Família de António Lobo Antunes recebe Chave de Honra de Benfica

A Junta de Freguesia de Benfica vai prestar uma homenagem, a título póstumo, a António Lobo Antunes, no próximo dia 12 de abril, com a entrega da Chave de Honra à família do escritor. Esta homenagem assinala a ligação umbilical de ALA ao território.

A cerimónia acontece a partir das 17h00, no Auditório da Escola Superior de Educação de Lisboa, e decorre no âmbito das comemorações do 763.º aniversário do “Lugar” de Benfica, data do documento histórico mais antigo que menciona Benfica como uma povoação ou localidade.

O médico e escritor, que nasceu e cresceu no Bairro de Benfica e tem raízes familiares na Beira Alta, deixa um precioso legado, com mais de três dezenas de romances e inúmeras crónicas, assumindo-se como um dos maiores vultos da cultura nacional.

Veterano da guerra e benfiquista até ao último suspiro

Como se recordou no “OL” por ocasião da sua morte, depois de concluir o curso de medicina, António Lobo Antunes teria a experiência mais marcante da sua vida: a participação na Guerra Colonial do Ultramar. Muitos dos seus livros e dos seus tormentos públicos, confessados em crónicas publicadas na imprensa ao longo de décadas, refletiam os traumas (e as injustiças) da Guerra Colonial, vivida na primeira pessoa em Angola, entre 1971 e 1973, como médico de uma companhia do exército português. Destes dois anos, vividos longe da família e de tudo o que conhecera até então, nasceriam algumas das suas principais obras literárias, como o Memória de Elefante, publicado em 1979, e que funcionou como uma verdadeira pedrada no charco no panorama intelectual do pós-25 de Abril por falar de soldados semianalfabetos, combatentes perdidos numa guerra sem sentido, morte, amputações a sangue frio, solidão, mas também de camaradagem castrense.

Em muitos das suas crónicas e romances, ALA recorda episódios da sua infância e de experiências vividas na freguesia de Benfica. De resto, o seu amor ao clube que tem o nome da freguesia na sua bandeira era tão profundo, que o escritor pediu para se ouvir o hino “Ser Benfiquista” na sua cerimónia fúnebre.

“É essencial prestarmos esta sentida homenagem a uma figura incontornável da nossa freguesia, com uma profunda ligação à nossa comunidade. O seu legado será preservado com a criação da futura Biblioteca e Centro Interpretativo António Lobo Antunes, na Fábrica Simões. Iremos acolher o espólio pessoal de um grande autor, mas também de um embaixador do nosso território”, sublinha Ricardo Marques, presidente da Junta de Freguesia de Benfica.


António Lobo Antunes faleceu, no passado dia 5 de março, e a Junta de Freguesia de Benfica decretou três dias de luto local em sua memória.

Ao longo dos últimos anos, multiplicaram-se as homenagens ao autor na freguesia, visíveis em locais como o Passeio Ulmeiro, na Avenida do Uruguai, ou representado num mural junto ao Palácio Baldaya.

O escritor doou mais de 30 mil títulos da sua biblioteca pessoal, que irão constar da futura Biblioteca Lobo Antunes, em Benfica. O espólio inclui manuscritos originais, notas de trabalho e documentos pessoais.

Além do momento simbólico de homenagem, onde irão estar presentes familiares e figuras ilustres nacionais, o dia fica marcado por um conjunto de iniciativas culturais, com dança, música e teatro.

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