Fundição de Oeiras vai dar lugar a megaempreendimento imobiliário

Foi ontem tornado público o megaempreendimento previsto para antiga Fundição de Oeiras. Habitação, uma residência de estudantes, um hotel, comércio e serviços, são algumas das valências prevista para o espaço. O promotor revela que o Município de Oeiras “impôs” a obrigatoriedade de o projeto ter uma forte componente de espaço público.

A Fundição de Oeiras é um espaço com décadas de história ligada à atividade industrial do concelho. Abandonada há décadas, a sua reconversão tem sido aguardada com grande expectativa pela comunidade.

Ao que parece, a antiga fábrica metalúrgica vai conhecer um novo destino. A Câmara Municipal de Oeiras abriu hoje o processo de consulta pública do Pedido de Informação Previa (PIP) de Operação de Loteamento da Fundição de Oeiras. A consulta é referente a uma zona industrial devoluta na sua quase totalidade, muito degradada e sem vivências, com aproximadamente 8,3Ha, numa área marcada pela expressão física dos armazéns que confrontam com a linha de caminho-de-ferro.

A sessão de apresentação pública decorreu ontem num dos armazéns da Fundição de Oeiras. Numa curta intervenção, o vice-presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Francisco Rocha Goncalves, considerou que a antiga fábrica de metalurgia é hoje um espaço obsoleto e fechado à população, cuja proposta do PIP tem inerente a definição de uma solução urbanística regeneradora do local, impulsionadora e geradora de nova centralidade.

O autarca reforçou que o megaempreendimento que vai nascer na antiga fábrica “vai fazer cidade” num lugar icónico do concelho de Oeiras, mas que estava abandonado e em “fase de estudo” no Município há mais de três décadas, dando lugar a um espaço onde todos os edifícios coexistirão ligados por praças, jardins, alamedas e percursos de mobilidade suave.

Francisco Rocha Gonçalves fez questão de referir que a requalificação do local tem inerente uma profunda reformulação do cenário atual, prevendo a demolição da quase globalidade dos edifícios industriais existentes, e a reposição, em lugar de destaque, dos painéis de azulejos decorativos existentes, uma vez que apresentam um valor patrimonial assinalável e que já despertou o interesse e a “cobiça” do Museu Nacional do Azulejo, mas irão permanecer na posse da CMO.


Negociação durou 5 anos

Por seu turno, o diretor municipal do Urbanismo de Oeiras, o arquiteto Baptista Fernandes, lembrou que o projeto esteve sob análise “durante mais de 30 anos”, mas que em boa hora se chegou a uma solução de compromisso entre a autarquia e o promotor para reconverter um histórico equipamento industrial num projeto de “cidade moderna”.

Baptista Fernandes recordou que, por exemplo, foi necessário inviabilizar a construção de um parque de estacionamento de grande escala no empreendimento, pois esta oferta iria promover o transporte individual, quando aquilo se pretende é o oposto: a utilização de transportes públicos coletivos numa área já de si de alta densidade rodoviária.

O recinto da antiga Fundição de Oeiras vai dar lugar a um megaprojeto imobiliário que prevê a construção de uma torre de apartamentos, uma universidade, uma residência de estudantes, um hotel, comércio “com escala”, serviços, equipamentos coletivos e industriais, através da manutenção da atividade das oficinas da CP, a relocalizar no extremo poente da área.

O projeto esteve a ser analisado e trabalhado pela promotora e a Câmara de Oeiras durante 5 anos e prevê um investimento de cerca de 250 milhões de euros.

Vão ser construídos 17 lotes, num total de 600 fogos, com capacidade para albergar quase três milhares de pessoas, um hotel com 105 camas, uma residência para acolher 135 estudantes, um edifício alocado a uma universidade, três grandes áreas verdes, praças, um jardim suspenso, um centro de indústrias criativas, entre outras valências.

Uma cidade “aberta à comunidade”  

O arquiteto Miguel Saraiva, responsável pela obra, da responsabilidade da promotora Efeito Previsto, anotou que a Câmara de Oeiras “impôs a construção de espaço público” dentro do empreendimento, mas também a construção de três novas rotundas “para tornar a mobilidade mais fluída” num eixo rodoviário de alta densidade. O objetivo, assinala o arquiteto do projeto, passa por converter o empreendimento num local aberto à comunidade. Um empreendimento onde os munícipes e os utilizadores dos vários equipamentos passem a ter à sua disposição “uma nova cidade”, com espaços partilhados por todos e sem “muros” a fechar o megaempreendimento sobre si próprio.

A este propósito, o responsável adiantou que o promotor pretende criar uma grande praça central, com 200 metros de comprimento por 60 de largura, “uma praça de braços abertos” para a comunidade, que servirá de ponto de encontro e confluência entre os “residentes” e os cidadãos que não têm ligação ao espaço.

Segundo o arquiteto, o projeto foi pensado para edificar um empreendimento baseado no conceito dos “15 minutos a pé”, ou seja, comportará habitação, serviços e comércio, com o objetivo de converter a antiga Fundição num espaço que trará uma nova centralidade a Oeiras, ligando, também, este novo núcleo urbano ao centro histórico da vila de Oeiras, através de ciclovias e zonas pedonais.

Nova centralidade urbana     

A operação de loteamento aposta numa nova centralidade, pela previsão de novas acessibilidades, de espaço urbano qualificado, com amplas áreas públicas e uma diversidade funcional como motores de atratividade socioeconómica, “pretendendo conferir a este território uma marca de referência e identidade territorial”.

“Estamos a criar uma centralidade equilibrada, um novo bairro, completo, sustentável. Este bairro será o lugar onde a vida se expande”, resumiu.

A Câmara de Oeiras e o promotor concordaram em dinamizar culturalmente o empreendimento, quer através da valorização dos painéis que já estão no edifício-sede, mas também na criação de um mural de arte urbana a levar a cabo no paredão do complexo.

Quando a obra avançar, o promotor compromete-se a fazer descontaminação dos solos e a cumprir “todos os parâmetros ambientais e de sustentabilidade” do projeto.

 

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