Portugal depende em 85% das importações para suprir o consumo de leguminosas secas, apesar de estas serem fundamentais para a saúde pública, sustentabilidade dos sistemas alimentares e segurança alimentar do país, alertou a ProVeg Portugal no Dia Mundial das Leguminosas, celebrado a 10 de fevereiro de 2026.
A organização sem fins lucrativos sublinha que a o aumento do consumo e da produção nacional destes alimentos é fundamental para tornar o sistema alimentar mais resiliente face à instabilidade climática e geopolítica. A produção interna representa apenas 15% do total consumido, valor que tem vindo a crescer lentamente, mas que mantém a dependência externa como uma vulnerabilidade.
“As leguminosas são um alimento bastante nutritivo, que alia a sua riqueza proteica ao excelente teor em fibra. São também fontes importantes de vitaminas e minerais, como vitaminas do complexo B, cálcio, ferro, fósforo, magnésio e potássio”, explicou Adriana Sousa, nutricionista da ProVeg Portugal. Segundo a especialista, o consumo regular destes alimentos contribui para a manutenção da saúde e para a prevenção de várias doenças crónicas, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro.
A Roda da Alimentação Mediterrânica recomenda o consumo diário de uma a duas porções de leguminosas, correspondendo a cerca de 80 gramas cozinhadas por porção. Em Portugal, feijão e grão-de-bico predominam na alimentação, preservando um legado gastronómico que alia tradição, benefícios nutricionais e impacto ambiental positivo. Além disso, as leguminosas representam uma fonte proteica acessível e económica para as famílias portuguesas.
Para além dos benefícios na saúde, as leguminosas desempenham um papel crucial na agricultura sustentável. “Num cenário em que mais de 30% dos solos a nível mundial sofrem degradação, erosão, perda de nutrientes e poluição, e em que a população global deverá atingir 9,7 mil milhões de pessoas até 2050, a adoção de sistemas alimentares mais resilientes é urgente”, afirmou Joana Oliveira, diretora da ProVeg Portugal.
As culturas leguminosas contribuem para a fertilidade dos solos através da fixação do azoto atmosférico, reduzindo a necessidade de fertilizantes sintéticos, diminuindo as emissões de gases com efeito de estufa e aumentando a retenção de água e matéria orgânica nos solos. Estes processos representam uma poupança económica para os agricultores, com menos custos em fertilizantes e maior rendimento agrícola.
Em 2025, a ProVeg Portugal criou o Grupo Colaborativo da Estratégia Nacional pela Proteína Vegetal, que atualmente reúne mais de 64 entidades de vários setores, incluindo produtores, empresas, ONGs e academia. Esta iniciativa apresentou ao Governo uma proposta para desenvolver uma estratégia nacional que promova a produção e o consumo de proteína vegetal, com foco nas leguminosas, e alinhada com o Plano Nacional Energia e Clima 2030.
A proposta inclui nove medidas estruturais definidas por co-criação e consenso, entre elas a redução do IVA das leguminosas – que foi discutida e rejeitada em Assembleia – e o reforço do apoio técnico aos agricultores. A iniciativa está aberta à adesão de todas as organizações que operem em Portugal.



