vincou Manuel Grilo.
Segundo o vereador Manuel Grilo, «o plano foi revisto e alargado com base na discussão pública e em reuniões com o presidente da Câmara, Fernando Medina, e com o Governo». Contudo, como realçou, é «necessário mais investimento nesta área».
Fernando Medina revelou, por outro lado, que o plano prevê um reforço na resposta de habitação, de acolhimento temporário e emergência e a criação de uma bolsa de emprego público municipal, além de novas respostas na saúde e na autonomização desta população.
Dentro das políticas definidas para esta área, «o município de Lisboa mantém o objetivo de dar uma resposta a todas as 361 pessoas sem teto até ao final do ano 2021, aprofundando respostas de longa duração para além desta meta», acrescenta Fernando Medina.
Atualmente, a autarquia da capital financia 80 habitações para pessoas sem-abrigo, no âmbito do programa Housing First, tendo aprovado em novembro o financiamento de mais 100 fogos, num investimento total de 692 mil euros.
Dar respostas concretas
Do ponto de vista de Fernando Medina, o Plano Municipal para a Pessoa em situação de Sem-Abrigo tem «uma ambição muito clara e muito mais forte» no que diz respeito à disponibilização de respostas, defendendo que o problema «não é o dinheiro, nem o número de casas». «O problema está em como é que se chega a cada uma das 361 pessoas que tem uma relação muito deteriorada com a sociedade», defendeu o presidente da Câmara.
A grande ambição do autarca é tirar as pessoas em situação de sem-abrigo da rua até 2023, realçando o papel que tem sido desenvolvido pelas várias associações e instituições no combate a essa situação.
Dessa forma, o chefe do executivo municipal reitera que «o grande desafio nesta área é trabalhar e perceber que cada caso é um caso. Não há dois casos iguais. Não há duas pessoas com histórias de vida iguais», reforçando que é necessário «trabalhar com cada caso concreto e procurar que cada um tenha uma possibilidade de inserção».