Ricardo Leão. Município de Loures está a minimizar “o falhanço do poder central”

Na última reunião de Câmara de Loures, o presidente do Município, Ricardo Leão, disse que a Câmara Municipal de Loures está a resolver problemas que são da competência do Governo central, anotando que “não é primeira vez” que a CML mitiga problemas advindos “do falhanço do poder central” na resolução “das suas competências” no território de Loures.

Ricardo Leão entende a política como uma capacidade transformadora da sociedade e que o seu desígnio “é tornar a vida das pessoas melhor. Essa é razão para, enquanto presidente da Câmara de Loures, querer ser sempre parte da solução dos problemas que afetam a vida das pessoas, independentemente de quem é a responsabilidade de resolver os mesmos”.

Para o autarca, “não adianta de nada exigirmos, apontarmos o dedo aos outros e deixarmos tudo na mesma; as pessoas precisam de soluções, precisam dos problemas resolvidos e, é apenas isso que importa”.

No âmbito das intervenções urgentes realizadas pela autarquia de Loures, Leão destaca a criação de alojamento para 21 agentes das PSP deslocados, mas questiona se “é a Câmara que os têm de criar?”, assim como a entrega de viaturas à PSP. “É competência das câmaras a entrega de viaturas à PSP? A construção do Quartel da GNR de Bucelas. É competência da Câmara fazer quarteis da GNR? Não!”, exemplifica, acrescentando ainda a resolução do problema do fecho das instalações das Finanças em Sacavém. “A Autoridade Tributária ia fechar as suas instalações em Sacavém. Se não fosse a Câmara a despender meio milhão de euros, era menos um serviço público que tínhamos em Sacavém. Era a Câmara que devia ter feito o investimento? Não! Mas se não tivéssemos a visão de fazer parte da solução, garanto-vos que as coisas não aconteceriam”, concretiza.

“Falhanço” do Governo não pode ser acompanhado de inércia da autarquia

Ricardo Leão admite o “puro falhanço da máquina do poder central”, na resolução de problemas que caberia resolver ao Estado, mas sublinha que “isso não serve de desculpa para nós não fazermos parte da solução, mesmo que isso nos traga encargos financeiros, mas estamos a resolver os problemas das pessoas, estamos a minimizar o impacto do falhanço do Governo na resolução dos problemas dos cidadãos”.

O autarca revela que “enquanto eu aqui estiver, é assim que vejo as coisas: devemos fazer parte da solução de todos problemas”, mesmo que não sejam da responsabilidade do Município de Loures


“Não conseguimos resolver tudo de uma vez, haverá sempre novos problemas e desafios, mas terei sempre a mesma vontade, a mesma determinação e a mesma coragem para assumir responsabilidades para que o dia de amanhã, dos munícipes de Loures, seja melhor que o de hoje e, o de hoje melhor que o de ontem”, conclui, acrescentando: “O que desejo para vós, é o mesmo que desejo para mim, pois sou também munícipe deste concelho”.

SNS é causa de “todos”

Em reflexão sobre os constrangimentos na área da saúde e consequente debandada dos médicos do público para o privado, o presidente da Câmara de Loures aproveitou para fazer um apelo para todos os stakeholders do setor remarem no mesmo sentido, para se evitar o “colapso do Serviço Nacional de Saúde”.  “A saúde dos portugueses não tem preço, não pode ter preço e, todos conhecemos, a dificuldade de obter uma consulta de especialidade, as centenas de milhares de pessoas sem médico de família ou as listas infindáveis para cirurgias”.

Para o autarca, “de uma vez por todas”, os intervenientes na área da saúde “têm de sentar-se à mesma mesa e tomar decisões, tirando os sectarismos e as ideologias políticas e tomar decisões”, por que o Serviço Nacional de Saúde, “tal como está, vai ter um fim em termos de atratividade da carreira médica”. E isto “é reflexo do colapso do SNS”.

Segundo a posição do autarca, o maior problema do SNS é a falta de médicos. Perante esta constatação, urge fazer as alterações necessárias no âmbito das remunerações, das carreiras médicas e da facilidade na contratação para “tornar o SNS atrativo para estes profissionais”.

Ricardo Leão entende que esta é uma área em que “não pode haver interesses privados, não pode haver ideologias, não pode haver tacticismo político ou corporativismo das ordens profissionais”, pois o SNS é o único garante dos portugueses no acesso à saúde, independentemente do seu poder económico.

Foto: Arquivo

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