Sérgio Godinho agraciado com Medalha de Mérito Cultural da Cidade de Lisboa

Aos 80 anos, Lisboa, a casa “adotiva” de Sérgio Godinho, atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Cultural da Cidade. O artista portuense, mas que já se considera “lisboeta”, reconheceu que “Lisboa foi um amor adquirido”, afirmou o músico na cerimónia de entrega da medalha, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

Na cerimónia, realizada no dia 12 de março, Sérgio Godinho não escondeu a sua ligação umbilical à cidade de Lisboa. “Posso dizer que realmente já me considero lisboeta”. Esta distinção de mérito cultural, reconheceu, “é-me particularmente grata, porque eu acho que a cultura perpassa tudo o que nós fazemos”.

Para Carlos Moedas, o músico que dedicou à canção “Lisboa que amanhece” à cidade onde vive há décadas, “é um dos maiores da nossa cultura, de toda a nossa cultura.

Segundo o autarca, o “exemplo” de Sérgio Godinho, “o que nos diz a sua vida, aquilo que o fez nunca ter medo de arriscar. Foi, desde o seu início, uma vida marcada por algo muito nobre no ser humano, a busca pela liberdade”.

Antes do 25 de Abril de 1974, num “país a preto e branco, cuja mentalidade era de não arriscar, de não inovar, de não provocar ondas, o Sérgio Godinho nunca foi assim, foi alguém que não teve medo de ir em busca do mundo. Nessa busca encontrou a liberdade (…) e acabaria por voltar precisamente para celebrar e ser parte da construção dessa liberdade no seu país”.

Exilado por recusar participar na guerra colonial

Sérgio Godinho nasceu a 31 de agosto de 1945, no Porto. Partiu de Portugal com 20 anos, “recusando fazer a guerra colonial. Saiu do país porque queria mais mundo. Regressou cantor, compositor, intérprete, ator, autor de bandas sonoras, realizador, argumentista”, sublinha a proposta de atribuição da medalha, aprovada em 2025 na Câmara Municipal de Lisboa.

Viveu em Genebra, Paris, Amesterdão, Brasil e Vancouver. O seu primeiro disco, “Os Sobreviventes”, foi gravado em França, em 1971, com músicos franceses e a colaboração de alguns músicos portugueses então exilados em Paris, como José Mário Branco e Luís Cília e Gravou, também no exílio, o álbum “Pré-Histórias”. Estes dois discos, premiados pela Casa da Imprensa, foram sucessivamente proibidos pela censura de então.

Regressou a Portugal após a Revolução do 25 de Abril de 1974, e teve um papel fundamental na música popular portuguesa e música de autor, trabalhando com José Afonso, Fausto, entre outros. Foi autor de algumas das canções “mais unanimemente aclamadas da música portuguesa e de uma beleza extraordinária”: “A Noite Passada”, “O Primeiro Dia”, “Com Um Brilhozinho Nos Olhos”, “Liberdade”, entre muitos outras canções que se converteram em hinos de várias gerações.

Foto: CMLisboa

 

 

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