Cerca de 250 seniores de Oeiras estiveram reunidos em convívio dançante organizado pela CMO. O “Baile dos Afetos” tem como objetivo “tirar as pessoas de casa”, fomentando a importância dos afetos e da solidariedade entre a comunidade.
Alheios ao granizo, chuva e vento forte que teimam em martirizar ruas, estruturas, árvores e tudo o mais lá fora, cerca de 250 seniores do concelho de Oeiras rodopiam e dançam ao som da música popular que está a animar o “Baile dos Afetos”, uma iniciativa promovida pelo Município de Oeiras no âmbito do “Movimento dos Afetos” e destinada exclusivamente aos munícipes seniores com 65 ou mais anos, no dia 13 de fevereiro, no Hotel Real de Oeiras.
Dona Carla Costa, de 74 anos, atrasa-se um pouco para o início da festa. Agarrada ao marido, sacode o guarda-chuva com veemência e dá um último retoque nos cabelos antes de entrar no átrio do salão. Lá dentro, muitos dos seus amigos já bailam em pares ou em coreografias solitárias. O marido da Dona Carla escusa-se a falar com o nosso jornal e decide avançar sozinho, deixando essa tarefa para a sua esposa, pois “ela fala melhor”, justifica.
A importância de “tirar as pessoas de casa”
Sem pruridos, Dona Carla assume que não perde uma oportunidade de sair de casa, pondo acento tónico na sua “boa condição física”, para o qual contribuem as aulas de pilates e ginástica, mas também o facto de não se privar do convívio com outras pessoas.
“Este tipo de festas são muitos positivas porque as pessoas socializam entre elas e saem de casa. Felizmente, ainda tenho uma boa mobilidade, mas conheço muita gente que não sai de casa e tem muita dificuldade em socializar”.
Apesar de elogiar estas iniciativas do Município de Oeiras, tem alguns “reparos” a fazer: “Eu vim de Uber, mas há muita gente que não tem dinheiro e precisa de transporte para este tipo de encontros”, bem como o facto de a iniciativa ter sido publicitada nos meios digitais, quando “há muita gente com 90 anos que gostaria de ter vindo, mas não sabe mexer em computadores, nem tem mobilidade suficiente e foram obrigados a ficarem em casa”, concretiza.
Apesar das chamadas de atenção, Dona Carla enaltece estas iniciativas, que “fazem muito bem à comunidade e ajudam os seniores a terem uma vida mais preenchida”, conclui.
Música, dança e momentos de partilha, o “Baile dos Afetos” assinala a importância do afeto, da amizade e da participação social como pilares fundamentais para o bem-estar e qualidade de vida da população sénior.
Solidariedade e afeto na comunidade
Dirigindo-se aos participantes, a vereadora Teresa Bacelar, que tem os pelouros do Desenvolvimento Social e Saúde, Gestão do Parque Habitacional e Responsabilidade Social, salientou que, nos “tempos estranhos que estamos a viver”, estas iniciativas ganham um novo sentido e o propósito maior de fazerem sobressair a “amizade entre as pessoas, a importância da empatia e da solidariedade, do afeto e do amor” entre a comunidade.
Teresa Bacelar aproveitou para ilustrar o “exemplo de Oeiras” como município que eleva ao expoente máximo o espírito de solidariedade e de amor ao próximo, neste caso aos municípios mais afetados pelas tempestades que ocorreram nas últimas semanas. “A Câmara de Oeiras é realmente um exemplo de solidariedade. Foram enviados vários camiões com tijolos e cimento, mas acima de tudo com pessoas para trabalharem na reconstrução dos concelhos de Pombal, Marinha Grande e Figueiró dos Vinhos”.
Em declarações ao nosso jornal, a autarca saliente que, embora Oeiras “seja um Município tecnológico, dedicado à inovação”, aderiu ao movimento “Cidades do Afetos” por ter no seu ADN “um extraordinário espírito de pertença e de comunidade”, de vizinhança e de pertença a um espaço comum que “é diferente” e que “só existe em Oeiras”.
A vereadora sustenta que, ao abrigo deste espírito de comunidade, a CMO não esquece as necessidades dos mais idosos, promovendo o envelhecimento ativo, com aulas de ginástica, passeios, idas a espaços de cultura, turismo sénior, “para tirar as pessoas de casa, para terem uma nova vida depois de se aposentarem”.




