Casa Ronald McDonald Portugal é porto abrigo para famílias de crianças internadas em hospitais

No Dia Internacional da Família, 15 de maio, a Fundação Infantil Ronald McDonald assinalou uma importante mudança na sua estrutura. A Fundação reuniu a sua direção e alguns voluntários com o propósito oficializar o novo nome da Fundação, que passa a adotar, a partir deste dia, a nomenclatura Casa Ronald McDonald Portugal. Carlos Moedas marcou presença na iniciativa e elogiou o “humanismo” da instituição.

Foi também objetivo apresentar um novo logotipo, unificando a sua identidade sob o nome e uma imagem que melhor define a sua missão de acolhimento de famílias.

Pedro Bonvalot, presidente do conselho de administração da Fundação Infantil Ronald McDonald, recordou alguns passos importantes ocorridos recentemente na história da instituição. Como a inauguração do novo espaço familiar no Hospital Dona Estefânia, que “representa um sonho muito antigo e um passo significativo no caminho que temos vindo a construir na saúde pediátrica em Portugal”, que vai permitir que os pais das crianças hospitalizadas possam descansar ou as crianças terem explicações a várias disciplinas.

O responsável enalteceu o trabalho dos “quase 500 voluntários” cujo empenho e entrega a esta causa social têm sido o verdadeiro carburante da instituição.

Pedro Bonvalot sustentou ainda que na Casa Ronald McDonald Portugal a família está sempre presente, sublinhando que o apoio e a proximidade da família têm um impacto direto no bem-estar e recuperação das crianças e jovens.

“Mais do que um lugar, as Casas Ronald McDonald, os espaços familiares e a sala de brincar oferecem às famílias o cuidado, o apoio e os recursos de que precisam incluindo: refeições, programas de bem-estar, e uma comunidade de apoio para que possam estar no centro do cuidado dos seus filhos”. Ademais, o apoio e a proximidade da família têm um impacto direto no bem-estar e recuperação das crianças e jovens.

Elogio da “proatividade” e do “humanismo”

Para Miguel Paiva, presidente do conselho de administração da ULS São José, uma criança ou jovem doente precisa da sua família perto. “Este espaço representa um compromisso reforçado com aquilo que verdadeiramente distingue uma instituição de saúde: a capacidade de cuidar além do ato clínico”.

O administrador hospitalar agradeceu o trabalho da Fundação, por ser “proativa” na antecipação dos problemas com que se deparam os familiares de crianças institucionalizadas nos serviços de saúde.

O responsável destacou a importância do voluntariado na área hospitalar: “São a extensão dos nossos cuidados no lado humanista, que transmitem às pessoas que vêm de longe o conforto de poderem ter uma vida ‘normal’” enquanto os seus filhos estão em tratamento nas unidades hospitalares.

Um trabalho “que muda vidas”

Carlos Moedas participou na iniciativa, conversando com os dirigentes e as famílias que ali residem para acompanhar as suas crianças e jovens doentes ou em tratamento hospitalar na Unidade Local de Saúde de São José, nomeadamente no Hospital Dona Estefânia, no Hospital de Santa Marta e na Maternidade Alfredo da Costa.

No breve discurso, o presidente da Câmara de Lisboa, a quem coube a tarefa de descerrar a placa com o novo nome da instituição, começou por agradecer com três palavras o trabalho desenvolvido pela instituição ao longo destes 25 anos de presença no país: “Obrigado, obrigado, obrigado!”.

O autarca destacou o “humanismo” que diariamente é levado a cabo na agora Casa Ronald McDonald Portugal, tendo sido um trabalho invisível, mas “que muda vidas”, algo que “não é para todos”.

Para Carlos Moedas, a forma abnegada e altruísta como os voluntários conseguem dar apoio aos familiares e aos pequenos doentes representam o lado mais belo e solidário do ser humano.

“Isto também é ser lisboeta. Sentir a alegria e as dores dos outros, ajudando-os com compaixão e entrega”.

Enquanto Instituição que trabalha lado a lado com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), a Casa Ronald McDonald Portugal ajuda as famílias a estarem presentes nos momentos mais difíceis, fornecendo os serviços essenciais que fortalecem as famílias e promovem o bem-estar quando uma criança ou jovem necessita de cuidados de saúde.

A Casa disponibiliza 10 quartos, uma ampla sala de estar, onde os utentes podem ler os livros que estão a à sua disposição ou simplesmente descansar, uma copa para os utentes cozinharem as suas refeições e sentirem “que estão em casa”. O objetivo, disse uma das responsáveis ao “OL”, é recriar um ambiente o mais parecido possível a uma casa “normal” para que os pais tenham um pouco de conforto e um sítio para onde possam regressar após acompanharem os doentes em tratamento.

Gratidão dos residentes  

Em declarações ao “OL”, A. Rodrigues, uma das mães que está a viver temporariamente na Casa, conta que está a viver no espaço desde o final de abril. Veio de Salvaterra de Magos para acompanhar a filha nos tratamentos a um calcanhar, na sequência de acidente de mota ocorrido no dia 25 de abril.

“A minha filha meteu o pé na roda da mota, conduzida pelo pai, e ficou sem parte do calcanhar. Já foi operada e, agora, estamos à espera de nova intervenção para voltar a ter mobilidade. Está internada no Hospital Dona Estefânia e estou aqui com ela para a poder levar de volta para casa”, narra.

A utente reconhece que a estadia na Casa tem sido de “uma grande ajuda” para ela e para os outros pais com quem partilha o espaço. Para além de se apoiarem mutuamente, têm a normalidade possível, dadas as circunstâncias, partilhando preocupações e momentos de dor, mas também de solidariedade e de convívio.

Esta mãe de Salvaterra de Magos reconhece que a existência desta instituição tornou possível poder estar ao lado da filha “neste momento tão delicado para toda a família”, mas acima de tudo, “para a minha filha saber que tem a mãe com ela numa situação tão difícil”.

A.Rodrigues considera que o projeto “é fantástico” porque recria “uma casa normal”, ainda para mais porque os voluntários “são muito humanos e deixam-nos à vontade”, admitindo que “seria impossível” pagar uma estadia num hotel (ou mesmo numa pensão) para acompanhar a filha nos tratamentos.

No final da conversa, abraça-se a uma outra senhora que está inconsolável e não para de chorar.

As inscrições para usufruir destas estadias na Casa Ronald McDonald são feitas nos hospitais, cabendo às instituições hospitalares fazerem a triagem e o encaminhamento para a instituição.

 

 

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