Maria José Nogueira Pinto tem nome e memorial em rua de Lisboa

Com a atribuição do seu nome a uma rua, e a instalação de um monumento, no dia em que faria 74 anos, 23 de março, Lisboa presta homenagem a uma mulher “profundamente humanista e de compromissos inabaláveis”. O Município havia aprovado por unanimidade a atribuição do topónimo “Maria José Nogueira Pinto” à “Rua B ao Braço de Prata”.

Na cerimónia de inauguração, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas lembrou o “espírito de aventura, a coragem e a coerência nas ideias e nas convicções” de Maria José Nogueira Pinto. Com “uma vida estritamente medida por padrões hedonistas”, vincou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Maria José Nogueira Pinto “desafiou o conforto e o previsível”, pondo-se à prova e permitindo-se “ser exatamente aquilo que era, cumprindo exatamente a sua essência”.

Antiga vereadora da CML, deputada, e líder parlamentar do CDS-PP, Maria José Nogueira Pinto “sempre mostrou a coragem de cumprir o que para ela era um dever: não ignorar o que via, ouvia e lia”, afirmou Carlos Moedas. “Levou essa coragem para a política, para o apoio aos meus frágeis, nas muitas mudanças da sua vida”.

Na sua “experiência como refugiada na África do Sul, em que tinha de estar na fila para comer”, acrescentou o autarca, “mesmo nesta posição de fragilidade, mantinha a sua dignidade”, que fez questão de sublinhar.

Na cerimónia, realizada no dia 23 de março, no dia em que faria 74 anos – com a presença do marido, Jaime Nogueira Pinto, irmãs e filhos –, o presidente da CML prestou homenagem, em nome da cidade de Lisboa, a alguém que “nasceu, viveu e morreu tendo sido posta à prova. Hoje, homenageamo-la exatamente assim”.

Nascida em Lisboa, a 23 de março de 1952, Maria José Pinto da Cunha de Avillez Nogueira Pinto morreu a 6 de julho de 2011, com 59 anos.

“Centrista” ocupou vários cargos públicos

Entre os vários cargos públicos, destaca-se o de Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, presidente da Maternidade Alfredo da Costa, vereadora na Câmara Municipal de Lisboa, onde chefiou o Comissariado para a Baixa-Chiado. Em 1997, foi a primeira mulher em Portugal a liderar uma bancada parlamentar na Assembleia da República: do CDS-PP. Foi, ainda, colunista dos jornais Expresso, Público, A Capital e Diário Económico.

Em 1998, foi agraciada com o grau de Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique; em 1999 com o grau de Grande-Oficial da Ordem de Rio Branco do Brasil, e a título póstumo, a 6 de julho de 2022 com o grau de Grã–Cruz da Ordem do Mérito de Portugal.
Uma escultura de Rui Sanches (deslocada para o jardim em Braço de Prata, próximo do arruamento onde foi homenageada), presta também homenagem à antiga vereadora da Habitação Social de Lisboa.

Fotos: CMLisboa/Daniela

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