A Câmara Municipal de Lisboa (CML) apresentou, esta quinta-feira, dia 1 de setembro, o projeto da futura Biblioteca Municipal de Benfica, e que se situará no edifício da antiga Fábrica Simões, localizado na Avenida Gomes Pereira, em Benfica.
Nesta apresentação estiveram presentes o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, o vereador da Cultura, Diogo Moura, o presidente da Junta de Freguesia de Benfica, Ricardo Marques, e o administrador da empresa Teixeira Duarte, Diogo Rebelo. Ricardo Marques destacou “a necessidade deste projeto”, o qual vai “transformar zonas periféricas da cidade”, como é o caso de Benfica, que já desde 2012 aguarda por esta biblioteca.
Já para Diogo Rebelo, o espaço “representa o melhor da conjugação de esforços entre a CML e a Teixeira Duarte”. Na mesma intervenção, o administrador da empresa avançou que, deste trabalho conjunto, “resultou um empreendimento que vai trazer 329 lugares de estacionamento, e que vai responder a um problema concreto desta região, que afeta não só os residentes, mas também os visitantes”. Este parque de estacionamento será em cave, o qual estará disponível aos utilizadores da biblioteca, que ficará situada no edifício da antiga Fábrica Simões.
O administrador da Teixeira Duarte, empresa mecenas do projeto, salientou ainda o trabalho dos colaboradores da mesma durante a pandemia, uma vez que “os colaboradores, fornecedores e subempreiteiros saíram do recato e da segurança das suas casas”, e nunca pararam de trabalhar, sendo que, “com este trabalho, fizeram acontecer”, acrescentando ainda que “é missão da Teixeira Duarte contribuir para a construção de um mundo melhor, que fica melhor com esta Biblioteca e Centro Interpretativo e com pessoas como o escritor Lobo Antunes”.
Carlos Moedas continuou o seu discurso dizendo que o escritor fez parte das suas memórias desde criança. “Nasci na casa de um jornalista que me lia Lobo Antunes”, acrescentou o autarca, dizendo que o escritor “é o nosso orgulho”. “Lobo Antunes é muito mais do que Portugal, e o que podemos dar aqui como exemplo é fazer com que esta biblioteca seja do mundo e para o mundo e ainda um ponto muito importante para quem vem a Portugal”, disse o autarca, agradecendo ainda o trabalho da Teixeira Duarte, considerando que o trabalho que estão a fazer em Benfica “é extraordinário”.
O presidente da CML salientou ainda a colaboração da autarquia com esta empresa, cujo trabalho “é para a cidade e onde muitos portugueses vão aqui viver”. Por fim, Carlos Moedas terminou a sua intervenção a agradecer a Ricardo Marques, cujo trabalho “que fazemos em conjunto mostra que é possível trabalhar para os lisboetas sem olhar a partidos políticos”.
Esta será a 19ª biblioteca municipal da cidade de Lisboa, e este é mais um projeto previsto no Programa Estratégico Biblioteca XXI, que vai ao encontro da estratégia da CML em valorizar o território e o património cultural da cidade, promover o livre acesso à cultura, dotando todas as freguesias de Lisboa com equipamentos culturais de proximidade, devidamente estruturados e abertos a todos os cidadãos.
Este espaço irá também receber o espólio literário do escritor António Lobo Antunes, constituído por cerca de 20 mil títulos, entre manuscritos e outros documentos, e que foram doados pelo autor à autarquia. Em homenagem ao autor, o projeto foi apresentado no seu dia de aniversário e na freguesia onde o escritor viveu vários anos da sua vida.
De acordo com Carlos Moedas à comunicação social, o edifício será “uma ligação com o que está à volta, que ligue a cidade e a freguesia”, salientando o acordo celebrado entre a autarquia e a empresa, cuja doação, relativa ao projeto de arquitetura, irá ser discutida em reunião de Câmara. No entanto, o autarca ressalva que a obra está a ser feita com o “investimento previsto”, cujo valor será divulgado futuramente.
A futura Biblioteca de Benfica ficará situada num empreendimento que irá incluir mil fogos “de habitação acessível e habitação social”, avançou ainda Carlos Moedas, ressalvando ainda a maior agilidade nos processos relacionados com a área do Urbanismo, para que exista uma maior oferta de habitação, e, consequentemente, “preços mais adequados”.