Dignidade é palavra de ordem da Loja Solidária do Areeiro

A junta de freguesia do Areeiro inaugurou há poucas semanas um novo espaço de solidariedade social no território. A Loja Solidária tem bens de primeira necessidade, como roupa, calçado e brinquedos, para ser doado a quem mais precisa. Constitui hoje uma referência de humanismo e dignidade na freguesia. 

A Loja Solidária do Areeiro, cuja abertura era há muito esperada pela população mais necessitada, abriu portas há dois meses à comunidade. E é hoje a menina dos olhos da equipa de ação social da junta de freguesia do Areeiro, em Lisboa.

Desengane-se quem pensar que está naquele género de loja solidária que foi “atirada” para uma cave mal-amanhada, escura, onde a roupa está amontoada, sem critério, suja, destratada, e a cheirar a naftalina. Quem entrar pela primeira vez no espaço, localizado no 1º piso da antiga sede da Junta do Alto do Pina, na rua Abade Faria, ficará imediatamente surpreendido com o cuidado e a atenção ao pormenor.

As peças de roupa, praticamente todas de marcas conhecidas, repousam em cabides cuidadosamente ordenados, bem engomadas, a cheirar a lavado. E a dignidade. Assemelhando-se a uma “boutique” charmosa da Avenida de Roma, a Loja Solidária do Areeiro transpira elegância e bom-gosto, aprumo e respeito pelos utentes.

Denise Mesquita, assistente social da Junta de Freguesia, refere que a conceção do espaço de solidariedade social foi pensada para que as pessoas não se sentissem “envergonhadas” por terem de recorrer a roupa doada pela comunidade.

Dignitude e respeito  

A roupa, calçado, roupa de cama, brinquedos e pequenos eletrodomésticos não estão amontoados em pilhas de “coisas”, tendo inclusive provadores para os utentes experimentarem as peças, com calma, com tempo e a honorabilidade necessária para não sentirem que estão a vestir roupa usada ou calçado gasto pelo tempo e pelo uso.

A assistente social reforça que todo o material doado é alvo de uma cuidadosa triagem e tratamento antes de ser exposto na loja. Tudo aquilo que aparentar uso excessivo ou marcas vincadas pelo tempo de utilização, fica fora da loja.

“Este espaço pretende ser algo realmente útil para a nossa comunidade. É nosso objetivo máximo que as pessoas sintam que estão a ser tratadas com dignidade e respeito”, reforça Denise Mesquita, acrescentando que a equipa de ação social, composta por quatro assistentes sociais, faz a triagem das pessoas que podem recorrer aos bens da Loja.

Classe média empobrecida

Fazendo um retrato das pessoas que se socorrem desta loja, a assistente social revela que há, de facto, fregueses com necessidades e carências económicas, mas também pessoas da classe média empobrecida, famílias com crianças que não conseguem fazer face ao custo de vida atual.

Com as subidas disparatadas do preço das rendas das casas, dos custos com a alimentação e demais despesas fixas, há famílias que já não conseguem chegar ao fim do mês com orçamento para comprarem bens de primeira necessidade, como peças de roupa para os filhos (muito menos para eles próprios), tendo que recorrer forçosamente à ajuda de terceiros.

Denise Mesquita refere que a Loja tem o cuidado de tratar as pessoas com humanismo e o “máximo respeito”, até porque “há muita pobreza encoberta” em que as pessoas “sentem vergonha” de terem de recorrer a este género de ajuda, de não poderem oferecer uma peça nova de roupa ou calçado aos filhos – ou um simples brinquedo –, uma situação que requer atenção redobrada dos técnicos da Junta do Areeiro, que tentam que as pessoas não sintam que estão a levar para o seu lar peças usadas.

Atendimento personalizado

Dina Meixeiro é a funcionária que está em permanência na Loja. Explica que a “boutique” onde trabalha não fica nada a perder para muitas das lojas de roupa em segunda mão que há hoje por toda a cidade de Lisboa – e que estão na moda. Pelo contrário, a Loja Solidária do Areeiro rivaliza com alguns dos melhores espaços comerciais deste género. E, ao invés de quase todas as outras, tem um atendimento personalizado, com marcação prévia, como forma de evitar a exposição “pública” dos utentes que utilizam este serviço e, mais uma vez, tratar as pessoas “com dignidade”.

Denise Mesquita assegura, por seu turno, que este tipo de “comércio” de solidariedade social é também uma forma de promover a “economia circular” entre a comunidade, funcionando como um ponto de promoção da sustentabilidade ambiental, uma vez que promove a circularidade e reutilização de bens de primeira necessidade.

Comunidade solidária

Segundo a assistente social, os cidadãos do Areeiro têm correspondido aos apelos da autarquia em doar bens para a Loja, ao ponto de, nos primeiros dias de recolha de bens, já não saberem o que fazer com tantas ofertas.

Porém, a responsável diz que o sucesso da Loja foi tanto que, neste momento e com o Natal a bater à porta, a instituição está novamente a angariar bens, estando em falta principalmente roupa de homem, para que a época natalícia sorria a quem mais precisa.

Donativos e informações

A assistentes sociais da autarquia, estão a recolher diverso material para a Loja. Nomeadamente vestuário e calçado, produtos de higiene pessoal e de limpeza, roupa de cama, louças e artigos do lar, bens de puericultura, pequenos eletrodomésticos, brinquedos e material didático.

Os donativos são entregues na delegação da Junta de Freguesia do Areeiro – Rua Abade Faria, 37, no horário: 09h00 às 17h00. Mais informações, contactar: 218 485 130

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