Alexandra Leitão diz que Carlos Moedas é cínico quando critica os cartazes do Partido Socialista e mente quando diz que foi o PS que bloqueou uma residência para estudantes. A pouco mais de um mês das autárquicas, a socialista reuniu-se com o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a quem pediu, caso seja eleita, mais cooperação entre as duas entidades para criar mais creches, dar respostas residenciais às pessoas idosas, prometendo ajudar na reabilitação do património degradado da Santa Casa.
A candidata socialista à Câmara de Lisboa Alexandra Leitão recusou esta quarta-feira que o PS tenha bloqueado a atividade do executivo liderado por Carlos Moedas e acusou o autarca social-democrata de usar publicidade camarária “para fazer propaganda”.
“O Partido Socialista na oposição viabilizou quatro orçamentos camarários, viabilizou todos os planos de atividades” e também “o empréstimo que foi pedido”, disse a candidata da coligação Viver Lisboa (PS/Livre/BE/PAN), considerando, aliás, que era importante saber “mais sobre o estado das finanças da câmara, porque foram pedidos empréstimos”.
Na véspera, Alexandra Leitão visitou dois bairros municipais na freguesia da Ajuda e, em resposta a Olhares de Lisboa, afirmou: “os bairros municipais do Casalinho da Ajuda e o Dois de Maio, na Ajuda, tem vários problemas, alguns deles graves, nomeadamente na manutenção interna dos edifícios, referindo-se claramente à falta de manutenção dos elevadores – a maioria dos quais se encontram avariados e garantindo que em 4 anos resolve o problema dos idosos que não conseguem sair de casa porque os elevadores estão avariados.
“O problema dos idosos sequestrados em casa porque os elevadores dos prédios não funcionam é apenas uma gota de água (grave) no oceano da crise da habitação”, refere a cabeça de lista da coligação PS, Bloco, Livre e PAN, considerando que a habitação não é uma crise, mas uma emergência.
Para a candidata socialista, uma das suas primeiras medidas vai ser a criação de “um programa de requalificação dos bairros municipais, porque em Lisboa somos todos iguais”, defendendo que as pessoas que habitam em bairros municipais não se podem considerar “como lisboetas de segunda. As pessoas têm todo o direito de viver com a mesma dignidade”.
“Temos que aumentar a habitação pública e cooperativa, como instrumentos fundamentais na minimização dos problemas habitacionais”, defende a candidata e, aproveitando uma pergunta de Olhares de Lisboa sobre o que a diferenciava de Carlos Moedas, Alexandra Leitão referiu que é a prioridade dada à “emergência” habitacional e á limpeza da cidade, tendo anunciado que discutiu com o provedor da Santa Casa a possibilidade, caso seja eleita, de reabilitar o património degradado desta instituição para residências de estudantes, rendas a custo acessível para as famílias e para os trabalhadores públicos, que não conseguem viver em Lisboa devido ao custo elevado dos apartamentos.
A lider socialista, ainda em termos da habitacional, não consegue entender as razões que levaram Carlos Moedas “a não construir uma única habitação na zona ocidental de lisboa, que compreende as zonas de Alcãntara, Belém, Restelo e Ajuda.
Intimamente ligado aos problemas da habitação estão a falta de creches e o apoio aos idosos. “Estamos a falar na necessidade de alargar os apoios sociais, designadamente em termos de residencias para idosos e na criação de mais creches”, salientou a candidata socialista que revelou, ainda, que esse foi um outro tema em debate com o provedor da Santa Casa, porque, considerou, “esta é uma instituição fundamental na cidade de Lisboa e com quem iremos colaborar intensamente”.
Habitação, limpeza da cidade e tratamento dos espaços públicos, resolver o caos do trânsito e a iluminação pública, são algumas das prioridades da candidata socialista, que prometeu um mandato de diálogo com a oposição.
Caos na capital
A jurista recusou comentar os “ataques pessoais” de Carlos Moedas na abertura da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide (Portalegre), de que o PS se radicalizou e escolhe “o caos” na capital, acrescentando que o bloqueio de uma residência universitária também “é falso”.
Segundo explicou Alexandra Leitão, “essa residência privada tinha 50% de camas para alunos mais carenciados, com preços controlados, e outros 50% com” valores elevadíssimos que ninguém podia pagar” e o PS sugeriu que “fossem 70% de camas e de quartos” com “valores controlados”.
O executivo camarário “absteve-se no seu próprio projeto, inviabilizando” a proposta, ou seja, “o PS fez sugestões de alterações e depois viabilizou” e, a seguir, é o “executivo que não viabiliza o seu projeto”, portanto, “quanto a bloqueio não é verdade”, assegurou.
“Não, Carlos Moedas teve estabilidade, teve meios, teve todas as condições. Se hoje, sim, Lisboa é um caos, é por exclusiva responsabilidade sua. Lixo, falta de iluminação, parques públicos degradados, trânsito caótico” e “transportes públicos atrasados e não fiáveis, tudo isso é imputável a este mandato”, frisou, lembrando que Carlos Moedas “não fez um metro de faixa BUS”.
Em relação à acusação do autarca do PSD de “cinismo político” do PS por instalar cartazes políticos na cidade de Lisboa, a antiga ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública contrapôs que “Carlos Moedas não precisa de pôr cartazes porque utiliza a publicidade institucional da câmara para fazer propaganda”.
“Assim, de facto não é preciso pôr outra propaganda, já está abusivamente a usar a publicidade institucional. Aliás, hoje mesmo fizemos queixa à Comissão Nacional de Eleições [CNE] e já estão lá outras queixas, e há um ano Carlos Moedas foi condenado pela CNE a tirar vários “mupi” desses, como, aliás, também é verificável”, apontou.
Discutir a cidade
Em vez de enveredar “pelo ataque pessoal”, Alexandra Leitão advogou que se discuta “a cidade”, propondo “transportes gratuitos”, “20% de habitação pública” e “bolsas para estudantes universitários”, pois este ano registou-se “uma descida no número de alunos que entraram no ensino superior e, em grande parte, também por questões de carência”.
A também professora de Direito explicou que, em janeiro, na manifestação de protesto contra a ação policial na Rua do Benformoso — “Não nos encostem à parede”, teve oportunidade de “elogiar a polícia” e dizer que estava ali “a favor de uma ideia de pluralidade e contra fragmentações artificiais” e “a instrumentalização política da polícia”.
“Não foi nunca uma manifestação contra a polícia” e “o que motivou a lá ir e a muitas outras pessoas bem moderadas que lá estavam, foi o facto” de que, como disse a Provedoria de Justiça, “nessa operação policial houve algumas coisas que não correram bem”, vincou.
A candidata notou que, “coisa diferente é a questão da Polícia Municipal” e “de uma ordem ilegal que Carlos Moedas deu”, embora não querendo “entrar na discussão sobre se a Polícia Municipal devia fazer mais ou não”.
“Carlos Moedas diz muitas vezes que a Polícia Municipal vê alguém a cometer um crime e não pode apanhar. É falso, porque em flagrante delito a Polícia Municipal pode deter” e “tudo o resto, a lei e a Constituição não permitem”, argumentou, questionando se “é defender os polícias, dar-lhes uma ordem para cometer atos supostamente ilegais?”
Concorrem à Câmara de Lisboa nas eleições autárquicas de 12 de outubro Carlos Moedas (PSD/CDS-PP/IL), Alexandra Leitão (PS/Livre/BE/PAN), João Ferreira (CDU), Ossanda Líber (Nova Direita), Bruno Mascarenhas (Chega), José Almeida (Volt), Adelaide Ferreira (ADN) e Tomaz Ponce Dentinho (PPM/PTP).