O Cinema Ideal, um dos mais antigos de Lisboa, estava em risco de fechar portas. O material de projeção estava em fim de vida e a direção da casa não conseguiu financiamento do ministério da Cultura para substituir o material. Após ser alertada para a eminência do encerramento da sala, a presidente de Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Almeida, decidiu avançar com a compra do material, ajudando a “preservar o insubstituível serviço público prestado à comunidade”.
O Cinema IDEAL é uma das mais antigas salas de cinema em funcionamento na cidade de Lisboa. Abriu portas em 1904 com o nome de “salão Ideal”. Ao longo da sua longa história foi alvo de inúmeras obras de remodelação, a mais recente e profunda foi realizada em 2014, que lhe valeu o Prémio AICA Arquitetura para o seu arquiteto José Neves, uma Menção Honrosa do Prémio Vasco Vilalva de recuperação do património e o Prémio Empreendedor do Ano da “Associação Europa Cinemas”.
Mais de uma década depois foi galardoado pelo ministério da Cultura com a “Medalha de Mérito Cultural”, pela qualidade da programação, reconhecendo o seu papel fundamental na exibição de filmes independentes.
Tutela rejeitou financiamento
Recentemente e para a substituição do equipamento de projeção que se encontra em fim de vida útil, o Cinema Ideal viu recusada a proposta completa de financiamento pelo Instituto do Cinema e Audiovisual, entidade tutelada pelo ministério da Cultura.
Face à iminência do encerramento de portas e atendendo à importância do trabalho que desenvolve no acompanhamento, apoio e exibição de filmes assinados por realizadores que querem fazer do cinema um ponto de encontro, a Junta de Freguesia da Misericórdia, representada pela presidente Carla Almeida e os membros do Executivo Luísa Rodrigues, Henrique Ribeiro e Sofia Bentinho, visitaram esta sala de cinema da freguesia, onde foram recebidos por Pedro Borges, produtor e gestor do Cinema Ideal.
No decorrer da visita, a presidente da Junta de Freguesia comunicou o apoio financeiro necessário para a substituição do equipamento, de forma a preservar o insubstituível serviço público prestado à comunidade e evitar o encerramento do Cinema Ideal.
Para Carla Almeida, presidente da Junta de Freguesia, “a Misericórdia precisa de políticas que conciliem turismo, habitação e cultura, garantindo que não se transforma num cenário vazio, sem vida e sem oferta cultural para os seus residentes”



