Avenidas Novas celebrou mulheres ilustres da freguesia

A Junta de Freguesia das Avenidas Novas (JFAN) homenageou, no Dia da Mulher, nove personalidades femininas que se destacaram em diversas áreas. A cerimónia decorreu no auditório da Ordem dos Contabilistas Certificados e teve também como objetivo lembrar e celebrar a luta das mulheres por direitos e oportunidades iguais. 

No Dia da Mulher, que se celebra anualmente a 8 de Março, a Junta de Freguesia das Avenidas Novas (JFAN) homenageou nove senhoras, que se destacaram em diversas áreas. No auditório da Ordem dos Contabilistas Certificados, espaço que acolheu a cerimónia, o presidente da JFAN, Daniel Gonçalves, começou por afirmar que o dia 8 de Março é uma data que “convoca-nos à reflexão, à gratidão e, sobretudo, à celebração. Celebramos força, a coragem e a sensibilidade das mulheres. A todas agradeço-lhes por existirem, por resistirem e por existirem. As mulheres presentes são a face visível de milhares de outras que não estão neste auditório, mas que vivem em cada rua, em cada escola, em cada empresa, em cada casa da nossa freguesia, da nossa cidade e do nosso país e de todo o mundo”.

De igual forma, Daniel Gonçalves reforçou também que esta cerimónia pretende ainda celebrar todas as mulheres “que chegaram antes e abriram caminho, para que as mulheres de hoje carreguem a responsabilidade de não deixar que esse caminho se feche”. “Não estamos aqui apenas para oferecer palavras e aplausos. Estamos aqui para assumir um compromisso”, vincou ainda o autarca das Avenidas Novas, lembrando ainda que, apesar das conquistas das mulheres, nos últimos anos, “ainda existe desigualdade salarial, violência, discriminação e silenciamento. Por isso, esta homenagem é, também, unida à coragem política e humana”. Daniel Gonçalves defende que os direitos das mulheres não se fazem “com discursos políticos”, mas sim “com mudanças concretas”. “Cada rapariga deve crescer a saber que o seu sonho não tem tempo, não tem limite, não tem valor”, acrescentou o presidente da JFAN, num discurso emocionado, e que lhe valeu os aplausos da plateia, esmagadoramente feminina.

Junta das Avenidas Novas quer promover a igualdade de género

O autarca sublinhou ainda que as mulheres, muitas vezes, têm “histórias de sacrifício e de trabalho invisível, de jornadas duplas e triplas, de noites mal dormidas e de histórias difíceis”, mas que não as impede de terem “conquistas, projetos, liderança, criatividade”, bem como de estarem ligadas a áreas como “a ciência, cultura, associativismo, ou o voluntariado”. “Muitas vezes, engolem o choro para seguir em frente e ainda encontram forças para cuidar dos outros”, disse ainda, acrescentando que, as mulheres, “carregam culpas que não são delas, e têm expectativas que ninguém teria se fossem homens. Sei que muitas vezes ouvem ‘não consegues’ ou ‘isso não é para ti, não é coisa de mulher’”. Por isso, e como forma de homenagem esta força, a JFAN decidiu homenagear as mulheres, através destes nove exemplos “que provam o contrário”.

“Quero ser vosso aliado. Um aliado não aparece só no dia 8 de Março. Está presente todo o ano e não se limita a fotografias e eventos”, disse ainda o presidente da Junta das Avenidas Novas, assumindo o compromisso de incluir “mais mulheres nas decisões da freguesia”, bem como a dar mais “apoio às vítimas de violência e a fomentar a conciliação entre a vida pessoal e profissional”, permitindo criar “mais espaço para a voz feminina em todas as esferas”. Daniel Gonçalves agradeceu a todas as homenageadas por terem aceite o convite desta autarquia, porque “porque não é a JFAN que vos faz um favor ao homenagear-vos: são vocês que nos fazem um favor ao aceitar esta homenagem. Ao estarem aqui, emprestam o vosso nome, a vossa história e o vosso rosto a tantas mulheres que hoje não puderam ou não quiseram estar, mas que merecem exatamente o mesmo reconhecimento”.

“Queremos ser território de dignidade”, salienta Daniel Gonçalves

Ainda de acordo com o autarca, o “Dia da Mulher não é um dia delas: é um dia dos homens. Não para ocupar o lugar das mulheres, mas para assumir a parte da responsabilidade que nos cabe. É nosso dever desconstruir preconceitos, questionar comportamentos, educar os nossos filhos e filhas na igualdade, denunciar a violência e o abuso, recusar piadas e atitudes que diminuem ou desumanizam. A igualdade não é uma ameaça. É a condição de uma sociedade mais justa e mais feliz para todos. Avenidas Novas é uma freguesia moderna, dinâmica e exigente. Queremos também que seja uma freguesia profundamente humana, onde nenhuma mulher se sinta sozinha, descartada e invisível. Queremos ser território de dignidade”.

Por isso, reforçou o autarca, a JFAN quer promover “iniciativas em que se reforcem os direitos à proteção e à visibilidade das mulheres”, mas também perrmitir que “a igualdade não seja apenas uma palavra bonita em documentos oficiais. A vossa voz é necessária, urgente e necessitada. Espero que possa um dia olhar para trás e dizer que foi difícil, mas conseguimos, porque houve uma comunidade que acreditou nelas”, concluíu Daniel Gonçalves.

Distinguidas mulheres de destaque no Desporto

As homenagens começaram com a equipa Dragões Fantásticos, uma equipa de futsal feminina sediada na freguesia e que tem como objetivo fomentar a inclusão social e a competitividade saudável. Foi a única equipa de futsal feminino da cidade de Lisboa a ser apurada para a distrital. A distinção foi entregue à capitã da equipa, Isabela Cabeça, que salientou apenas “que este tipo de eventos é muito importante” para enaltecer a igualdade de género e as competências das mulheres. Ainda no Desporto, a JFAN distinguiu também Marlene Teixeira de Sousa, que ao longo dos últimos anos, se tem vindo a destacar no Hóquei em Patins. Ao longo da sua carreira, já conquistou 29 títulos, sendo um deles a conquista da Liga Europeia de Hóquei em Patins, em 2015.

Marlene, natural de Oliveira de Azeméis, mas já há alguns anos a residir nas Avenidas Novas, referiu que “é uma honra estar aqui e ser reconhecida por esta freguesia. Ouvi muitas vezes dizerem-me para desistir desta modalidade, que não era para mim. Seria fácil desistir, se tivesse dado ouvidos a estes comentários, mas também quando tive treinos às dez da noite, e quando os tive de concliar com a vida académica”, lembrou aqui a hoquista, para quem “ser mulher é ser incrível, e é importante deixar um legado”. A terceira homenageada desta cerimónia foi Arminda Carvalho, presidente da direção da Associação para o Desenvolvimento e Apoio Social do Bairro do Rego (ADAS-BR), uma instituição que presta apoio à população sénior daquele bairro.

Áreas social e cultural também mereceram destaque

“Sou uma mulher comum, que tem travado as suas batalhas como qualquer pessoa. Enquanto aqui estiver, estou sempre a aprender”, disse a dirigente, que se considera uma “curiosa”. “Sou simples e aprecio as coisas simples da vida. Cresci rodeada de amor, e é este amor que coloco em tudo o que faço na vida”, prosseguiu Arminda, lembrando que, “desde muito cedo” sentiu “uma enorme vontade de trabalhar para os outros”, até porque ainda existe “muito individualismo no mundo”. Agradecendo a todas as mulheres da ADAS-BR, Arminda reforçou que “quando existe entreajuda e respeito, criamos um lugar onde as pessoas pertencem”. Já na Cultura, a JFAN distinguiu a escritora Maria João Rego, que tem vários livros publicados sobre a história de Lisboa e da freguesia das Avenidas Novas.

A escritora, natural das Avenidas Novas, destacou, no seu discurso, o trabalho do autarca Daniel Gonçalves nesta freguesia ao longo dos últimos anos. “Foi aqui que aprendi o valor da Cultura e o meu coração diz que sou das Avenidas Novas. O Dia da Mulher é um dia que me faz pensar no que hoje posso fazer e que antigamente não era possível. Havia gerações, antes da minha, que não tinham liberdade e não podiam escrever o que queriam e tinham de recorrer a pseudónimos”, lembrou a escritora.

Freguesia também não esqueceu quem se dedicou à política

Na área política, a JFAN distingui também Maria Celeste Correia, professora e ex-deputada à Assembleia da República, tendo-se também destacado na vida política das Avenidas Novas enquanto eleita desta freguesia. Não podendo estar presente na cerimónia, a distinção foi entregue à sua filha, Carla, que lembrou o papel “muito importante” da mãe “na defesa das minorias”.

“A minha mãe sempre foi uma pessoa solidária e com empatia pelos outros”, lembrou. A sexta homenageada desta cerimónia foi Dulce Roselló, residente nas Avenidas Novas desde 1977. Esta distinguida, atualmente com 99 anos de vida, destacou-se na área da estética e da beleza, tendo fundado a Thalgo, uma marca de cosméticos conceituada. “Estou muito sensibilizada com esta homenagem. O meu lema de vida, desde os 83 anos, é envelhecer aprendendo e todos os dias estou a aprender. Acredito que ainda posso colaborar muito com esta freguesia”, concluiu.

Já Dulce Rebelo, com 100 anos de idade, foi outra das homenageadas. Dulce distinguiu-se na investigação cientifica e ainda por ter sido co-fundadora do Movimento Democrático das Mulheres, em 1969. Nas últimas eleições, foi candidata nas listas da CDU à Junta das Avenidas Novas. “Esta homenagem é o símbolo da nossa luta”, referiu a homenageada. A título póstumo, a JFAN atribuiu ainda uma distinção à atriz Maria José Basto, falecida em 2020. Em mais de 80 anos de carreira, a malograda artista participou em inúmeras peças de teatro, filmes e telenovelas. A distinção foi entregue à filha da atriz, a artista Rita Ribeiro, que não sabia que a sua mãe iria ser homenageada. “Foi uma agradável surpresa”, disse, reforçando que “esta iniciativa é importante para dar voz às mulheres, porque há muitas que ainda vivem oprimidas”.

Antiga primeira-dama Manuela Ramalho Eanes e a comandante da 31ª Esquadra da PSP foram outras das homenageadas

Por fim, a última homenageada desta cerimónia foi a antiga primeira-dama Manuela Ramalho Eanes, que não pôde estar presente neste evento. Ligada às causas sociais, Manuela Ramalho Eanes foi fundadora do Instituto de Apoio à Criança (IAC), sediada na Avenida da República desde 2019. Esta instituição promove e defende, desde 1983, os direitos das crianças em risco. A antiga primeira-dama, apesar de não ter estado presente neste evento, deixou uma mensagem que foi partilhada com todos os presentes. Na mesma, sublinha o trabalho de Daniel Gonçalves, que “trabalha para o bem comum, em diversas áreas. É um exemplo de sucesso autárquico”.

Ainda nesta missiva, Manuela Ramalho Eanes agradeceu todo o apoio da JFAN dado ao IAC, uma instituição que “começou a trabalhar nos direitos das crianças ainda antes da Convenção sobre os Direitos da Criança”, adoptada pela ONU em 1989 e por Portugal em 1990. No final da cerimónia, e antes do momento musical, que ficou a cargo da artista Rita Ribeiro, Daniel Gonçalves fez questão de chamar ao palco a comandante da 31ª Esquadra de Lisboa, Anabela Campos. Lembrando que a segurança é uma das áreas prioritárias do atual executivo, o autarca parabenizou o trabalho desta esquadra na proteção do território, aproveitando ainda para pedir que “haja mais vigilância nas ruas”.

Por sua vez, e após agradecer a distinção, Anabela Campos lembrou que o seu caminho foi construído com base em ter ouvido “muitos nãos”, muitos deles vindos de pessoas próximas e que desvalorizavam que pudesse ter sucesso na carreira policial. “Quero trabalhar para que todos possam andar na rua e que possam ter uma vida boa e em segurança. Podem sempre contar comigo e com a PSP”, disse.

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