MDP defende “boicote” aos produtos americanos

Movimento de cidadania português está a promover uma ofensiva contra os produtos norte-americanos. Trata-se do incitamento ao “boicote” a todos os produtos provenientes dos EUA como forma de protesto contra as “políticas económicas agressivas” de Trump e, assim, ajudar a proteger o tecido produtivo português.

O Movimento pela Democracia Participativa / Movimento pela Democratização dos Partidos defende um “boicote aos produtos americanos” como resposta ao impacto das políticas levadas a cabo pelo executivo de Donald Trump.

O MDP sustenta que as medidas de Trump irão prejudicar os produtores portugueses e os consumidores têm o poder de sinalizar o seu protesto trocando os produtos de consumo americanos pelos europeus.

“No contexto do protesto contra a administração Trump, o consumo torna-se uma ferramenta de resistência. Optar por marcas europeias ou portuguesas em vez de produtos “Made in USA” comercializados em Portugal é uma forma simbólica e prática de demonstrar oposição a políticas que contrariam valores como a cooperação internacional, a democracia, a sustentabilidade e os direitos humanos. Este protesto de consumo incentiva a valorização da produção local e europeia, reduzindo a dependência de empresas associadas a políticas controversas e fortalecendo a economia regional”, defendem, em comunicado.

“Estrela negra”

O MDP lembra que, nos últimos tempos, a crescente onda de boicotes a produtos americanos tem ganhado força em várias partes do mundo, e Portugal não está imune a essa tendência.

Para o MDP, este braço de ferro face às políticas agressivas dos EUA nasceu como “resposta às políticas económicas de Donald Trump, que afetaram diretamente países aliados, como a União Europeia, com a imposição de tarifas pesadas sobre o aço, alumínio e até produtos como o champanhe e o vinho, setores vitais da economia portuguesa”.


De acordo com este movimento de cidadania, “os produtos americanos, que antes eram consumidos com regularidade e até com uma certa adoração, passaram a ser vistos sob outra ótica. O boicote não é mais apenas uma opção de grupos políticos ou ativistas, mas uma resposta de cidadãos comuns, que, como protesto, estão a alterar hábitos de consumo e a recusar apoiar marcas ou produtos relacionados com os EUA de Trump”.

E exemplificam que, “em supermercados no Canadá”, já se observa a iniciativa de marcar produtos com “estrelas negras”, uma forma simbólica de facilitar o boicote a produtos europeus com origem nos EUA. Produtos como o famoso Jack Daniel’s, as calças Levi’s ou até mesmo as séries da Netflix, associadas diretamente ao país, têm sido colocados de lado por muitos consumidores que não querem mais apoiar essas marcas enquanto as políticas de Trump persistirem, defende o MDP.

Em Portugal, gestos semelhantes podem ocorrer, “com mudanças simples de pasta de dentes, evitar as compras em grandes cadeias de distribuição americanas ou até mesmo desmarcar férias nos Estados Unidos. Tudo como forma de dizer ‘não’ ao que consideram uma postura económica arrogante e agressiva por parte do governo americano”, sustenta.

Além disso, as recentes ameaças de Trump, como tarifas de até 200% sobre o champanhe, vinhos e outras bebidas alcoólicas da União Europeia, “têm criado grande preocupação no setor vitivinícola português. Se implementadas, estas tarifas poderiam prejudicar gravemente as exportações de vinho, um dos principais produtos do país, especialmente para os Estados Unidos, que é o segundo maior mercado de exportação de vinho português”, aponta.

Face a este quadro internacional, “é hora de refletir sobre as nossas escolhas como consumidores conscientes. O boicote aos produtos americanos, especialmente aqueles que estão ligados à indústria de luxo e entretenimento (HBO, Netflix, Disney, etc.), entre outros, pode ser uma resposta válida a estas políticas. “Afinal de contas, as nossas decisões de compra não são apenas sobre o que consumimos, mas também sobre os valores que apoiamos”.

Por isso, “convidamos todos a refletir sobre o impacto das suas escolhas de consumo e a considerar um boicote consciente aos produtos que, direta ou indiretamente, sustentam as políticas que prejudicam a economia e a imagem da União Europeia e, consequentemente, de Portugal”.

O MDP incita os consumidores a assinarem a petição pública e a “agir juntos” e mostrar que o “poder de compra pode ser uma poderosa ferramenta de protesto”.

 

 

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