Município de Oeiras e FPG estabelecem parceria inédita para “democratizar” golfe 

O presidente da Câmara Municipal de Oeiras visitou hoje, dia 14 de janeiro, a futura Academia Municipal de Golf de Oeiras, localizada no Cabanas Golf, em Barcarena. Isaltino Morais explicou todos os passos do processo de aquisição do espaço ao nosso jornal e mantém que é seu objetivo “democratizar” o golfe no concelho. A Academia Municipal de Golfe irá ser inaugurada na primavera. 

Desativado desde julho de 2024, o campo de golf de Barcarena vai agora ganhar nova vida e tornar-se no primeiro campo de municipal “de grandes dimensões do país”.

A Câmara Municipal de Oeiras (CMO) adquiriu dois lotes no terreno do Cabanas Golf, num total de 43 hectares, com o objetivo de ali fazer nascer o primeiro campo de golf municipal do país, criando oportunidades aos simpatizantes da modalidade desportiva de desenvolverem a prática e também apostarem na formação de praticantes mais jovens.

O denominado Oeiras Green Valley deverá estar disponível a escolas, universidades, clubes e a comunidade em geral, a partir de finais de abril.

Em entrevista no local ao “Olhar Oeiras”, Isaltino Morais, que se fez acompanhar pelos vereadores da educação (Pedro Patacho) e do ambiente e qualidade de vida (Sílvia Breu) e do presidente do Oeiras Viva (Rui Mourinha) e da presidente da Junta de freguesia de Barcarena (Bárbara Silva), explica que o antigo Cabanas Golf data de 1997-1998 e pertencia à empresa Pimenta e Rendeiro, que construiu o campo de golfe mediante empréstimos ao Banco Espírito Santo.

Com a crise do subprime (2008), o banco foi tomando conta dos lotes de construção. Mas, entretanto, foi adquirido pelo Novo Banco, que, com a resolução do “banco bom e banco mau”, traduziu-se no paulatino abandono do campo de golfe.

“Aquilo que era bom, como os lotes para construção, ficaram no banco bom. As infraestruturas e o campo de golfe, passaram para o banco mau (…) isto é uma aberração total, na medida em que o golfe foi condição sine qua nom da emissão do loteamento para construção. As pessoas que aqui compraram lotes de terreno ou construíram casas, fizeram-no na expetativa de que teriam golfe, mas a resolução precipitada do Governo, que extingui o Banco Espírito Santo e criou o tal Novo Banco, dividindo-o em duas fações, não salvaguardou os interesses das instituições e das pessoas”.

Neste caso concreto, a CMO “pôde intervir”, porque o dito Novo Banco mau, entendeu que o campo de golfe “não tinha a rentabilidade” desejada e foi sendo abandonado. “A rede de rega degradou-se, as estações elevatórias e os relvados degradaram-se”, chegando ao ponto de já não poder ser considerado como um espaço com aptidão para a prática desportiva.

Com este abandono da parte da entidade bancária, o Município de Oeiras viu então a oportunidade de “caçar” as novas licenças de construção “até que a situação ficasse resolvida”, resolvendo-se, por fim, o imbróglio com a aquisição da Câmara de Oeiras do campo de golfe no ano passado.

A CMO adquiriu a um fundo luxemburguês, que era detentora das dívidas do dito banco mau, considerando-o como um “bom investimento”, até do ponto de vista ambiental, por cerca de 600 mil euros. “Aparentemente, é barato. Mas, na realidade, não podia ter um preço mais elevado, porque a Câmara está-se a substituir às responsabilidades que o proprietário tinha. Na verdade, houve alguma irresponsabilidade do Governo, que não cuidou daquilo que havia de cuidar. O resultado está à vista: se a Câmara não tivesse comprado o espaço, o campo seria agora um matagal”.

O importante é pôr o campo a funcionar

Isaltino Morais ressalva que a visita de hoje está relacionada com a observação das obras em curso, sublinhando que a requalificação do campo de golfe resulta de um acordo estabelecido com a FPG, uma vez que a Câmara não tinha condições, nem conhecimentos técnicos, para fazer a reformulação do espaço desportivo.

Quando o campo de golfe estiver a funcionar, a FPG irá gerir o campo “durante 1 ou 2 anos”, avançando-se posteriormente para o regime de concessão ou de exploração direta da CMO. Mas, sublinha Isaltino Morais, o mais importante “é pô-lo a funcionar”.

O autarca assume ter “ficado surpreendido com o ritmo das obras” e revela que “em finais de abril estaremos em condições de inaugurar o campo”, sendo que, nessa data, se pondera a hipótese de o espaço passar a ser gerido diretamente pela Câmara, através da Oeiras Viva, ou se se abre a porta para que a gestão seja feita em regime de concessão.

Isaltino Morais tem a certeza de que o novo campo de golfe de Barcarena “será um campo especial”, uma vez que, por via da entrada da CMO, está em curso a “democratização do golfe no território”. “Há um bocado a ideia de que o golfe é só para ricos, mas este campo vai possibilitar o acesso deste desporto para as pessoas que queiram praticar ou aprender a praticar este desporto”.

“Vamos abrir este campo à população. Desde logo, à população escolar. Iremos acrescentar o golfe à atividade desportiva escolar dos jovens do 11º e 12º anos das escolas de Oeiras”.

Disponível para acolher 200 golfistas por dia

O campo tem uma área de 22 hectares e nove buracos, sendo considerado pela Federação Portuguesa de Golfe “como o melhor campo de 9 buracos em Portugal”.

O presidente da FPG, Pedro Nunes Pedro, esclarece que o novo campo terá capacidade para acolher 200 praticantes por dia, ressalvando o papel “fundamental da CMO” na recuperação de um espaço que estava “praticamente ao abandono”.

O responsável refere que a primeira fase das obras “está praticamente concluída”, tendo sido feita a desmatação do campo e recuperação do sistema de rega, estando já a intervenção na fase de cimenteira da relva.

Pedro Nunes Pedro salienta que esta parceria com a CMO “é fundamental para o desenvolvimento do golfe na região”, estando protocolado no acordo “tornar o golfe mais acessível”, implementando-o no programa de desporto escolar de Oeiras, mas também entre a população sénior.

“Queremos que seja um desporto para todos, acessível, e também inclusivo. Os jogadores pagarão cerca de 18 euros para jogar cerca de 2h30, que é um preço muito abaixo do praticado noutros campos”.

O presidente da FPG sustenta que o campo de golfe de Barcarena “é um dos melhores campos de 9 nove buracos do país”, justamente por só ter 9 buracos, num espaço muito alargado de terreno.

“Quem quiser fazer os 19 buracos, como é habitual, pode jogar no campo duas vezes. Este campo é excelente. Foi muito bem desenhado pelo arquiteto português Jorge Santana da Silva e é também um desafio para os jogadores. Não será um ‘campinho’, mas sim um campo de golfe especial e com grandes condições”.

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