Portugal continental vai começar a sentir no sábado de manhã os efeitos da depressão Marta, que traz chuva, neve, vento e agitação marítima e uma nova subida dos caudais dos rios e ribeiras a sul do rio Tejo. A Embaixada do Japão aconselha algumas medidas práticas para a população enfrentar as cheias.
Depois das depressões Ingrid, Joseph, Kristin e Leonardo, que semearam um rasto de destruição à sua passagem pelo país, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê uma nova tempestade para este fim de semana.
De acordo com IPMA, os efeitos da depressão vão começar a ser sentidos na região Sul, em especial no litoral, na manhã de sábado, “com precipitação persistente e por vezes forte e com rajadas de vento da ordem de 100 km/h e de 120 km/h nas serras”.
“Prevê-se que os maiores valores acumulados de precipitação ocorram a sul do rio Tejo, incluindo a região da grande Lisboa, sendo mais prováveis no Alentejo e nas serras algarvias”, refere o IPMA.
A mesma entidade sublinha ainda que a agitação marítima irá manter-se forte durante este período, prevendo-se ondas do quadrante oeste até sete metros de altura significativa na costa ocidental, em especial a sul do Cabo Carvoeiro, podendo atingir 13 metros de altura máxima, sendo ondas até cinco metros de sudoeste na costa sul do Algarve.
Toda a linha costeira de Portugal continental está sob aviso laranja de agitação marítima pelo menos até sábado, aconselhando-se cuidados redobrados e o evitar de atividades junto à costa.
Embaixada do Japão em Portugal partilha recomendações de segurança
A Embaixada do Japão em Portugal alertou para a manutenção da previsão de condições meteorológicas adversas nos próximos dias, com alerta máximo, e partilhou um conjunto de recomendações de segurança para situações de tempestades e cheias. Com base na experiência do Japão enquanto país frequentemente afetado por desastres naturais, a representação diplomática divulgou nas redes sociais conselhos práticos destinados a reduzir riscos em caso de inundações.
Entre as recomendações, a Embaixada nipónica destaca a escolha do calçado adequado, aconselhando o uso de ténis bem ajustados em vez de galochas. Apesar de parecer contraditório, as botas podem tornar-se perigosas se a água entrar, tornando-as pesadas e dificultando a mobilidade em situações de emergência.
Outra orientação refere-se ao nível da água como critério de segurança. Segundo a regra indicada, a evacuação deve ocorrer antes de a água atingir o nível do joelho, uma vez que, a partir dessa altura, a pressão da corrente torna quase impossível caminhar. Caso a água suba rapidamente dentro de casa, a recomendação é não sair e procurar refúgio num piso superior, numa estratégia de evacuação vertical.
A Embaixada aconselha ainda o uso de um “apoio” ao atravessar zonas inundadas, recorrendo a um cabo de vassoura ou guarda-chuva para sondar o chão. As cheias podem deslocar tampas de esgotos, que ficam invisíveis sob a água, representando armadilhas perigosas.
É também deixado um alerta específico aos condutores, lembrando que apenas 30 centímetros de água em movimento podem arrastar a maioria dos automóveis. Perante estradas inundadas, a recomendação é clara: não arriscar e voltar para trás.
Balanço de 12 mortos
Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
As tempestades deixaram parte do país praticamente destruído, “arrastando” à sua passagem casas, empresas, pontes e estradas, obrigando ao fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, ao corte de energia, água e comunicações. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Foto de capa: IPMA



