A Quercus saúda Sistema de Depósito e Reembolso de embalagens de bebidas, mas lamenta que “peca por tardio” e por não ter sido ponderado o regresso da retoma de garrafas de vidro com tara recuperável.
Portugal juntou-se aos países que já dispõem de Sistemas de Depósito e Reembolso (SDR), com a implementação, em abril de 2026, do sistema identificado pela marca volta, criando um modelo mais eficiente e sustentável para a recolha e reciclagem de embalagens de bebidas de uso único.
O sistema arrancou hoje, dia 10 de abril, marcando um novo capítulo na história da reciclagem em Portugal, com a entrada em funcionamento em todo o país do SDR.
Sob o nome “volta”, o SDR abrangerá cerca de 2,1 mil milhões de embalagens de bebidas de uso único consumidas anualmente em Portugal, em concreto, garrafas de plástico PET e latas de metal até 3 litros, que terão um depósito reembolsável de 10 cêntimos.
Alexandra Azevedo, presidente da Quercus, saúda a chegada do SDR a Portugal”, mas disse que “peca por tardia”, uma vez que “somos o 19º país da União Europeia a implementá-lo”.
“Esta tem sido, aliás, uma reivindicação da Quercus nos últimos anos, esperando-se que seja agora o empurrão definitivo para ajudar a cumprir as metas nacionais de reciclagem de embalagens (70% já este ano e 90% em 2029) e de incorporação de plástico reciclado em novas embalagens (30% em 2030 e 65% em 2040)”.
Quercus pede regresso da tara retornável e integração do vidro no SDR
A Quercus lamenta ainda que não tenha sido ponderado o regresso da retoma de garrafas de vidro com tara recuperável (que já existiu em Portugal), “que seria um importante incentivo à reutilização destas embalagens e redução de resíduos”.
Por outro lado, sublinha a presidente desta ONG, em alguns países europeus, como a Alemanha, a Dinamarca, a Finlândia ou a Croácia, as embalagens de vidro estão abrangidas por sistemas de depósito e reembolso semelhantes ao “Volta”, o que será um passo óbvio para impulsionar a recolha seletiva deste fluxo. A mesma registou uma quebra de 1% em 2025 e tem estado estagnada nos últimos anos, comprometendo a meta de reciclar 75% até 2030 (estamos nos 56%).
Importante esclarecer complementaridade com os ecopontos
Segundo Alexandra Azevedo, para que o SDR seja bem-sucedido, “é fundamental reeducar os consumidores, explicando a sua complementaridade com os atuais sistemas de recolha seletiva, nomeadamente os ecopontos e os sistemas porta-a-porta”
Para a responsável, os ecopontos “continuam a desempenhar um papel fundamental, devendo ser utilizados para todas as embalagens de bebidas não abrangidas pelo SDR (garrafas PET e latas de metal ainda sem o símbolo ‘Volta’ e todos os outros formatos/materiais excluídos, como garrafões de água, ECAL,vidro ou bebidas com mais de 25% de origem láctea)”.
Comércio tradicional e canal HORECA são maior desafio
A Quercus considera positivo que o SDR abranja também, através dos pontos de recolha manual, o pequeno comércio e o Canal Horeca (bares e restaurantes), onde são consumidas garrafas e latas de bebidas de uso único em quantidades consideráveis. Contudo, “questionamos se o mesmo conseguirá dar resposta de forma abrangente e descentralizada às cerca de 12 mil lojas tradicionais e 80 mil pontos Horeca existentes no país”.
A Quercus considera também que o sistema deve antecipar e adaptar soluções que permitam a recolha e devolução de depósito destas embalagens em grandes eventos associados a um grande consumo de bebidas engarrafadas ou enlatadas, tais como festivais; eventos desportivos; entre outros.
Atribuição de vouchers “deveria ser também digital”
O reembolso do depósito de 10 cêntimos de cada embalagem nos 2500 pontos de recolha automáticos presentes em supermercados e hipermercados será feito através da emissão de vouchers impressos.
Mas a Quercus considera que este método em papel deve ser complementado com um sistema de vouchers digitais através da acumulação de saldo numa aplicação móvel, desmaterializando e otimizando o processo e evitando o gasto de matérias-primas.
Para a dirigente ambiental, importa ainda destacar que a implementação deste sistema “não deve fazer esmorecer o incentivo ao uso de soluções mais sustentáveis a montante, como a promoção de recipientes reutilizáveis para bebidas e o incentivo ao consumo de água da torneira sempre que possível. A prevenção continua a ser a estratégia mais eficaz na redução de resíduos”.
A Quercus promete acompanhar a implementação do SDR, “contribuindo para o seu aperfeiçoamento e defendendo soluções que promovam uma gestão de resíduos mais eficiente, justa e sustentável”, conclui.

