Lisboa apresenta programa diversificado para as Festas da cidade

Junho é sinónimo de festa em Lisboa. Com mais de 40 iniciativas agendadas, a capital portuguesa volta a celebrar os santos populares com um programa pensado para todos, e que vai, pela primeira vez, transcender as fronteiras de Lisboa, com um espetáculo transmitido para toda a Europa. É também este continente o grande protagonista das Marchas Populares de 2026, que desfilam sobre o tema ‘Somos Lisboa, Somos Europa’. 

A Praça do Munícipio foi o cenário da apresentação do programa das Festas de Lisboa, evento maior da cidade, e que, em 2026, vai trazer mais de 40 iniciativas culturais. Passando pelo cinema, exposições, visitas, oficinas, gastronomia, música, teatro e literatura, sem esquecer, claro, as tão esperadas Marchas Populares – que dão o pontapé de saída para o certame já na próxima semana, na MEO Arena-, os arraiais e os Casamento de Santo António.

“Hoje assinalamos o arranque das Festas de Lisboa de 2026 e com ele celebramos o início de um momento único para a cidade, onde se cruzam as várias vertentes da música, das artes plásticas, do teatro, do cinema, do desporto e toda a multiculturalidade”, começou por referir o presidente da Lisboa Cultura, Pedro Moreira, durante a apresentação, que contou ainda com momentos musicais de Irina Barros, Matias Damásio, Teresinha Landeiro (que interpretou a Grande Marcha de Lisboa 2026), Toy e a Orquestra de Câmara da GNR (que interpretaram o Hino da Alegria).

Programa multidisciplinar

Ao Olhares de Lisboa, o responsável acrescentou ainda que a programação das Festas de Lisboa 2026 “ é multidisciplinar, que conta com música clássica, jazz, pop, fado, as Marchas, os arraiais, ou os Casamentos; é uma programação muito extensa que vai tentar atingir o território da cidade de Lisboa, mas mais do que isso, tentar transportar um bocadinho de alegria para as Festas de Lisboa, para toda a cidade, e ainda procurar uma dinâmica bastante forte que nós temos dado à cidade em termos culturais, porque a cidade tem que se afirmar cada vez mais como capital europeia”.

Por isso, reforça, a Lisboa Cultura quer apostar na internacionalização, e para tal, vai transmitir, a 21 de junho, o Concerto para Piano de Tchaikovsky, interpretado pela Orquestra Gulbenkian – que acontece na Torre de Belém a partir das 20h30 -, para toda a Europa, através da RTP, que se associa ao canal ARTE/ZDF para levar este espetáculo a todo o continente.

O concerto tem como objetivo celebrar o Dia Europeu da Música, e acontece em simultâneo com outros países europeus, no âmbito da iniciativa Europiano. Sob direção do maestro Hannu Lintu e com a participação do pianista Bruce Liu, este concerto integra uma maratona de oito horas de grandes obras para piano da história da música, reunindo oito países e dez orquestras.

Marchas Populares apresentam-se no pavilhão já na próxima semana

É também a Europa que é o grande mote do tema deste ano das Marchas Populares de Lisboa, que têm como tema ‘Somos Lisboa, Somos Europa’. Este ano, as 23 marchas participantes vão exibir-se na MEO Arena nos dias 29, 30 e 31 de maio, e depois na Avenida da Liberdade na noite de 12 para 13 de junho. Todas as marchas participantes vão interpretar a Grande Marcha deste ano, ‘A Europa em Lisboa’, de José Quintela e João Filipe.

“O que temos aqui é uma competição intensa, as Marchas estão cada vez melhores, e eu acho que a questão aqui é dignificar a cidade de Lisboa e os seus bairros, e estou certo que vai ser algo bastante forte para a cidade. A Lisboa Cultura, em conjunto com a Câmara Municipal de Lisboa, tem feito um trabalho bastante extenso com os próprios bairros, para permitir sobretudo a notoriedade e a valorização da nossa cidade de Lisboa”, acrescentou ainda Pedro Moreira. “Temos trabalhado com eles no dia-a-dia, e uma coisa que muitas vezes as pessoas desconhecem é que é organizar as marchas populares e os arraiais, é um trabalho que começa no início do ano, e não só nesta altura”.

Por seu turno, Carlos Moedas, presidente da autarquia, considera que “as marchas representam Lisboa, mas representam também pessoas que têm vidas difíceis, mas que conseguem, através da paixão pela nossa cidade, mudar tudo pela paixão que têm por Lisboa. E é isso a nossa identidade, é essa a nossa alma. E hoje provámos isso aqui muito bem, o que é a alma de uma cidade incrível, de uma cidade aberta, que é bairrista, mas é também uma cidade que é África, que é Ásia, que é Brasil, que é Ucrânia e tudo juntos”.

Matias Damásio vai atuar na Torre de Belém

A programação das Festas de Lisboa gratuita e tem como um dos pontos altos o concerto do músico angolano Matias Damásio, a 26 de junho nos jardins da Torre de Belém, pelas 21h30, e que vai encerrar a programação das Festas. O concerto contará ainda com os convidados especiais Rita Guerra, Ivandro e Héber Marques e termina com um espetáculo de fogo de artifício. No entanto, e pela primeira vez, as Festas de Lisboa vão também estender-se ao Rock In Rio, que acontece no Parque Papa Francisco.

“Temos pessoas de 123 países diferentes a vir ao Rock In Rio, que passa por todos os públicos”, reforçou a presidente do festival, Roberta Medina. Para a responsável, o certame é importante para a economia da cidade, e vai contar com “15 mil pessoas a trabalhar ao longo dos quatro dias de festival. A cultura tem um impacto económico, o entretenimento mobiliza a cidade e, obviamente, traz alegria e manda uma mensagem tão importante nesse momento, mostrando que é possível juntar 100 mil pessoas em paz e harmonia, respeitando as nossas diferenças”.

Marcha vencedora vai novamente ao Rock In Rio

“Lisboa é uma cidade muito acarinhada pelos artistas. Se a gente olhar para a última edição, Ed Sheeran foi tocar no Castelo, o Pedro Sampaio esteve na praça, os Jonas Brothers andaram a semana inteira por Lisboa e não em qualquer cidade do mundo onde se pode fazer isso e não é qualquer cidade do mundo que acolhe os artistas com esse nível de liberdade, de carinho, onde eles se sentem em casa e à vontade para passear”. Roberta Medina anunciou ainda que, tal como na edição anterior, a marcha vencedora do concurso será convidada a estar presente no festival, bem como todos os noivos dos Casamentos de Santo António.

Por sua vez, Carlos Moedas lembrou que, há poucos anos, a apresentação das Festas de Lisboa faziam-se numa conferência de imprensa, sem qualquer contacto com o público. “Apresentar as Festas de Lisboa não é apresentar umas meras festas, porque as Festas de Lisboa são a nossa identidade. É quando Lisboa vai para a rua inteira, é quando Lisboa está naquilo que ela é: estar na rua, com as pessoas, com a alma viva”, disse o autarca, confiante de que a edição deste ano seja um sucesso.

“Lisboa deu muito à Europa”, diz Moedas

“Estamos aqui a festejar algo único nas nossas vidas: 40 anos na Europa. Em 1985 eu tinha 15 anos. Nessa altura, a inflação neste país estava a 20%. Ou seja, os preços aumentavam 20% todos os anos. Eu ia com a minha família para a Costa Alentejana e não havia saneamento básico, não havia esgotos. Cinquenta por cento das casas não tinham saneamento básico nem esgotos e a entrada na União Europeia mudou tudo. Em dez anos, a minha geração viu o país realmente mudar”.

“Nós demos muito à Europa”, sublinhou, no entanto, Moedas, citando uma conversa que teve o ex-presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker, que lhe dizia: “Lisboa deu muito à Europa porque Lisboa ama a diferença. Nós somos um povo que ama a diferença, que ama o outro como ele é”. “Lisboa é uma cidade de alegria, e isso é muito importante na vida de uma cidade. Uma cidade vive disso, mas vive sobretudo desta união que este tipo de festas criam, que é uma união de todos e com todos. Aqui não há fricção. Aqui são os lisboetas, unidos por uma cidade que hoje está num dos seus melhores momentos”, reforçou o autarca da capital aos jornalistas no final da apresentação.

Autarca de Lisboa já convidou António José Seguro para o desfile das Marchas

Questionado sobre se vai convidar o Presidente da República, António José Seguro, a marcar presença na Avenida da Liberdade, para assistir ao desfile das Marchas, Moedas respondeu afirmativamente, “porque é um momento importantíssimo para o país. Já enviei o convite ao senhor Presidente da República, e também já lhe enviei uma mensagem, porque é muito importante que ele esteja conosco naquela noite, ele e a mulher dele, porque é importante ter o Presidente da República e a Primeira Dama num momento em que os reis e as rainhas da cidade não são, de facto, o Presidente nem a Primeira Dama, mas sim os lisboetas”.

Carlos Moedas tem marcado presença nos ensaios de todas as marchas que vão a concurso e revelou que, nestas visitas encontra “gente fantástica, com um acolhimento excelente. É nos bairros municipais que eu me sinto bem e é onde passo as minhas sextas-feiras”. Para 2026, disse ainda o presidente, o orçamento para as Marchas subiu de um milhão de euros para um milhão e meio de euros. No mesmo evento, foram apresentadas as cinco sardinhas vencedoras do concurso anual promovido pela Lisboa Cultura.

Concurso das Sardinhas recebeu mais de três mil candidaturas

De acordo com o presidente desta empresa municipal, “a edição deste ano foi amplamente concorrida, com mais de três mil propostas, de mais de 1.700 autores, oriundos de todos os países do mundo – 66 no total -, para verem até onde chega a internacionalização das nossas Festas”. O Concurso Sardinhas 2026 teve como mote o tema “Qual é a tua história?”.

Os vencedores são Eduardo Ferrão (Brasil) com o trabalho ‘Bolo de Arroz’, que junta dois símbolos das tradições de Lisboa, a sardinha e o bolo de arroz das pastelarias de bairro; Helder Teixeira Peleja (Portugal), com uma ‘Sardinha Guitarrista’, com a guitarra portuguesa abraçada ao peito, homenageando os músicos que dão ritmo ao coração de Lisboa.

Os outros dois vencedores da 16ª edição deste concurso foram ainda Hogue (Uruguai), com ‘Tomatazo’, uma forma de mostrar desaprovação por um espetáculo de teatro ou por um discurso político; Letícia Amaral Araújo (Brasil/Portugal), com ‘O Telefone das Cuscusvilheiras’, que faz uma sátira à vida de bairro portuguesa, onde duas senhoras à janela transformam o estendal num verdadeiro “telefone de lata” da vizinhança; e Martin Narciso (Portugal), que apresentou ‘Património Fragmentado’, uma sardinha que reflete a fragilidade do património cultural português através do simbolismo dos azulejos tradicionais.

Concertos no Castelo e Cineconchas são outras das sugestões do programa

Os cinco autores vencedores têm idades compreendidas entre os 21 e os 72 anos. No próximo fim de semana, para além das Marchas, haverá 15 Arraiais Populares, distribuídos por oito freguesias. Para além dos Casamentos, que vão unir 16 casais, em cerimónias civis e religiosas nos Paços do Concelho e na Sé, o Santo António será também o protagonista dos Tronos, da Corrida e da Trezena. O Castelo de São Jorge será novamente palco de um concerto que vai trazer nomes como Pedro Moutinho, que se junta a Sofia Hoffmann, no dia 5 de junho.

A dupla vai partilhar fados e outras canções, desde o jazz à música clássica indiana. No dia seguinte, 6 de junho, Gisela João convida o grupo coral Fio à Meada, fundindo o Fado com outras linguagens. Destaque ainda para o Cineconchas, que leva cinema ao ar livre para famílias nas noites de verão, no Jardim da Quinta das Conchas; e para o Dia da Marinha do Tejo que enche o rio de embarcações típicas, mantendo viva a ligação das comunidades ribeirinhas ao rio.

Todos os espaços culturais da cidade geridos pela Lisboa Cultura/EGEAC, tais como monumentos, museus, teatros, galerias e cinemas, vão estar de portas abertas com dezenas de propostas. Por fim, e numa dimensão mais internacional, as Festas de Lisboa contam também com a Festa da Cultura Coreana, o Festival Bollywood Holi e Mercado da Índia, o Thai Festival, o Arraial Alemão e o Arraial Austríaco. O programa completo das Festas pode ser consultado no site da Lisboa Cultura.

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