Lisboa deu a conhecer os 16 casais de Santo António 

Lisboa começou hoje a celebrar uma das suas mais populares tradições, os Casamentos de Santo António. Provenientes de um total de 11 freguesias, os 16 casais selecionados apresentam uma diversidade que espelha a riqueza social e cultural da cidade. Embora na sua maioria sejam portugueses, estão representadas mais seis nacionalidades.

A apresentação pública dos casais selecionados é um momento simbólico que assinala o início de uma jornada única para os noivos que irão dizer o “sim” mais esperado da cidade no próximo dia 12 de junho.

Nesta 28.ª edição foram recebidas 41 candidaturas – o número mais elevado das últimas quatro edições -, “refletindo o entusiasmo e a relevância crescentes em torno desta iniciativa” da Câmara Municipal de Lisboa, organizada e produzida pela EGEAC – Lisboa Cultura. Após o processo de seleção, foram escolhidos 16 casais, com idades compreendidas entre os 27 e os 51 anos.

Provenientes de um total de 11 freguesias, os casais selecionados apresentam uma diversidade que espelha a riqueza social e cultural da cidade: embora na sua maioria sejam portugueses, estão representadas mais seis nacionalidades (alemã, argentina, brasileira, chilena, colombiana e venezuelana), assim como uma ampla variedade de profissões, entre professores, estudantes, investigadores, engenheiros, assistentes operacionais e militares.

A apresentação dos casais de Santo António 2026 realizou-se hoje, dia 13 de maio, no Museu de Lisboa – Palácio Pimenta, no Campo Grande, e contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e o presidente da EGEAC, Pedro Moreira. A cerimónia, conduzida por Serenella Andrade e Tiago Goes Ferreira., reuniu igualmente parceiros e patrocinadores que anualmente se juntam a esta iniciativa e tornam possível a sua realização.

Tradição levada a cabo desde 1958

Sob o mote “Noivado assumido, casamento decidido!”, este momento marca oficialmente o compromisso dos noivos, dando início à contagem decrescente para o grande dia, numa celebração dividida entre a Sé de Lisboa e o Salão Nobre dos Paços do Concelho.

Com quase setenta anos, a tradição dos Casamentos remonta ao dia 13 de junho de 1958, data em que se realizou a primeira edição, à época com o nome “Noivas de Santo António”, juntando 36 casais. O evento foi depois interrompido em 1974, na sequência da Revolução de Abril, e retomada em 1997, pela Câmara Municipal de Lisboa, assumindo o nome de Casamentos de Santo António e passando a incluir, além da cerimónia religiosa, os casamentos civis. Desde então, realizaram-se 431 casamentos, 296 religiosos e 135 civis.

Casamentos traduzem a alma de Lisboa

Para Carlos Moedas, poucas tradições traduzem tão bem a alma e história da cidade de Lisboa como os Casamentos de Santo António, pois traduzem a diversidade de que Lisboa é fiel reflexo, uma cidade que, antigamente, “tinha muçulmanos, judeus, cristão, e todos conviviam cordialmente”, e que, hoje, tem casais de vários países que serão oficialmente “novos lisboetas”, após o casamento segundo as tradições alfacinhas. “Tudo isto é Santo António! É esta diversidade da nossa cidade que nos dá tanta força”.

O autarca reiterou que os Casamentos de Santo António farão destes moradores “os novos embaixadores da cidade de Lisboa”, prometendo “arranjar uns cartões de visita de ‘embaixadores’” aos casais que contraírem matrimónio sob a tutela de Santo António. “Vocês merecem, porque têm uma paixão comum pela nossa cidade”, justificou, acrescentando que “a paixão” é extensível a Santo António, “um homem que pode ser considerado o primeiro português europeu”, nascido em Lisboa, mas que se aventurou a conhecer a Europa e o globo “mudando a história do mundo”, segundo o edil de Lisboa.

“A mudança do mundo foi feita à custa daquilo que Santo António representava: a humildade; fazer valer mais as ações de que as palavras; ser verdadeiramente lisboeta, que é estar ali para ajudar o outro”, defendeu Moedas, acrescentando que, a partir do matrimónio, também os casais serão representantes do santo lisboeta.

De acordo com o autarca, os Casamentos são um momento em que a cidade se junta para celebrar o amor, o compromisso e o futuro dos casais. “Os Casamentos de Santo António não são, por isso, apenas uma cerimónia. São mais do que isso: são um gesto de partilha. Um gesto que nos diz que o amor merece ser celebrado com alegria e partilhado com toda a cidade. É um momento que nos faz dizer, com orgulho, que os casais de Santo António vivem o dia mais importante das suas vidas tendo toda a cidade como testemunha”.

“Em Lisboa somos únicos também nisto: no modo como fazemos da celebração do amor um momento fundamental da vida da cidade. Este momento renova-se todos os anos, sempre com novos protagonistas que fazem de Lisboa o palco das suas vidas. Convido-vos a fazer parte desta história. Convido-vos a celebrar o vosso grande dia com a cidade que viu nascer e crescer Santo António. Celebrar-vos será também celebrar Lisboa. Aqui estaremos para o fazer convosco”, conclui Moedas.

Diversidade e inclusão nas tradições da cidade

O presidente da EGEAC, por seu turno, sublinhou que a apresentação oficial dos Casamentos de Santo António simboliza uma das páginas “mais bonitas na história da cidade de Lisboa”, celebrando o início de uma história comum que ficará selada “pelo compromisso, o afeto e a esperança”.

A apresentação dos noivos representa também Lisboa “como uma cidade que sabe acolher, e, ao mesmo tempo, sabe renovar-se através dos percursos de quem nela habita, trabalha e a visita”.

Para Pedro Moreira, os noivos de Santo António traduzem a “diversidade”, em que se reconhece a “beleza da nossa cidade”, sendo eles os “embaixadores desta Lisboa viva e humana”, uma cidade que se revê “nos seus bairros, tradições e na sua memória coletiva”.

Em jeito de desejo, o responsável pediu aos noivos que, pelo menos, “cheguem aos 31 anos de casamento”, conforme a sua experiência matrimonial, e que o início deste percurso a dois “seja vivido com alegria, serenidade e confiança”.

Pedro Moreira disse ainda que os Casamentos de Santo António continuam a ser um dos símbolos “mais inspiradores da cidade de Lisboa”, constituindo um marco que encarna toda a beleza da cidade.

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