A Proteção Civil acionou o Plano Nacional de Emergência e o Governo prolongou o estado de calamidade durante mais uma semana, com 14 distritos de Portugal Continental com aviso laranja. A região de Lisboa integra este quadro. A CML emitiu uma série de recomendações à população para prevenir riscos decorrentes da persistência do mau tempo.
A Proteção Civil ativou este domingo o Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil para todo o país, devido aos estragos causados pela tempestade Kristin e à previsão de continuação de mau tempo durante pelo menos mais uma semana.
A decisão foi tomada, por unanimidade, na primeira reunião extraordinária de 2026 da Comissão Nacional de Proteção Civil (CNPC), a que presidiu a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, segundo o comunicado da CNPC.
O estado de calamidade, decretado na semana passada, foi prolongado até ao dia oito de fevereiro, na reunião extraordinária do Conselho de Ministros.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou 14 distritos do continente sob aviso por causa da chuva por vezes forte, vento e agitação marítima, designadamente na Área Metropolitana de Lisboa (AML), em Lisboa e Setúbal, mas também Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Guarda, Leiria, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.
Ligações a Lisboa por barco estão a ser afetadas
As ligações fluviais da Transtejo, entre os distritos de Setúbal e Lisboa, estavam hoje, pelas 06:30, a sofrer atrasos e algumas supressões entre Cacilhas e o Cais do Sodré devido às condições meteorológicas e de mar adversas.
A Transtejo informou que hoje de manhã pelo menos duas ligações foram suprimidas entre Cacilhas e o Cais do Sodré e outras ligações estão com atrasos.
A empresa revela que por motivo de constrangimentos operacionais decorrentes das condições meteorológicas e de mar, “não é possível garantir a realização de todas as carreiras previstas” nas ligações Trafaria-Porto Brandão-Belém e Cacilhas-Cais do Sodré.
“Com o objetivo de minimizar o impacto de supressões e atrasos de carreiras, alguns navios iniciam viagem logo que seja alcançada a lotação máxima de passageiros embarcados, independentemente do horário previsto”, refere a empresa, numa nota publicada às 06:05.
A Transtejo é responsável pelas ligações do Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão, no distrito de Setúbal, a Lisboa.
As ligações fluviais já tinham sido afetadas na semana passada devido à passagem da depressão Kristin.
CML emite recomendações de segurança e autoproteção
A prevenção é fundamental para reduzir os impactos de fenómenos meteorológicos extremos, como precipitação intensa, ventos fortes ou trovoadas.
Face às condições meteorológicas adversas previstas, a Câmara Municipal de Lisboa, num comunicado publicado na página do Município, emitiu uma série de recomendações essenciais de segurança e autoproteção da população, lembrando que o seu cumprimento “ajuda a reduzir riscos, evitar deslocações desnecessárias e proteger pessoas e bens”.
Na mobilidade e circulação, a autarquia recomenda que se evitem deslocações desnecessárias. “Se tiver de conduzir ou circular a pé, reduza a velocidade e nunca atravesse zonas inundadas. Mantenha uma distância de segurança de zonas arborizadas, estruturas instáveis, painéis publicitários e zonas costeiras expostas. No caso de viaturas, evite estacionar junto ou debaixo de árvores. Informe-se sobre os condicionamentos de circulação”.
Na proteção da habitação e bens, a CML solicita a limpeza e desobstrução dos sistemas de escoamento (algerozes, ralos e sarjetas), mas também a recolha ou fixação adequada de objetos no exterior (vasos, cadeiras, toldos ou outros elementos soltos).
Em edifícios em obras ou com coberturas provisórias, “acautele a colocação de lonas devidamente fixas. Em zonas historicamente sujeitas a cheias, retire bens de valor de caves e pisos baixos. Em casos de coberturas do edifício em obras, acautele previamente a colocação de lonas bem fixas. Verifique o seu seguro de habitação e respetivas coberturas”.
Durante períodos de trovoada ou vento extremo, “evite atividades ao ar livre e não permaneça debaixo de árvores ou estruturas altas isoladas. Desligue aparelhos elétricos não essenciais para prevenir danos causados por picos de tensão”.
A CML pede também tenção especial ao resguardo e segurança dos animais de estimação, pedindo que permaneçam num local seguro, seco e devidamente abrigado.
O que fazer: antes, durante e depois
No mesmo sentido, a CML emite recomendações para prevenir situações de risco. Na habitação, aconselha a limpeza de algerozes e ralos para evitar acumulação de água. Nas viaturas, a verificação do estado dos pneus, travões e escovas limpa-para-brisas, mantendo o depósito com combustível suficiente.
“Prepare uma mochila com lanterna, pilhas, rádio, água, alimentos em conserva e medicamentos essenciais. Tenha uma reserva de água potável extra-kit de emergência”, recomenda a autarquia.
Como atuar no caso de as condições meteorológicas adversas se agravarem: “fique em casa, evite deslocações desnecessárias. Se estiver na rua, procure abrigo seguro. Afaste-se do perigo: mantenha distância de árvores, postes de eletricidade e estruturas degradadas”.
Se estiver a conduzir, em caso de visibilidade reduzida ou vento forte, “pare o veículo num local seguro, longe de árvores ou encostas”.
Recuperação e Saúde
Se houve cortes de energia prolongados, “verifique o estado dos alimentos. Deite fora alimentos com cheiro ou cor estranha. Um frigorífico fechado mantém a temperatura por cerca de 12h”.
No que diz respeito ao consumo de água, “se notar alteração na cor ou sabor da água da rede, opte por água engarrafada ou ferva antes de consumir”.



