O Município de Oeiras e o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) celebraram hoje, no dia 16 de janeiro, um contrato-programa destinado a apoiar a criação do biobanco nacional GENEMAR que tem como objetivo a preservação, estudo e valorização dos recursos biológicos marinhos do país.
A cerimónia contou com a intervenção do presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, e do secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro.
Isaltino Morais sublinhou a importância estratégica da capacitação nacional em infraestruturas científicas com impacto na investigação, na inovação tecnológica e no desenvolvimento da economia Azul. A iniciativa reforça a capacidade do país nos domínios da biodiversidade marinha e da biotecnologia Azul.
Para o presidente do Município de Oeiras, a criação do GENEMAR vem impulsionar o programa estratégico de Oeiras Valley para os recursos marinhos, contribuindo para o desenvolvimento da economia nacional.
“A celebração deste contrato-programa com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera constitui um passo decisivo na consolidação de Oeiras como território de ciência, inovação e conhecimento aplicado ao mar, um dos eixos estratégicos da nossa aposta na ciência e que representa uma indiscutível mais-valia para o país”, afirmou.
O contrato-programa para criação do biobanco nacional GENEMAR prevê uma comparticipação financeira do Município de Oeiras até ao montante máximo de 2 milhões de euros, correspondente a 50% do investimento global previsto. O remanescente fica a cargo do IPMA.
Visita às obras
Antes do contrato-programa ser oficialmente selado, o IPMA conduziu uma delegação do Município de Oeiras, liderada pelo vereador Pedro Patacho, e o secretário de Estado do Mar, numa visita às obras em curso.
O presidente do IPMA, José Guerreiro, fez-se acompanhar pelo empreiteiro da obra e pelo arquiteto, para explicar as valências que irão resultar das obras que estão em curso no IPMA no sentido de erguer o Polo Oeiras Mar da Rede Colaborativa para a Tecnologia Oceânica.
Segundo José Guerreiro, este novo espaço de ciência e investigação promete transformar o Campus de Algés numa área de forte desenvolvimento na interface entre a investigação e a economia azul, em particular na área da robótica submarina, fomentando a formação e literacia oceânica e reforçando a capacidade de projeção internacional do IPMA.
A infraestrutura compreenderá um hangar, que inclui um tanque para testes diferenciados de robótica submarina, acústica e outros, uma ponte rolante, área de oficinas, área de testes a seco e armazéns para amostras em meios líquido e sólido (biológicas e geológicas), bem como uma área para acolhimento a investigadores e empreendedores.
Abrir IPMA à comunidade
O presidente do IPMA revelou que é objetivo de a instituição “atrair startup” para dentro dos edifícios, especialmente aquelas que estejam a desenvolver trabalho na área da robótica submarina.
Terá também um espaço museológico (em colaboração com o Aquário Vasco da Gama), uma biblioteca e uma área multiusos.
José Guerreiro salienta que, para além de os novos edifícios serem centros de investigação de ponta na área Azul, é objetivo abrir o IPMA à comunidade, “aproximando a ciência à sociedade”, reforçando a imagem da instituição como a referência científica na área, mas, em simultâneo, “despertar a curiosidade e o espírito crítico” de todos os visitantes.
Em entrevista ao “Olhar Oeiras”, o vereador da Educação e Ciência Pedro Patacho, sublinhou que o envolvimento do Município de Oeiras no financiamento parcial deste projeto significou a viabilização da construção do edifício que irá albergar o GENEMAR, uma componente essencial do projeto que não se encontra abrangida pelo financiamento europeu já aprovado no âmbito do programa Mar 2030.
Pedro Patacho refere que a iniciativa se enquadra “na estratégia municipal para a ciência e inovação – Estratégia Oeiras Ciência e Tecnologia – e integra o Hub Azul Oeiras, “contribuindo para a valorização do Campus de Algés, a atração de talento altamente qualificado e a afirmação de Oeiras enquanto território de referência da ciência e da inovação marítimas”.
Na visão do vereador da Ciência, o IPMA “é um forte parceiro da Câmara de Oeiras” na implementação da ciência e tecnologia, em particular no âmbito do Programa Oeiras Mar, sendo um parceiro “essencial” para desenvolver a estratégia territorial para o avanço da ciência e da inovação ligada ao mar no concelho de Oeiras.
Pedro Patacho refere que a CMO e o IPMA já colaboram “há alguns anos” em vários projetos comuns, como o Hub Azul de Oeiras, que integra a rede nacional de Hub Azul que estão a ser desenvolvidas por todo o país, e que, no caso de Oeiras, fica sediado no IPMA.
Nesse contexto, a visita à obra, que vai servir o desenvolvimento da economia azul, mas vai também servir de extensão comunitária e cidadania, bem como de literacia azul para todos os cidadãos, teve como objetivo dar a conhecer a nova infraestrutura do IPMA, que “tem criadas todas as condições” para ser o “espaço de referência nacional” na área.
“Vamos ficar aqui com um grande polo científico-tecnológico e de inovação na área da economia azul, com uma capacidade inédita na área da robótica submarina e na área da biotecnologia azul. Teremos também aqui um banco de referência a nível europeu e mundial no domínio específico dos recursos marinhos. Isto é, teremos uma nova capacidade para mantermos a soberania de Portugal nos seus mares e oceanos”.
Ecossistema científico “único”
O vereador considera que o novo edifício está localizado numa “zona muito especial”, na bacia de Algés e na língua costeira que vem do Jamor até à Ribeira de Algés, num ecossistema científico que comporta instituições como o IPMA, o Aquário Vasco da Gama, a Direção-Geral da Política do Mar, assim como irá acolher a Nova-IMS — sairá de Campolide para se instalar paredes-meias com o IPMA e é “a escola de referência na área dos dados”, e que “tem muito interesse em trabalhar a área dos oceanos dentro da sua atividade” –, bem como a Docapesca de Lisboa, todas elas instituições com a atividade ligada ao mar e aos oceanos.
Revolução a caminho
E que significa todas estas instituições estarem sedeadas num raio concentrado de terreno? Pedro Patacho explica, lembrando que, para além das instituições referidas, existe o projeto do Governo de criar o projeto do Oeiras-Lisboa Ocean Camp, que começa na foz do Rio Jamor e vai até à zona Fundação Champalimaud, que significa um “contínuo territorial exclusivamente dedicado à ciência, inovação, investigação e desenvolvimento, nesta área da Economia Azul, justamente na área onde se localiza o IPMA”.
Para o vereador, a vinda do Oeiras-Lisboa Ocean Camp vai trazer uma verdadeira “revolução” para a zona, uma vez que vai traduzir-se numa “transformação extraordinária” para frente ribeirinha, com a implementação de novas infraestruturas na área científica, uma nova marina, um IPMA totalmente requalificado, vai transformar o espaço no “maior campus de infraestruturas vocacionadas para a inovação, tecnologia e investigação em Portugal”.
Quando todos estes projetos estiverem cerzidos na mesma área geográfica, o território passará a ter um novo impulso na sua já reconhecida capacidade de transformar “ideias e ambições”, materializando e catapultando-as para projetos concretos.
“Oeiras e Portugal terão muito orgulho daquilo que está a ser construído aqui neste território”, conclui.
Pedro Patacho estima que o Hub Azul Oeiras seja inaugurado em junho, estando previsto o lançamento da primeira pedra do biobanco para essa data.
