A Carris e os Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) querem partilhar recursos e melhorar as informações aos passageiros. Estas ideias estão plasmadas no acordo de cooperação assinado esta quarta-feira entre as duas partes.
O protocolo hoje assinado entre a Carris e a Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) – quando se assinalam sete anos do passe Navegante – visa simplificar a vida dos cidadãos e aproximar os 18 municípios que integram a Área Metropolitana de Lisboa.
A sessão foi iniciada com a passagem de um vídeo sobre as principais vantagens do acordo, dando-se destaque a “ganhos de eficiência, racionalização de custos, gestão e utilização otimizada de infraestruturas e a potenciação de sinergias”, os principais objetivos do acordo, que incide sobre áreas como os dados e sistemas de informação; atendimento; gestão e sistemas operacionais; suportes e meios de informação; espaços e infraestruturas; planeamento e desenvolvimento da rede, e formação de trabalhadores.
Uniformização e simplificação
Para o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que tem sob a sua alçada a Carris, o protocolo – assinado hoje no Museu da Carris, durante as Jornadas Navegante – simboliza um “passo concreto” para uma rede de mobilidade integrada, onde os diferentes operadores trabalham como “um só sistema ao serviço das pessoas”.
A articulação entre a TML e a Carris, é “muito mais do que um acordo técnico, é uma afirmação política, uma escolha estratégica e um compromisso da área metropolitana mais coesa, mais eficiente e mais acessível”, afirmou Carlos Moedas, também presidente do Conselho Metropolitano de Lisboa.
“Precisamos de pensar a mobilidade como ela verdadeiramente é: metropolitana, integrada, partilhada”, acrescentou. “As pessoas na rua não sabem se é Carris ou Carris Metropolitana. Querem mobilidade”.
Por outro lado, a otimização das infraestruturas, dos sistemas e das competências, sublinhou, permite “construir um serviço público mais robusto, mais coerente e mais próximo de quem ele depende todos os dias. E é aqui que a eficiência ganha o seu verdadeiro significado na vida concreta das pessoas: menos tempo à espera, melhor informação, maior fiabilidade, mais confiança”.
Segundo Carlos Moedas, o investimento vai manter-se na Área Metropolitana, mas também em Lisboa, com a Carris, “numa mobilidade que trabalhe na transição climática, que seja mais sustentável, mais inteligente, mas também mais responsável”.
Para o presidente do conselho de administração da Carris, Rui Lopo, este acordo “potencia sinergias”, vai ajudar a “transportar mais pessoas”, e promove a desejada “sustentabilidade no país”.
Este acordo, sublinhou Rui Lopo, progride para uma nova mobilidade em toda a Grande Lisboa. Mas o administrador não acredita numa mobilidade que “funciona por decisão administrativa”. A mobilidade só funcionará quando as diferentes instituições que operam na área “estiverem alinhadas” estabelecendo “um planeamento em rede”, sendo, por isso, “fundamental que a comunicação seja efetiva”.
“A comunicação nada tem a ver com propaganda. Um sistema que não comunica bem, não funciona”, disse o administrador.
O presidente da TML, Carlos Humberto Carvalho , reconheceu que assinatura deste acordo “estreita laços” entre ambas as instituições, lembrando que, em alguns domínios, “agiremos como um só”.
O responsável frisou que a “autonomia” das instituições “não será posta em causa”, lembrando as parcerias já estabelecidas como o Metropolitano de Lisboa e outros operadores de transporte da AML.
“Este acordo visa as questões da integração, da bilhética, mas também a cooperação na formação de trabalhadores, e eventualmente a utilização de equipamentos de uma e de outra entidade”, defendeu.
Carlos Humberto lembrou ainda o propósito de criação da TML: estabelecer parcerias com as várias empresas de transportes (públicas e privadas) que trabalham na Grande Lisboa, com vista a ser criada uma “grande rede” de mobilidade regional, que harmonizará toda a operação num novo plano de mobilidade para toda a região de Lisboa.
Protocolo entre AML, TML e Metropolitano de Lisboa
No mesmo dia, a AML, TML e o Metropolitano de Lisboa celebraram um protocolo de cooperação para o desenvolvimento de estudos e projetos para consolidação de uma rede de Transporte Coletivo em Sítio Próprio.
As Jornadas navegante®, evento de participação pública dedicado à mobilidade e ao transporte, que reuniu autoridades, municípios e os principais stakeholders do setor, foi o palco privilegiado da celebração deste protocolo que visa a melhoria do serviço público de transporte de passageiros na área metropolitana de Lisboa.
O protocolo celebrado vem estabelecer uma parceria para o desenvolvimento de estudos e planeamento e, para a concretização de projetos que visem a consolidação de uma rede de Transporte Coletivo em Sítio Próprio (TCSP) no território da área metropolitana de Lisboa.
Para a TML, “é importante assegurar a expansão e a articulação dos serviços de transporte, com as infraestruturas de conectividade regional, maximizando a eficiência e a eficácia do serviço público de transporte de passageiros no seu conjunto”.
Neste protocolo, a AML e a TML contribuirão com o desenvolvimento de estudos e projetos de planeamento e de ligação ao território, bem como estudos e projetos de enquadramento, contribuindo o Metropolitano de Lisboa com a componente técnica de estudos e projetos de engenharia, nomeadamente tecnologia de metro ligeiro e elétrico rápido.
Esta parceria envolverá os municípios onde cada estudo e projeto se desenvolverá, sendo mais um passo dado de estreita colaboração entre todas as entidades envolvidas, que visa promover o reforço e a melhoria da mobilidade, com vista a atrair mais clientes para o transporte coletivo, satisfazendo as suas necessidades diárias de deslocação, combatendo, ainda, a emissão de gases de efeito de estufa, a poluição atmosférica, o congestionamento, o ruído, o consumo de energia e a exclusão social.
Lisboa e Porto assinam acordo de cooperação de mobilidade
A Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) e a Transportes Metropolitanos do Porto (TMP) assinaram um acordo de cooperação para reforçar a integração e eficiência dos sistemas de mobilidade nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto. “Este acordo reflete o compromisso conjunto das entidades na partilha de conhecimentos, tecnologias e boas práticas para o desenvolvimento de soluções de transporte público mais eficazes e sustentáveis”.
As Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto representam os principais polos urbanos de Portugal, concentrando mais de 40% da população nacional e assumindo um papel central na dinâmica económica, social e ambiental do país. Esta elevada densidade populacional e a diversidade das necessidades de mobilidade tornam os respetivos sistemas de transportes particularmente complexos, exigindo uma articulação eficaz entre modos rodoviários, ferroviários, fluviais e, mais recentemente, soluções de mobilidade suave e partilhada.
Desde 2015, que as Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto assumiram a responsabilidade de gerir os serviços públicos de transporte intermunicipais, desenvolvendo estratégias para promover a mobilidade em linha com as reais necessidades das pessoas.
Da primeira cimeira das Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, realizada em 20 de março de 2018, resultaram propostas concretas para a melhoria do transporte público, com especial destaque para a visão de construção da Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) e da Transportes Metropolitanos do Porto (TMP). A criação da TML e da TMP teve como propósito unificar a gestão dos transportes na região, promovendo uma rede mais eficiente e acessível. Esta iniciativa refletiu o esforço conjunto entre as áreas metropolitanas e o Governo para aprimorar a mobilidade e fortalecer a autonomia das entidades intermunicipais.
A cooperação entre a TML e a TMP “representa uma união de esforços para a promoção de um sistema de mobilidade eficiente, integrado e sustentável nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto”, nas suas áreas similares de atuação, e “irá beneficiar os cidadãos com aproximação de informação, comunicação, processos e funcionamento de sistemas nestas duas realidades”
Assim, a TML e TMP irão cooperar em áreas essenciais como o desenvolvimento e a otimização dos sistemas de bilhética integrada; gestão e monitorização de operações de transporte e contratos de serviço público; planeamento estratégico da mobilidade metropolitana; comunicação, informação ao público e promoção da mobilidade sustentável; harmonização de processos regulatórios e operacionais entre as duas áreas metropolitanas.
A TML, criada pela Área Metropolitana de Lisboa (AML) há 5 anos, tem desempenhado um papel fundamental na mobilidade da área metropolitana de Lisboa (amL), sendo responsável pela gestão do sistema tarifário e de bilhética – navegante® – que impulsionou novos produtos e serviços que facilitam e agilizam o acesso à mobilidade de milhares de cidadãos. Além disso, lançou e gere a Carris Metropolitana, cuja operação rodoviária “tem registado sucessivos recordes no transporte de passageiros e uma crescente adesão dos utilizadores”.
A TMP, constituída em janeiro de 2025, assumiu a gestão do sistema de bilhética intermodal Andante da Área Metropolitana do Porto, bem como a gestão e fiscalização dos contratos dos diferentes operadores da rede UNIR assumindo de forma transversal o papel de regulador da mobilidade em transporte público na região.
A colaboração entre as duas entidades permitirá alinhar estratégias e implementar soluções tecnológicas inovadoras, garantindo uma experiência de mobilidade mais eficiente e acessível para os utilizadores.
Fotos: CMLisboa










