Amnistia Internacional denuncia graves violações dos direitos humanos em diversos países em 2026

A Amnistia Internacional divulgou um conjunto de denúncias sobre a deterioração dos direitos humanos em várias regiões no início de 2026. Entre as principais preocupações estão a escalada de práticas autoritárias nos Estados Unidos, prisões políticas em Cuba, crimes graves cometidos por agentes da PSP em Lisboa, uma repressão letal no Irão e detenções arbitrárias contínuas na Venezuela.

Nos Estados Unidos, o relatório “Ringing the Alarm Bells: Rising Authoritarian Practices and Erosion of Human Rights in the United States” documenta como a administração Trump tem promovido o encerramento do espaço cívico e o enfraquecimento do Estado de direito, o que está a corroer os direitos humanos dentro do país e além-fronteiras.

Em Cuba, um ano após libertações seletivas de presos de consciência, a Amnistia Internacional exige a libertação total e imediata de todas as pessoas detidas por motivos políticos. Ana Piquer, diretora regional da organização para as Américas, afirmou que “as autoridades cubanas têm a obrigação de garantir a liberdade plena e incondicional de todas as pessoas presas por motivos de consciência”.

Em Portugal, a Amnistia Internacional – Portugal alertou para a gravidade do caso envolvendo dois agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) acusados de crimes de tortura, agressão, violação, furto e falsificação em duas esquadras de Lisboa. A porta-voz Inês Subtil declarou: “é difícil, neste momento, perceber o que falhou, mas certamente falhou muita coisa. Estamos a falar de crimes gravíssimos que são referidos no despacho da acusação: violações, abuso de poder, agressões agravadas à integridade física, roubo”.

No Irão, a repressão letal crescente desde 28 de dezembro tem provocado uma perda de vidas sem precedentes durante a dispersão de protestos, em grande parte pacíficos. A Amnistia Internacional apela aos Estados-membros da ONU para reconhecerem que a continua impunidade pelos crimes das forças de segurança iranianas encoraja a persistência dessa conduta criminosa.

Na Venezuela, embora um pequeno número de presos políticos tenha sido libertado a 8 de janeiro, ainda permanecem cerca de mil pessoas detidas arbitrariamente. Ana Piquer frisou que “isso não significa que essas medidas sejam suficientes, considerando o facto de que centenas de pessoas continuam detidas arbitrariamente por motivos políticos, incluindo defensores dos direitos humanos como Kennedy Tejeda, Javier Tarazona, Eduardo Torres e Carlos Julio Rojas”.

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