‘Somos Lisboa, Somos Europa’ é o tema das marchas populares de 2026

Em 2026, o tema das Marchas Populares de Lisboa será ‘Somos Lisboa, Somos Europa’, como forma de homenagem ao Tratado de Lisboa e aos 40 anos de entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE). O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas, ao final da tarde desta quarta-feira, dia 7 de janeiro, na cerimónia de entrega de prémios referente à edição de 2025. Este ano, irão estar, novamente, 20 marchas a concurso, a que se juntam mais três extraconcurso.

Realizou-se, ao final da tarde desta quarta-feira, dia 7 de janeiro, a habitual cerimónia de entrega de prémios aos vencedores da edição de 2025 das Marchas Populares de Lisboa. Este ano, o tema será ‘Somos Lisboa, Somos Europa’, homenageando, assim os 40 anos de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE) e o Tratado de Lisboa, anunciou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas, na mesma cerimónia, que juntou dezenas de participantes no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

“Queria-vos agradecer do coração por estarem aqui. Este é um dia muito importante”, começou por referir o edil lisboeta, sublinhando que é o “único presidente a ir aos três dias do pavilhão”. Após os agradecimentos a todos os que fazem acontecer este evento, um dos pontos altos das festas da cidade, que acontecem em junho, Moedas lembrou que “o ano de 2025 foi muito especial para as marchas, porque o tema era a ‘Alma de Lisboa’.

Naquilo que eu vi, nos ensaios e em cada momento que vivemos, nós vivemos a alma de Lisboa. Nós sentíamos essa alma nos figurinos. Sentíamos essa alma na vossa vida todos os dias. Sentíamos essa alma naquilo que vivemos naquele momento”. Por isso, este ano, a autarquia teve uma “grande responsabilidade”. “2026 é um ano muito especial para Lisboa e para Portugal. Este ano fazem 40 anos que Portugal entrou naquilo que hoje é a União Europeia”, disse Carlos Moedas ao mesmo tempo que olhava para Carlos Coelho e Alfredo Sousa, representantes do Parlamento Europeu.

“Devemos muito à Europa”, salienta Moedas

Para além da entrada na CEE, que mais tarde deu origem à União Europeia, o autarca lembrou que, “há 19 anos, em 2007, assinámos nesta cidade o Tratado de Lisboa, que gera a vida de 500 milhões de pessoas. Nós devemos muito à Europa. A cada duas semanas, entrego casas e agradeço sempre à Europa. Porque sem o dinheiro europeu, eu não tinha feito isso. A cada centro de saúde, ou cada creche, ou cada escola que fazemos, nós temos que agradecer à Europa. A Europa é o nosso porto de abrigo”.

No entanto, o presidente da CML quis ainda ir mais longe e reforçar que, para além disto tudo, também o Santo que dá o mote para as festividades da cidade, o Santo António, “foi um dos nossos maiores europeus. Ele representava a Europa do conhecimento, da solidariedade e da proximidade”.




Marchas Populares são símbolo da cidade

Já de acordo com Pedro Moreira, presidente da EGEAC/Lisboa Cultura, “a alma da nossa cidade está hoje aqui conosco e essa alma são as nossas marchas populares. As marchas não são apenas um destino ou as expressões de cores e de sons: são a expressão viva da nossa história, da nossa cultura e da força das nossas gentes. Cada passo, cada música, cada traje conta uma história que atravessa gerações e que continua a unir-nos como comunidade. Lisboa é feita de bairros, de ruas, de vizinhos que se conhecem e se apoiam”.

De igual modo, continuou, “é feita de tradições que resistem ao tempo e que nos lembra quem somos. As marchas populares são isso mesmo: um símbolo de identidade, de pertença e de orgulho de Lisboa. Hoje celebramos não apenas a beleza desta tradição, mas também o trabalho incansável de todos aqueles que tornaram e tornam possível este grande evento”.

Para o responsável, para além de celebrar a tradição, as marchas também permitem “olhar para o futuro, porque tradição e modernidade não são opostos, são complementares. É na alma das nossas ruas que encontramos a força para construir uma cidade mais inclusiva, mais dinâmica. Uma cidade que honra as suas raízes enquanto abraça o mundo”.

Pedro Moreira destacou também o trabalho de todos os patrocinadores que fazem as Marchas de Lisboa acontecer anualmente e “que fazem desta iniciativa a inscrição máxima da cultura de Lisboa. Que as marchas populares continuem a ser o coração pulsante da nossa Lisboa, lembrando-nos que juntos somos mais fortes”, concluiu o presidente da Lisboa Cultura. Após os discursos, foram entregues os prémios referentes à edição de 2025, da autoria de Carlos Manuel Gonçalves.

Alcântara e Bairro Alto conquistaram ex-aequo o primeiro lugar em 2025

No ano passado, foram dois os bairros que conquistaram, em ex-aequo, o primeiro lugar – Alcântara e Bairro Alto -, mas houve também troféus para quem brilhou nas categorias especiais e prémios de participação para todas as marchas que fizeram parte da edição de 2025. Desta forma, o Melhor Figurino foi atribuído às marchas de São Vicente (que conquistou ainda a Melhor Coreografia) e Alcântara (que arrecadou também a Melhor Cenografia). Este bairro levou também os prémios de Melhor Letra e de Melhor Musicalidade – com o segundo a ser partilhado com as marchas do Bairro Alto, Bica e Marvila.

Já a canção ‘Meia porta, porta e meia’, da Marcha da Bica, conquistou a Melhor Composição Original, e o Melhor Desfile na Avenida foi atribuído às Marchas do Bairro Alto, Bica e Madragoa. Para além de Alcântara e Bairro Alto, o pódio da classificação geral ficou completo com a Marcha da Bica, que apresentou o tema ‘Um coração em cada porto’ e conquistou, assim, o terceiro lugar no concurso. Alcântara desfilou sob o tema ‘Num toque de mestre, Alcântara traz a mística do sete’, e o Bairro Alto levou ‘Onde o tempo guarda histórias’. Em 2025, o tema escolhido para o concurso foi ‘Alma de Lisboa’.

Coletividades já começaram a trabalhar na edição de 2026

À margem da cerimónia, que teve ainda uma homenagem a Anita Guerreiro, figura incontornável das marchas e da cultura lisboeta, Vítor Silva, responsável da Marcha do Bairro Alto, revelou, ao Olhares de Lisboa, que já começou a preparar a participação no concurso deste ano e que “contará com uma nova equipa”. “O Carlos Fonseca, o Dino Carvalho, o José Condeça e o Paulo Miranda, ao fim de 13 anos, optaram por ir para outro sítio, saíram pela porta grande, e só tenho de lhes agradecer pelo trabalho que fizeram”, disse o responsável, referindo que a nova equipa será divulgada “em breve”.

Por outro lado, sobre a cerimónia nos Paços do Concelho, Vítor Silva considera que esta iniciativa “é uma cerimónia importante para as entidades organizadoras, porque somos compensados pelo trabalho que tivemos ao longo do ano todo para fazer a conceção e a planificação das marchas populares”. Já para David Ferreira, um dos responsáveis da Marcha de Alcântara, não haverá mexidas na equipa que irá trabalhar na edição de 2026, porque “em equipa que ganha não se mexe” e “conseguimos ganhar dois anos seguidos, o que ninguém estava à espera”.

“Provamos que, com humildade e trabalho, conseguimos chegar lá. E este ano estamos outra vez a trabalhar para isso [ser tricampeões] com a mesma humildade e a mesma ambição. O tema apresentado é um tema bastante bom. Dá para fazer mil e uma coisas e esta ligação de Portugal à Europa e à União Europeia veio muito antes, já com o Santo António. Enquanto houver Santo António, Lisboa não morrerá”, confessou ao Olhares de Lisboa.

Marchas desfilam na Altice Arena nos dias 29, 30 e 31 de maio e novamente de 12 para 13 de junho

Para 2026, estão confirmadas as marchas de Benfica, Bica, São Domingos de Benfica, Bela Flor/Campolide, Graça, Bairro Alto e Mouraria – que irão desfilar na Altice Arena a 29 de maio, juntamente com a marcha extraconcurso da Voz do Operário. Já a 30 de maio, segundo dia de exibições, irão desfilar as marchas dos Mercados (extraconcurso), Madragoa, Castelo, São Vicente, Alto do Pina, Olivais, Penha de França e Carnide.

A fechar as exibições no pavilhão, a 31 de maio, seguem-se as marchas da Santa Casa (extraconcurso), Alfama, Marvila, Ajuda, Alcântara, Boavista e Beato. Na noite de Santo António, de 12 para 13 de junho, as 20 marchas a concurso, juntamente com as três marchas extraconcurso, descem a Avenida da Liberdade, naquela que é considerada a noite mais especial do ano para os lisboetas.

Quer comentar a notícia que leu?