Seis chefes de Estado e 600 convidados na tomada de posse de Seguro

Cerca de 600 convidados e seis chefes de Estado, entre eles o Rei de Espanha, Filipe VI, estiveram na tomada de posse de António José Seguro. O momento reuniu em Lisboa a maioria dos países de língua oficial portuguesa a quem Seguro propõe uma diplomacia lusófona. António José Seguro recordou as palavras de Jorge de Sena e afirmou que “Portugal é feito dos que partem e dos que ficam”. O novo Presidente da República recorreu também a Camões para dizer: “As coisas árduas e lustrosas alcançam-se com trabalho e com fadiga”.

Portugal tem um novo Presidente da República. António José Seguro tomou, esta segunda-feira, dia 9 de março, posse como chefe de Estado, o 21º Presidente da República Portuguesa, sucedendo a Marcelo Rebelo de Sousa.

No discurso da tomada de posse, António José Seguro prometeu estancar o frenesim eleitoral. Acredita que as legislaturas são para cumprir. Mas também disse que a estabilidade é importante, mas não é tudo.

No início do seu discurso de posse como Presidente da República, na Assembleia da República, António José Seguro saudou o parlamento português na pessoa do seu presidente, José Pedro Aguiar-Branco, e expressou “respeito democrático pela expressão popular do povo português aqui representada na sua pluralidade”.

António José Seguro começa por agradecer a confiança todos os portugueses, em Portugal e no estrangeiro. “Como escreveu Jorge de Sena, Portugal é feito dos que partem e dos que ficam, sentimento que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tão bem interpretou quando, inovando, decidiu realizar as comemorações em território nacional e na diáspora”, afirma o novo chefe de Estado, num elogio ao seu antecessor.

“Na hora em que cessa funções como Presidente da República, quero dirigir-lhe uma palavra de gratidão pela sua dedicação a Portugal e à defesa do interesse nacional. Qualquer que seja o balanço que cada um faz dos seus mandatos, ninguém pode negar-lhe o amor a Portugal”, refere Seguro, dirigindo-se a Marcelo.

O novo chefe de Estado anunciou depois a condecoração a Marcelo Rebelo de Sousa com o grau mais alto da Ordem da Liberdade, o Grão Colar da Ordem da Liberdade, em cerimónia que ocorreu esta segunda-feira.

Por seu turno, o presidente da Assembleia da República, Aguiar Branco, pediu “mais consensos e menos conflitos”, o que tem sido um apelo recorrente do presidente da Assembleia da República.

Durante a cerimónia da tomada de posse do novo Presidente da República, José Pedro Aguiar-Branco voltou a sair em defesa da necessidade de consensos e pontes num Parlamento “fragmentado” e “polarizado”, apelando à estabilidade. E prometeu “lealdade” institucional ao recém-empossado chefe de Estado.

Partidos reagem

Os partidos já reagiram à tomada de posse e ao primeiro discurso de Seguro como Presidente da República. À direita, o discurso foi apreciado depois do novo chefe de Estado referir que a estabilidade é fundamental. A esquerda apela ao respeito pelo Direito Internacional e pede mais estabilidade para o país.

O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, prestou homenagem ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e manifestou apoio ao novo Presidente da República.

O social-democrata destacou o alinhamento do PSD com a visão de estabilidade política defendida pelo novo Presidente, salientando que a estabilidade é essencial para as transformações que o país necessita.

Ventura garante

André Ventura, candidato derrotado na segunda volta das presidenciais, garante que “trabalhará em conjunto” com o novo Presidente da República para assegurar a “estabilidade mínima possível”.

“Tudo farei, dentro daquilo que é a razoabilidade política e o equilíbrio político para dar ao país essa estabilidade”, disse o líder do Chega em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.

“Discordamos em quase tudo das posições do Presidente da República (…) porém António José Seguro venceu, e o que podemos esperar é que continuarei a fazer esse escrutínio político das posições tomadas pelo Presidente da República em muitas matérias (…), mas também sabermos trabalhar em áreas decisivas, como a saúde”.

CDS alinha na estabilidade e nas reformas

O líder do grupo parlamentar do CDS-PP elogiou o discurso de tomada de posse de António José Seguro, afirmando que o Presidente da República fez “uma análise realista à situação internacional” e à “situação nacional”. Paulo Núncio reitera ainda necessidade de estabilidade política mencionada por Seguro.

“Gostaria de destacar esta posição que confirma, no fundo, aquilo que o senhor Presidente da República, que tomou posse hoje, disse na campanha eleitoral, que o país precisa de estabilidade, precisa de resultados, precisa de reformas e é para aí que o CDS alinhará”, afirma Paulo Núncio.

IL pede reformas

A líder da Iniciativa Liberal (IL) foi a primeira a reagir ao discurso de tomada de posse de António José Seguro. Mariana Leitão assegura “disponibilidade” e “compromisso” para “apresentar soluções para mudar o estado das coisas”.

Para tal, Mariana Leitão acrescentou que Seguro precisa de ter essa vontade, mostrando-se “impulsionador (…) e não uma força de bloqueio”.

“Sempre do lado da estabilidade”

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, o secretário-geral do Partido Socialista desejou “felicidades” a António José Seguro e deixou uma palavra de “gratidão” a Marcelo Rebelo de Sousa.

Questionado sobre como olha para a intenção do novo Presidente de não dissolver a Assembleia mesmo que não haja consenso no Orçamento, o líder socialista é cauteloso: “Estamos sempre do lado da estabilidade, mas essa estabilidade tem de corresponder aos objetivos do desenvolvimento nacional.”

PAN fala de estabilidade

A líder do PAN destacou a importância de um novo ciclo de estabilidade, tal como anunciado pelo novo Presidente, sublinhando que deve ser focado nos grandes desafios atuais, como a crise climática, a violência contra as mulheres e as crises sociais.

Inês Sousa Real elogiou a magistratura de Marcelo Rebelo de Sousa, reconhecendo a sua proximidade e respeito pelas instituições e apelou ao diálogo entre todas as forças políticas parlamentares, esperando que Luís Montenegro saiba ouvir as orientações presidenciais.

Livre “tudo fará para ser a base de apoio à estabilidade”

Rui Tavares, porta-voz do Livre, foi o segundo a reagir ao discurso de tomada de posse de António José Seguro.

O porta-voz destacou que o partido fará tudo para apoiar a estabilidade política, desde que esta defenda a democracia e a Constituição.

Tavares elogiou o discurso do novo Presidente pela ênfase na defesa da democracia e nos pilares das relações de Portugal com a Europa e a CPLP, sublinhando ainda o agradecimento a Marcelo Rebelo de Sousa e os votos de “sorte” a António José Seguro.

“Voltou o diagnóstico, mas faltaram soluções”

O secretário-geral do PCP afirmou acompanhar o “diagnóstico” feito por António José Seguro no seu discurso de tomada de posse quanto ao estado do país. Porém, Paulo Raimundo advoga que, apesar de “voltar o diagnóstico”, “não voltaram as soluções”.

“A resposta para os problemas que o país tem está na Constituição da República (…) como o senhor Presidente defendeu cumprir e fazer cumprir, estamos na expectativa que cumpra e faça cumprir”, afirmou Paulo Raimundo, referindo-se, de seguida, ao artigo do direito à habitação e ao artigo dos direitos dos jovens.

Na sua reação, Raimundo deixou ainda uma palavra de reconhecimento a Marcelo Rebelo de Sousa pelos “anos intensos de luta e de vida partidária”.

Pureza fala num país à espera de Seguro seja “totalmente firme”

O líder do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, reagiu ao discurso de tomada de posse de António José Seguro, sublinhando que espera do novo Presidente uma posição clara contra o pacote laboral e um compromisso em cumprir e fazer cumprir a Constituição.

Pureza elogiou ainda a menção de Seguro ao respeito pela Carta das Nações Unidas e à luta contra as desigualdades e a pobreza, destacando que estes serão os principais “testes” do mandato.

Quanto à estabilidade, o líder bloquista afirmou que esta “decorre da qualidade da vida das pessoas” e que “o resto é aritmética eleitoral”.

A cerimónia solene decorreu na Assembleia da República e contou com discursos do presidente do Parlamento, José-Pedro Aguiar-Branco, e do próprio Presidente da República, António José Seguro. O novo chefe de Estado passou, depois, pelo Mosteiro dos Jerónimos, e seguiu para um almoço no Palácio de Belém, cujos jardins foram abertos à população.

Ao longo do dia desta segunda-feira, esteve no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), para um encontro com jovens, e no Palácio Nacional da Ajuda, onde condecorou Marcelo Rebelo de Sousa.

Foto de capa: Presidência da República

 

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