Um novo serviço de elétrico vai percorrer toda a frente ribeirinha de Lisboa, entre o Terreiro do Paço e o Parque Tejo, no Parque das Nações, e terá uma ligação a Loures. Na apresentação do projeto, Carlos Moedas e Ricardo Leão consideraram que este novo meio de transporte “é uma conquista enorme” para ambos os concelhos.
Depois de 67 anos, Lisboa vai ter um novo elétrico a circular na frente ribeirinha da capital. O Terreiro do Paço, em Lisboa, e o Parque Tejo, em Loures, vão ficar ligados a partir de 2028 através de um elétrico em “canal dedicado”, um corredor exclusivo para circular, num investimento de 160 milhões de euros.
O projeto tem a ambição de estabelecer uma ligação contínua entre os concelhos de Oeiras e Loures, passando por Lisboa, ligando o 15, o elétrico que já circula entre o Cais do Sodré e Algés, ao 16, o novo elétrico que vai ligar o Cais do Sodré ao Parque das Nações Norte, passando pelo Parque Tejo, o terreno onde se realizou a JMJ e que é palco de eventos como o Rock in Rio.
O novo meio de transporte, designado por 16 E, que num futuro se prevê que faça a ligação entre o concelho de Oeiras, Lisboa e Loures, foi apresentado no dia 1 de abril no Parque das Nações. O 16 E vai percorrer uma extensão total de 12 quilómetros, divididos por 18 estações, pretendendo ser mais sustentável e económico, como foi sublinhado durante a apresentação pelo vice-presidente da Câmara de Lisboa, Anacoreta Correia, responsável pelo pelouro da Mobilidade. O autarca confessou estar “elétrico” com a apresentação do novo meio de transporte, considerando ser “um dia histórico” para a “mobilidade sustentável” em Lisboa.
Anacoreta Correia explicou que a criação deste tipo de soluções de transportes “limpos”, pelo facto de ser elétrico, contribui para a descarbonização da cidade e do próprio país, que está muito acima da média europeia. “Portugal tem um contributo do lançamento de CO2 muito acima da média. Temos uma oportunidade irrepetível e temos de garantir que os fundos do PRR possam ser utilizados na descarbonização das cidades”.
Poupança de tempo e do meio ambiente
O presidente da Câmara de Lisboa, que também se considerou “elétrico” com a novidade, avançou que a data “é um dia histórico porque há mais de 60 anos que não havia uma extensão como esta. São 14 quilómetros que vão trazer realmente às pessoas uma comunidade enorme. Uma linha própria. O elétrico não vai estar no trânsito e vamos ter um ganho enorme”, explicou Carlos Moedas, que aproveitou para anunciar que Bruxelas “já aprovou o financiamento do túnel de drenagem”, uma obra estrutural no coração da cidade que pretende ser essencial para evitar cheias. Moedas explicou que o trabalho da ministra do Ambiente “foi fundamental” para desbloquear o financiamento europeu necessário para concluir a obra.
Carlos Moedas considerou ainda que o novo meio de transporte “é um serviço completamente novo e diferente por ter um trajeto independente, evitando assim constrangimentos com o trânsito automóvel, o que acontece noutras linhas”, justificou, acrescentando que o elétrico 16 E terá um tempo estimado, numa viagem entre o Terreiro do Paço e o Parque Tejo, de 22 minutos, contra os 42 atuais. “O bem mais raro é o tempo. Com este trajeto, vamos ter a capacidade de mudar a vida das pessoas”, sustentou.
O elétrico 16 E integra-se no desenvolvimento do projeto designado Linha Intermodal Sustentável (LIOS), sem data prevista de conclusão, e que prevê ligar os concelhos de Oeiras, Lisboa e Loures.
O edil explicou que são esperados um total de oito milhões de pessoas a utilizar anualmente o novo serviço, dos quais 16% a 18% serão novos utilizadores dos transportes públicos, apontando-se para uma redução de 4800 veículos automóveis por dia e redução de 123 mil toneladas de CO2.
“Conquista enorme”
Também o presidente da Câmara de Loures, Ricardo Leão, considerou que esta ligação entre os dois municípios “é uma conquista enorme” para ambos os territórios. O autarca de Loures acredita que a criação deste novo meio de transporte poderá representar o primeiro passo para a concretização de uma linha que ligará Lisboa a Loures por meio de transporte pesado, uma antiga aspiração do município e dos habitantes de Loures. O novo serviço será integrado num mais amplo em Loures, já que o terminal no Parque Tejo Trancão ligará ao BRT (metro de superfície) de Loures
Ricardo Leão aproveitou a presença da ministra do Ambiente para saudar a intervenção do governo de Luís Montenegro no “desbloquear” do processo relativo à Linha de Metro Violeta, que prolonga o metropolitano até Loures, um projeto que tinha ficado congelado devido ao facto de nenhum construtor ter aceitado as condições do concurso público anterior. O edil explicou que a obra do metropolitano de Loures vai avançar “graças ao atual governo”, que alterou o concurso público.
Alternativa ao transporte individual
Por seu turno, a ministra do Ambiente, Maria Graça Carvalho, sublinhou o facto de este novo elétrico servir as pessoas que até agora têm “poucas alternativas ao transporte individual, face à resposta insuficiente que encontram em termos de transporte público”.
“Graças ao elétrico 16, cuja operação deverá ter início em 2028, entre 7,6 e 8,1 milhões de passageiros, por ano, terão acesso a um meio de transporte mais rápido, mais direto e mais barato”, apontou.
Maria Graça Carvalho asseverou ainda que o novo serviço de transporte vai “honrar uma dívida para aqueles que residem no Parque das Nações e Loures e que não têm muita alternativa de transporte. Há 67 anos que não era lançada uma linha de elétrico e o passo que damos é significativo em relação ao rumo que queremos seguir, o de desenvolvimento sustentável”, acrescentou a governante.
“Pacto” de amizade Lisboa/Loures
Ricardo Leão sublinhou o entendimento que houve com Carlos Moedas durante a Jornada Mundial da Juventude para criar este novo serviço e afirma que “está a ser preparada uma alteração às carreiras da Carris Metropolitana para servir a nova linha”, no âmbito de um “acordo” informal e de amizade ocorrido durante a planificação conjunta entre as câmaras de Lisboa e Loures da Jornada Mundial da Juventude.
O autarca de Loures enalteceu a postura de “diálogo” do seu homólogo, da qual terá nascido uma “amizade” entre Leão e Moedas, pese embora representarem forças políticas distintas (PS e PSD), que tem contribuído para a procura conjunta de medidas que beneficiem Loures e Lisboa.
Carlos Moedas, por seu turno, confidenciou que “foi o Papa que nos ligou”. E revelou que durante as JMJ, “eu e o meu amigo Ricardo Leão prometemos ligar os dois concelhos, efetivamente, e é isso que estamos hoje a fazer”.
Para Moedas, esta ligação de amizade entre ambos os autarcas, significa que “é possível demonstrar que trabalhamos acima das diferenças, trabalhamos para as pessoas de Lisboa e de Loures”.