O novo administrador da TML avançou que o foco desta empresa pública está na concretização de novo sistema integrado de transportes que irá revolucionar a mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa, respondendo à necessidade harmonizar a resposta, adotando um sistema holístico, que inclui as ligações entre os vários meios de transporte públicos dos vários territórios.
A Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) promoveu, no dia 19 de março, um encontro com órgãos de comunicação social, na sua sede, em Lisboa, com o objetivo de dar a conhecer o trabalho desenvolvido na coordenação da mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa.
A iniciativa, intitulada “TML de Portas Abertas – A Mobilidade Vista por Dentro”, decorreu nas instalações da entidade, situadas na Rua Cruz de Santa Apolónia, e procurou aproximar a comunicação social da atividade da TML, através de um contacto direto e esclarecedor.
Durante a sessão foram apresentadas a missão da TML, o modelo de governação e as responsabilidades na coordenação da mobilidade metropolitana, bem como os resultados alcançados, os projetos em curso e as prioridades estratégicas para os próximos anos.
O programa incluiu uma sessão de enquadramento institucional pelo novo presidente da TML, Carlos Humberto de Carvalho, a apresentação do sistema “Navegante” e da Carris Metropolitana, com dados atualizados, e a partilha dos principais projetos em desenvolvimento.
O responsável acentuou que, em 2025, a Carris Metropolitana transportou mais de 194 milhões de passageiros, sublinhando que a digitalização e a simplificação da utilização do sistema navegante estão nos eixos centrais da intervenção da empresa de transportes. O gestor revelou ainda que as implicações digitais, novos canais de venda e soluções em desenvolvimento mostram uma rede conectada, acessível e atualizada.
Carlos Humberto de Carvalho sublinhou a tese de que a TML “não é uma empresa de transportes (…) somos uma empresa de mobilidade” e “uma autoridade de transportes”, que desenvolve instrumentos de planeamento e de implementação de medidas e políticas de mobilidade, sendo, também, a promotora e gestora do sistema integrado de bilhética, onde participam todos os operadores de transportes da AML e a gestora de contratos da Carris Metropolitana – realiza toda a operação rodoviária de 15 municípios e intermunicipal nos 18.
Para o administrador, os transportes são obviamente “muito importantes” na atividade, “com um crescimento constante e exponencial”, exemplificando com as linhas de praia ao fim de semana, tendo registado um crescimento de 1/3 dos passageiros nos últimos 2 anos. Mas, sendo uma empresa de transportes, “que é aquilo que tem mais visibilidade”, a TML é hoje uma “empresa de mobilidade”, reiterou.
Para exemplificar, o gestor refere que 50% do número de trabalhadores da TML desenvolvem a sua atividade no setor das ITS (tecnologias), concentrando nesta área metade da sua operação “para melhor responder” aos novos tempos na mobilidade da Grande Lisboa, que engloba 18 municípios e uma população de 2,8 milhões de habitantes.
Carlos Humberto de Carvalho refere que a criação das marcas “Navegante” e Carris Metropolitana dentro do chapéu da TML conseguiu uniformizar o complexo sistema de transportes que opera nos 18 territórios da AML. “Com esta uniformização da operação, conseguiu-se colocar a lógica nos passageiros que utilizam os transportes, deixando de existir o paradigma comercial (das várias empresas de transportes) para passar a vigorar o paradigma de serviço público, focado no bem-estar das pessoas. A marca TML conseguiu unificar toda a informação e trazer maior simplificação”.
Para além disso, a TML assenta o seu modelo de gestão numa componente tecnológica “muito forte”. Através de uma plataforma integrada, a empresa gere toda a operação com os sistemas tecnológicos “mais avançados” do setor, permitindo, por exemplo, acompanhar em tempo real toda a operação diária das carreiras da TML, os percursos seguidos pelos motoristas, o número de passageiros transportados por cada autocarro, os tempos de espera nas paragens, entre muitos outros itens de atividade.
A TML reforça que, no fundo, “trabalha para as pessoas”, para mais 2,5 milhões de habitantes, sendo, por isso, “muito importante” o departamento de comunicação e do cliente, que faz a ponte de comunicação das várias medidas levadas a cabo pela empresa.
Reforçar a integração dos vários sistemas de transporte num só
Entre os principais objetivos da TML, a curto prazo, o foco passa por integrar todos os sistemas de mobilidade em toda a Área Metropolitana de Lisboa. O objetivo desta medida passa por uniformizar a numeração dos itinerários, de modo que “não existam carreiras iguais”.
Para Carlos Humberto de Carvalho, a TML está focada em avançar para o modelo de “Sistema Integrado de Transportes”, focado “nas pessoas”, que tem como objetivo concentrar no mesmo sistema o metropolitano, os comboios, os autocarros da Carris, os barcos da Fertagus, no mesmo sistema de transportes. “O nosso objetivo é integrar, integrar, integrar. Não pode haver duas carreiras 4721 (…) é uma questão que está a ser estudada e para a qual e
stamos a arranjar uma solução. Depois de devidamente integrados no sistema, não pode haver azo a confusões. Não pode haver os mesmos números de carreiras da Carris e dos Transportes Coletivos do Barreiro, por exemplo. A numeração tem de ser uniforme e não pode confundir os passageiros”.
O novo administrador avançou que o foco da TML está na concretização deste novo sistema integrado que irá revolucionar todo o sistema de transportes da Área Metropolitana de Lisboa, respondendo à necessidade harmonizar a resposta, adotando um sistema holístico, que inclui as ligações entre os vários meios de transporte públicos – lembre-se que a Carris é gerida pela Câmara Municipal de Lisboa e que o atual presidente da Carris, Rui Lopo, transitou da liderança da AML para a Carris, nomeado por Carlos Moedas.
Carlos Humberto de Carvalho anunciou ainda que TML tem a ambição, que será articulada nível nacional, de fazer com que o passe “navegante” possa ser utilizado, por exemplo, nos sistemas de transportes do Porto ou da Madeira.
Bicibox em teste
A sessão serviu ainda para divulgar resultados de iniciativas recentemente testadas e projetos em desenvolvimento, com enfoque na mobilidade sustentável e na inovação. Entre estes, destacam-se o projeto Bicibox Setúbal, um sistema de estacionamento seguro para bicicletas, desenhado para facilitar a intermodalidade.
Até 2027 a TML espera instalar novos parques na cidade, de modo a continuar o investimento na iniciativa que arrancou em 2022, com a implementação do primeiro “Bicibox” no Interface de Transportes de Setúbal (ITS).
No plano estratégico, foi destacado o desenvolvimento de uma “ferramenta digital que permitirá visualizar o estado de cada ação e a informação dos indicadores que podem ser monitorizados”, referente ao Plano Metropolitano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMMUS), desenvolvido pela TML em articulação com os municípios da Área Metropolitana de Lisboa. Este instrumento de planeamento visa identificar necessidades e definir medidas para melhorar a mobilidade dos cidadãos, promovendo um modelo mais sustentável, integrado e centrado nas pessoas.
Sistema “Wayfinding” facilita orientação de cegos
Foi igualmente destacada a possível aposta em soluções de acessibilidade, como o sistema de “Wayfinding”, direcionado a pessoas cegas ou com baixa visão, que facilita a orientação nas interfaces de transporte. Este sistema consiste em guiar os passageiros através de códigos “navilens”, pisos podotáteis e corrimões com inscrições em braile. O projeto ainda se encontra em fase de estudo para perceber “se vale a pena implementar deste modo ou se existem soluções melhores”.
Durante o encontro foram ainda abordados diversos projetos estruturantes, entre os quais a possibilidade de uma futura ligação de metro a Alcochete, pensada para responder ao impacto do novo aeroporto, bem como outras soluções de reforço da oferta de transporte público nas regiões de Sesimbra, Costa da Caparica e Trafaria.
Em 2025 a TML transportou 194 milhões de passageiros, números que confirmam um aumento de 11,5% em relação a 2024. Este aumento, apesar de importante, é ainda curto e Carlos Humberto Carvalho afirma que “não há crescimento maior porque os terminais não conseguem dar resposta e precisam de ser requalificados”.
Sem validação de bilhetes, os autocarros deixam de passar
As fontes de financiamento da TML provêm de um fundo pago pelos municípios, que começou em 2024, do Fundo de Serviço Público de Transporte de Passageiros e de uma percentagem da receita com a bilheteira. Os responsáveis pela empresa sublinham, a propósito da importância da validação dos bilhetes, mesmo que sejam gratuitos, a obrigatoriedade de os passageiros validarem os bilhetes. A receita total é recebida pela TML, mas, posteriormente, é distribuída pelos operadores privados que integram a TML, que é validado num sistema de quotas baseado na validação dos títulos. “O sistema só assume os títulos validados que, depois, entram para o sistema de quota de repartição (de verbas) aos diferentes operadores”.
O administrador recorda, no mesmo sentido, que a validação dos bilhetes dos passageiros é fulcral para funcionar como barómetro real da operação dos autocarros nas várias rotas. E deu como exemplo uma carreira que foi suprimida, por que o sistema entendeu que não havia passageiros que justificassem a passagem de um autocarro. Como resultado, os pais de muitos estudantes que apanhavam o autocarro suprimido protestaram com o encerramento da carreira. Depois de analisado o caso ao pormenor, chegou-se à conclusão que os estudantes, por viajarem gratuitamente e por “conhecerem o motorista”, não validavam os bilhetes.
“O sistema assumiu que aquele autocarro não transportava praticamente ninguém”, sendo mais sustentável deixar de fazer o trajeto ou reduzir substancialmente o número de carreiras. Por isso, relembrou que é fundamental as pessoas não facilitarem e validarem sempre os seus títulos de transporte.
A TML destacou ainda novos projetos nas áreas da sensibilização e educação, como o programa “mini passageiros”. O encontro incluiu, também, uma visita ao Centro de Monitorização e Operação, onde é acompanhada a rede de transportes em tempo real.





