As esquadras da PSP da Boavista, Serafina, Padre Cruz, Belém, Campo de Ourique e Parque das Nações vão ser requalificadas. A Câmara de Lisboa e o Governo assinaram contratos de cooperação para requalificação destas esquadras, a executar pela autarquia até final do ano, num investimento que ronda três milhões de euros, e que será reembolsado pelo Estado.
O acordo assinado, entre o Ministério da Administração Interna e a Câmara Municipal de Lisboa, visa a reabilitação de seis esquadras em Lisboa, para melhorar as condições de trabalho dos agentes e reforçar a qualidade dos serviços de segurança na cidade, uma prioridade do Município.
O investimento previsto para esta fase, que pode atingir três milhões de euros, abrange a requalificação de seis esquadras, na sua maioria em edifícios municipais: Bairro da Boavista; Bairro da Serafina; Bairro Padre Cruz; Belém; Campo de Ourique; Parque das Nações, com intervenções na reabilitação de interiores, infraestruturas, e correção de coberturas, entre outras “obras fundamentais”.
“O que hoje concretizamos, é um investimento estrutural em seis pontos críticos da cidade”, salientou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, na cerimónia realizada no dia 7 de marços nos Paços do Concelho, que contou com a presença de Telmo Correia, secretário de Estado da Administração Interna.
Para o autarca, as requalificações nas esquadras traduzem melhorias, transformando-as em equipamentos que “deixam de ser espaços degradados, para passarem a ser locais dignos, funcionais e modernos”.
O apoio agora formalizado, insere-se na estratégia de segurança do Município de Lisboa, que preconiza o reforço de equipas e meios necessários “para uma resposta pronta e eficaz” no domínio da segurança de pessoas e bens, “em cada rua e em cada bairro”.
Com a requalificação das seis esquadras, serão criadas “melhores condições para quem veste a farda, e melhor serviço para quem vive, trabalha e visita a nossa cidade”, vincou Carlos Moedas. “Estamos a dar dignidade a quem nos defende”.
Carlos Moedas salienta que há problemas que não podem ficar na gaveta. “Quando há um problema evidente, há uma obrigação política: resolver. E é isso que estamos a fazer hoje. Estes contratos representam três prioridades claras: credibilizar as instituições, defender quem nos defende, proteger os lisboetas”.
No mesmo sentido, sublinha ainda que o assumir dos compromissos “credibiliza as instituições”. “Uma das maiores crises do nosso tempo é a crise de confiança. As pessoas deixam de acreditar quando veem problemas arrastarem-se durante anos, quando veem decisões que nunca chegam, quando veem instituições que não respondem”, quando há crise de confiança “isso fragiliza tudo”.
“Fragiliza o Estado, a democracia, a confiança coletiva nas instituições. Porque quando os problemas subsistem as pessoas questionam-se para que servem as instituições. E se não servem para nada deixam de acreditar nelas”, questiona, acrescentando: “Hoje estamos aqui a mostrar que as instituições resolvem problemas. E resolvem ainda mais problemas quando trabalham em conjunto”.
Em reunião recente do Conselho Municipal de Segurança, o presidente da CML havia defendido um reforço do policiamento em Lisboa: “Precisamos de, pelo menos, mais 500 polícias de segurança pública em Lisboa. Perdemos nos últimos 10 anos mais de mil e, portanto, é preciso ter mais PSP e vou continuar a lutar por isso”.
“Para ter mais polícia é preciso ter condições e essas condições vêm desta capacidade (…) de renovar estas esquadras que estão em muito má condição”, afirmou aos jornalistas Carlos Moedas, no final da cerimónia.
Câmaras fazem obras, Governo reembolsa
“Este modelo (de cooperação com câmaras municipais), como as autarquias têm a capacidade que a administração central muitas vezes não tem, permite-nos realizar inúmeras obras que, de outra maneira, não seriam feitas”, afirmou o secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia.
O governante explicou que, estando as autarquias “habituadas a lidar com obras”, a ideia é que assumam a execução da empreitada de requalificação das esquadras e depois o Estado reembolsará o valor investido que, no caso de Lisboa, rondará os três milhões de euros.
Segundo o presidente da CML, as obras deverão arrancar “nas próximas semanas”, para que estejam concluídas até ao final do ano, conforme expectativa do Governo.
O autarca e o secretário de Estado realçaram a questão da segurança também como um ativo económico para a cidade e para o país, daí a necessidade de aumentar a presença de polícia na rua, defendendo que a melhoria das condições das esquadras é um fator de atratividade de mais efetivos para as forças de segurança.
Crimes graves “diminuíram”, mas “aumentaram as violações”
Salientando que “Lisboa é uma cidade segura”, Carlos Moedas apontou que o Relatório Anual de Segurança Interna regista um aumento geral dos crimes de mais de 6% no município.
“É verdade que certos crimes graves diminuíram, mas continuamos a ter focos que para mim são focos de grande preocupação. Nós vemos um aumento nas violações de mais de 27%, isto cria uma insegurança enorme para as mulheres, para as jovens mulheres na nossa cidade, e, portanto, isso não pode ser. Vemos também um aumento dos homicídios em quase 38%”, referiu o autarca.








