Com um mês cumprido, a Urgência Regional de Obstetrícia no Hospital Beatriz Ângelo “não colapsou”. Em conversa com o nosso jornal, Ricardo Leão considera que estará atento ao desenrolar do processo e promete voltar a exigir respostas da tutela caso a situação saia fora de controle.
A entrada em funcionamento da Urgência Regional de Obstetrícia no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, cumpriu um mês de funcionamento. Em 16 de março, o Hospital de Loures passou a receber as grávidas provenientes do concelho de Vila Franca de Xira, que encerrou a sua urgência, e servia também os municípios de Azambuja, Arruda dos Vinhos, Alenquer e Benavente.
Em declarações ao “OL”, Ricardo Leão, presidente do Município de Loures, fez um balanço positivo, mas “cauteloso”, destacando a melhoria na previsibilidade do serviço, embora admita que a centralização não é a situação ideal.
Para o autarca, este novo modelo de atendimento das grávidas de vários concelhos, vindas de municípios como Alenquer, Vila Franca de Xira, Arruda dos Vinhos, entre outros, tem como “ponto positivo” a previsibilidade. “O novo modelo regional permite que as grávidas saibam com antecedência a que urgência recorrer, evitando os encerramentos alternados e a desorientação do modelo anterior”.
“Colapso” não aconteceu
Ricardo Leão sustenta que, pese embora os receios iniciais, “os dados não indicam, por agora, falhas relevantes ou um colapso do serviço por excesso de afluência”.
Apesar de não se ter registado o “colapso” profetizado por sindicatos médicos e associações profissionais do setor, o edil considera ser ainda “prematuro” para se fazer uma “avaliação rigorosa” ou avaliar a satisfação total dos utentes, preferindo aguardar mais tempo para consolidar dados.
Ricardo Leão mantém o “benefício da dúvida”, mas adverte que, se necessário, exigirá intervenções para garantir a qualidade do serviço.
Anteriormente, o autarca tinha manifestado receios de que o novo modelo falhasse caso não houvesse reforço médico. Ricardo Leão sustenta que a centralização das urgências de obstetrícia em Loures, não sendo a situação ideal, “dada a garantia prestada pelos agentes envolvidos de que não iríamos assistir ao colapso desta urgência por excesso de afluência, dão-me o conforto necessário para aguardar o desenvolvimento dos acontecimentos”.
Ricardo Leão defende que “todas as diligências que efetuei e as garantias que me foram prestadas”, resta-lhe aguardar, “dando o benefício da dúvida e esperando que tudo corra bem.”
Porém, promete que “se proximamente sentirmos a necessidade de intervir, cá estarei para debatermos e analisarmos o que não correu bem e exigir do HBA e do Governo as correções necessárias”, reforçando a sua posição de que este assunto tem de ser resolvido “sem politiquices”, de forma consensual, e com o foco no bem-estar das utentes.
Alguns dos municípios que passaram a ter de enviar as suas grávidas para o HBA, já manifestaram o seu desagrado face à evidência de estarem mais afastados da extinta Urgência de Obstetrícia do Hospital de Vila Franca de Xira. Ricardo Leão manifesta a sua “solidariedade e compreensão” para com esses municípios.
E lembra que urge haver um consenso alargado, entre os municípios e o Governo, para a necessidade de pôr em cima da mesa a revisão das carreiras médicas para se estancar a sangria dos quadros médicos do setor público para o privado.
A Urgência Regional de Obstetrícia do Hospital Beatriz Ângelo centralizou os cuidados para minimizar a falta de médicos na região.

