Empathia implementa um modelo de negócio de venda de casa com usufruto

Num Portugal cada vez mais envelhecido, a Empathia propõe um modelo disruptivo para a venda das casas da população sénior. Traz para o terreno a venda da habitação com manutenção de usufruto vitalício, um novo modelo de negócio imobiliário que passa por reconhecer o lar como um instrumento de justiça social. Pedro Almeida Cruz sustenta que esta nova modalidade tem como prioridade trazer dignidade para os proprietários, que podem permanecer nas suas casas até ao fim dos seus dias, mas sem o sufoco financeiro de esticar ao limite as magras reformas.

Em entrevista ao “Olhares de Lisboa”, o CEO da Empathia explica que, ao abrigo da sua ideia de negócio, as casas deixam de ser bens imóveis propriamente ditos, para se converterem na base para envelhecer com dignidade. Esta solução foi pensada especificamente para quem quer continuar a viver na sua casa, mas que precisa de transformar esse valor em rendimento, serviços ou qualidade de vida.

Pedro Almeida Cruz fundou uma empresa do ramo imobiliário que promete revolucionar o setor, introduzindo uma dimensão humana inigualável neste setor. A Empathia quer destacar-se pela oferta de uma proposta disruptiva: transformar património em dignidade para os mais idosos, que permanecem nas suas casas, ao mesmo tempo que conseguem uma disponibilidade financeira antes inimaginável.

Ex-administrador no setor segurador, Pedro Almeida Cruz defende que a sua nova missão de vida assenta num negócio que pretende inculcar os valores da empatia e do humanismo no setor imobiliário afeto aos mais idosos. É objetivo usar a casa, não só como refúgio, mas como ativo social e emocional, garantindo que os últimos anos de vida sejam vividos com maior bem-estar.

 Olhares de Lisboa — Como surgiu a ideia de criar a Empathia?

Pedro Almeida Cruz — A Empathia nasce de uma preocupação real, que é também pessoal: como é que vamos cuidar das pessoas que envelheceram a cuidar de nós? Olhamos para os dados demográficos e percebemos que o envelhecimento da população acarreta uma transformação profunda da nossa sociedade. De facto, hoje vivemos mais tempo, mas viver mais tempo não basta — é preciso viver melhor, respondendo também à questão de como garantir que os últimos 20 ou 30 anos de vida sejam vividos com conforto, dignidade e autonomia.

Este novo modelo habitacional respeita o valor simbólico e emocional da casa, ao mesmo tempo que resolve um problema financeiro real enfrentado por milhares de pessoas seniores?

Justamente. A ideia surgiu do desejo de dar uma resposta concreta a essa necessidade, utilizando o setor imobiliário como plataforma para o desenvolvimento social. Assim, olhamos para a casa de cada família e percebemos que esta é o seu maior refúgio. Acreditamos também que a casa deve ser vista como o seu maior ativo porque, em boa verdade, é o maior investimento que fizeram na vida. Foi com essa visão que criámos um modelo habitacional que respeita o valor simbólico e emocional da casa, ao mesmo tempo que resolve um problema financeiro real enfrentado por milhares de idosos em Portugal. Percebemos que era possível criar um modelo que transformasse esse património em conforto e qualidade de vida, sem exigir que as pessoas abrissem mão do lugar onde criaram as suas histórias de vida, as suas memórias, trazendo uma novidade absoluta no mercado imobiliário, colocando a longevidade e o envelhecimento no centro da discussão deste mercado.

Havia, de facto, uma lacuna no mercado imobiliário português?

Hoje, o mercado oferece essencialmente soluções imobiliárias relacionadas com a habitabilidade ou o investimento, mas pouco ou nada existe para responder ao envelhecimento com qualidade e com segurança, na própria casa. É um setor que, do ponto de vista privado, quase ignora a dimensão social da habitação da população sénior. E essa é a lacuna que a Empathia pretende agora preencher, apresentando-se com um modelo de negócio privado, mas socialmente relevante. A nossa proposta passa, assim, por reconhecer a casa como um instrumento de justiça social. A casa deixa de ser apenas um bem imóvel para se tornar uma base para envelhecer com dignidade.

Poderia detalhar-nos como funciona todo este processo e quais são os principais benefícios para os proprietários idosos?

O funcionamento é bastante simples: com a ajuda da Empathia, o proprietário sénior vende a sua casa a investidores (particulares ou institucionais), mas mantém o direito legal de viver nela até ao fim da sua vida, designado por usufruto vitalício, e que está consagrado no Código Civil como um direito real. Em contrapartida dessa venda, recebe um valor significativo à cabeça, de forma transparente e ajustado ao valor de mercado do imóvel nessas condições.

O resultado da venda pode ser utilizado livremente, sem restrições, mal o negócio seja fechado?

Sim, não há contrapartidas. Este dinheiro vai trazer uma substancial melhoria da qualidade de vida do sénior. O montante pode servir para aumentar o rendimento mensal, para apoiar os filhos ou netos, para pagar cuidados de saúde, entre outros projetos de vida. O principal benefício, no fundo, é poder transformar património em liberdade e bem-estar, sem ter de deixar a sua casa. Isso traduz-se em mais conforto, maior segurança e em um envelhecimento mais ativo e feliz.

O negócio é recente. Quais as principais motivações que as pessoas têm ao vender a sua casa, mas mantendo o usufruto?

Temos sido contactados por pessoas com mais de 75 anos, reformadas, que viveram grande parte das suas vidas na mesma casa. Muitas delas veem os seus rendimentos reduzidos, mas ao mesmo tempo possuem imóveis pagos, localizados em zonas valorizadas das cidades. Quando ouvem falar da Empathia e do seu projeto transformador, parece-lhes uma boa ideia beneficiar da valorização da sua casa, mas sem deixar de a utilizar.

Quais as razões que habitualmente levam alguém a vender a sua casa em vida?

As motivações para as pessoas procurarem a Empathia diferem umas das outras. Mas podemos tipificar os 4 perfis mais relevantes: antecipar a herança; garantir um significativo complemento de reforma; ajudar financeiramente a família; ou ainda ter dinheiro para resolver rapidamente um problema de saúde. Em todos os casos há um denominador comum, que é a vontade de permanecer no espaço onde viveram a vida inteira, mas com mais meios e mais tranquilidade para o futuro, vendo neste modelo uma forma de envelhecer com mais dignidade.

Sabemos que estamos a falar de uma geração que, muitas vezes, encara a casa como algo “sagrado”. É um bem emocional, construído e pago com muito sacrifício. Por isso, a nossa comunicação é feita com muito respeito e transparência, cumprindo em rigor os nossos valores, que assentam na humanidade, empatia e confiança. O processo é sempre feito com tempo, com calma e com a garantia de que todas as partes envolvidas estão confortáveis. Com a ajuda dos nossos incansáveis parceiros, que entenderam e apoiaram incondicionalmente o nosso projeto desde o primeiro minuto, estamos a fazer o nosso caminho de comunicação, transmissão de confiança e abertura de mentalidades, sobretudo porque este é um negócio completamente novo e transformador.

Este modelo de negócio poderá ser alvo de desconfiança?

O desafio principal é cultural. Ainda existe muita resistência à ideia de vender a casa por parte dos próprios seniores e, muitas vezes, também por parte dos seus familiares. Mas deixamos sempre bem claro que o negócio só avança se houver concordância de todas as partes. Todas as transações são realizadas com a máxima transparência e segurança jurídica. Sabemos que o usufruto vitalício está consagrado no Código Civil, e isso dá total confiança a quem vende. O usufruto é registado legalmente, juntamente com a escritura de compra e venda da casa, garantindo o direito de o proprietário viver na casa para sempre, mesmo após a venda. Para oferecer mais garantias e dissipar dúvidas que possam existir, além do nosso know-how, aconselhamos sempre os nossos clientes a consultarem um advogado da sua confiança. O usufruto é registado legalmente, juntamente com a escritura de compra e venda da casa, garantindo o direito de o proprietário viver na casa para sempre, mesmo após a venda.

Este tipo de negócio requer um tato especial para lidar com clientes que estarão, muitas vezes, relutantes em vender o único bem conseguido ao longo da vida?

O processo é sempre feito com tempo, com calma e com a garantia de que todas as partes envolvidas estão confortáveis. Antes de avançar, pedimos também a cada cliente que fale com os seus familiares mais próximos, com os seus herdeiros, que debata o assunto e se aconselhe com especialistas. Esta comunicação transparente tem gerado, naturalmente, confiança.

Quais são os critérios que a Empathia utiliza para avaliar e determinar o valor de compra dos imóveis neste modelo de negócio?

A avaliação proposta aos nossos clientes é feita de forma rigorosa e justa. Para o apuramento do valor de mercado do imóvel consideramos a sua localização, estado de conservação, tipologia, atratividade, entre outros fatores. Em complemento, e para apurarmos o valor de usufruto, usamos variáveis muito particulares que têm em conta a idade e o perfil do proprietário, a sua expectativa de longevidade, entre outras variáveis. Para apuramento do valor final do imóvel com usufruto, utilizamos todas aquelas variáveis incorporadas em modelos de cálculo que nos asseguram um valor justo para o vendedor, e uma atratividade para os investidores.

Que tipo de investidores têm demonstrado maior interesse no vosso modelo e como garantem que este investimento se mantém sustentável a longo prazo?

O nosso modelo tem atraído investidores que procuram impacto social com retorno financeiro. São, sobretudo, investidores institucionais, mas também investidores privados com uma consciência social apurada. Temos também como investidores muitos portugueses emigrados, que pretendem investir num bem que não deverá desvalorizar e que será utilizado daqui a alguns anos, quando regressarem ao país ou que poderá ser rentabilizado da forma que lhes aprouver. A sustentabilidade do negócio assenta numa combinação de três fatores: o valor gerado para cada um dos nossos clientes seniores (que é o nosso foco principal), a previsibilidade do retorno para os investidores e o impacto social positivo para a sociedade. Criámos um modelo que é financeiramente viável, eticamente responsável e socialmente necessário. E isso é o que o torna único e numa mais-valia para todas as partes.

Se alguma das partes envolvidas mostrar muitas reticências e não ficar totalmente convencido, o que acontece?

Tentamos mostrar às pessoas todas as vantagens desta transação, e que são diversas. Ainda assim, e como referi, para que não restem dúvidas, pedimos sempre aos nossos clientes que consultem um advogado da sua confiança, para que também ele explique o processo e não hajam mal-entendidos ou medos. Somos totalmente transparentes em todo o processo, mas reconheço que a venda de uma casa, muitas vezes comprada com muito esforço, é um tema sensível, que exige empatia, confiança, escuta e tempo. Estamos convictos que, com tempo, vários exemplos concretos e resultados visíveis, este modelo vai-se afirmar como uma das maiores inovações sociais no setor imobiliário português.

Com este modelo inovador de negócio, os problemas com divisões das heranças acabam por ser mitigados?

Exatamente. Evitam-se assim as desavenças familiares por causa de heranças ou partilhas. A venda com usufruto resulta em dinheiro extra para os proprietários, que é facilmente divisível um dia mais tarde.

Que outras vantagens oferecem este negócio para os proprietários?

Há um conceito de envelhecimento já muito utilizado em diversos outros países, o “Envelhecimento em Casa”. Há muitas pessoas que não querem deixar as suas casas, mas precisam de ser acompanhadas por serviços especializados, nomeadamente de enfermagem, entre outros, para lhes proporcionar conforto. Se alguém vender a sua casa com usufruto através da Empathia, sabe que pode contratar serviços especializados que o irão acompanhar no seu dia a dia, facilitando-lhes a vida.

A solidão dos idosos também é mitigada com esses serviços?

A vida nas grandes cidades, principalmente na Grande Lisboa e no Grande Porto, pode ser muito cruel para os seniores. Infelizmente, há imensas pessoas que vivem isoladas e em solidão total, e essa é uma das nossas preocupações principais. Ao venderem as suas casas com a nossa ajuda, estas pessoas podem utilizar as verbas para contratar serviços especializados e passar a ter companhia nas suas vidas. É um imperativo que os mais idosos sejam acompanhados para terem uma vida mais cheia e digna. A Empathia ajudá-los-á a sentirem mais ativos e integrados na sociedade.

Quais os principais desafios que preveem enfrentar na implementação deste modelo de negócio no país?

Estamos convictos que, com tempo, e com vários exemplos concretos e resultados visíveis como já hoje acontecem, este modelo vai-se afirmar como uma das maiores inovações sociais no setor imobiliário português. Precisa apenas de ser mais divulgado, através de um plano de comunicação que dê a conhecer esta modalidade de negócio. Propomos uma nova abordagem, mais humanista e empática, que acaba por funcionar como uma preciosa ajuda para os seniores terem uma vida (bem) mais confortável até ao fim das suas vidas.

Para alguém que tenha uma reforma pequena, e que muitas vezes não chega para pagar as despesas correntes com a medicação, etc., a venda da casa acaba por funcionar como um alívio financeiro?

É esse o objetivo. As pessoas passam a dispor de uma almofada financeira que lhes permite passar a viver uma velhice com dignidade. Por exemplo, uma pessoa que receba uma reforma de 500 ou 600 euros, passa facilmente a poder usufruir de 2.000 euros mensais. Ora, com esta alavancagem no rendimento mensal, um sénior consegue viver mais confortavelmente, sem ter que fazer a opção de comprar a medicação e ficar quase sem dinheiro para tudo o resto, com a vantagem de poder continuar a viver no lar que sempre foi seu.

Com esta transação em vida, o idoso ganha um novo impulso nesta fase da sua vida?

O sénior sente, essencialmente, alívio financeiro. Pode passar a ir ao teatro, participar em passeios ou almoços com os amigos, por exemplo, porque deixa de ter sobre si o peso da falta de recursos financeiros para viver com dignidade. Importa também salientar que a Empathia tem vários parceiros que prestam apoio aos nossos clientes, que tanto fornecem serviços de saúde, manutenção da limpeza da casa, entre outros. No fundo, o cliente ganha uma nova qualidade de vida e um alívio emocional essencial para viver tranquilamente.

Os filhos, para além do retorno financeiro, passam a ter vidas menos sobressaltadas porque sabem que os pais estão a ser acompanhados?

Há a designada “Geração Sandwich” que vive hoje literalmente assoberbada, por vezes com dificuldades, e com uma dupla responsabilidade, porque não só têm de cuidar dos filhos, como também dos pais. Ao tratarem dos filhos e dos mais velhos da família, estas pessoas têm despesas incomportáveis e vivem num verdadeiro sufoco financeiro e emocional. Com a venda das casas dos pais, com manutenção do usufruto vitalício, todos passam a viver melhor e sem apertos.

Pode revelar-nos quantas casas já foram angariadas ao abrigo deste modelo?

Não quero avançar números concretos para não subverter as regras de confidencialidade da empresa, mas posso dizer-lhes que já transacionámos algumas dezenas de casas, com apenas 1 ano de atividade.

O trabalho da Empathia já mereceu aplausos do setor. Qual o significado para a Empathia de já ter vencido dois prémios nacionais no setor (Prémio Inovação na Mediação 2025 do Expresso/ SIC Notícias e Prémio Responsabilidade Social 2025 no Salão Imobiliário de Portugal)?

Ficámos imensamente gratos por este duplo reconhecimento. É sinal de que o setor está atento a quem realiza um trabalho inovador e de impacto, como é o nosso caso. Porque, ao fim e ao cabo, a Empathia traz para o setor imobiliário um trabalho de responsabilidade social, apoiando financeiramente quem de nós cuidou ao longo da vida (os seniores) e que, agora, necessitam de viver os últimos anos de vida com qualidade, socialmente amparados, e financeiramente tranquilos. Mas, sobretudo, por poderem viver com dignidade o resto dos seus dias.

 

 

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