O legado do médico João Lobo Antunes está agora imortalizado em Lisboa, na freguesia do Lumiar, com a inauguração do topónimo Rua João Lobo Antunes (1944-2016). Com a inauguração do topónimo Rua João Lobo Antunes, na Alta de Lisboa, o Município sustenta que presta homenagem a um dos mais prestigiados neurocirurgiões portugueses e mundiais, falecido em Lisboa a 27 de outubro de 2016.
Na cerimónia, realizada no dia 14 de maio, no Lumiar, os familiares presentes recordaram o “menino nascido e criado em Benfica, mas, apesar disso, um sportinguista feroz e ansioso. O único dos seis irmãos, porque os outros eram todos benfiquistas”.
A também médica Maria do Céu Machado, que foi casada com Lobo Antunes, manifestou a certeza que “ele gostaria da localização desta rua”, num bairro novo, com gente jovem, rodeada por residências universitárias. “Ele também gostaria da companhia, porque as ruas circundantes, estas novas ruas, neste novo bairro, têm nomes que conheceu e de quem era amigo, como Nuno Teotónio Pereira, Pina Bausch, David Mourão Ferreira”.
O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, sublinhou que “homenageamos não só um dos nossos melhores, mas também alguém que foi um lisboeta de gema”, assinalou
João Lobo Antunes nasceu, cresceu, estudou e deu aulas em Lisboa. “Foi quem acabou Medicina com a melhor média de sempre na faculdade. Foi o melhor cirurgião, que aprendeu os melhores do mundo nos Estados Unidos”, acrescentou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
Para o autarca, o trajeto profissional do neurocirurgião, irmão do escritor António Lobo Antunes, “demonstra que foi sempre sinónimo de excelência”, num percurso “que demonstra também que aqui em Lisboa e em Portugal, temos os melhores do mundo”.
Brilhante e revolucionário na medicina mundial
João Lobo Antunes, nasceu em Lisboa a 4 de junho de 1944. Licenciou-se em Medicina, na Universidade de Lisboa com a média final de 19,47 valores, o que destacou o seu brilhantismo académico e potencial como médico e cientista.
Prosseguiu a sua formação nos Estados Unidos da América, onde trabalhou durante 13 anos na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, uma das mais respeitadas instituições na área, sendo nomeado professor associado de Neurocirurgia.
Em 1983, doutorou-se em Medicina na Universidade de Lisboa. Nesse ano, foi o primeiro médico na história a implantar um olho eletrónico num cego, um marco pioneiro e revolucionário na neurocirurgia e tecnologia médica que contribuiu para o avanço das soluções tecnológicas na medicina e consolidou o seu prestígio como um dos neurocirurgiões mais notáveis da sua época, influenciando as gerações futuras de médicos e cientistas.
Em 1990, foi nomeado vice-presidente para a Europa da Federação Mundial das Sociedades de Neurocirurgia (World Federation of Neurosurgical Societies — WFNS), e em 1999, foi eleito presidente da Sociedade Europeia de Neurocirurgia (European Association of Neurosurgical Societies – EANS).
Entre 1996 e 2003, presidiu ao Conselho Científico da Faculdade de Medicina de Lisboa, desempenhando um papel central na orientação académica e científica da instituição, enquanto, em 2000, assumia a presidência da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa.
Em 2006, João Lobo Antunes assumiu a presidência da Academia Portuguesa de Medicina, integrando também o Conselho Consultivo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), onde teve um papel fundamental na promoção da cooperação científica e cultural entre Portugal e os Estados Unidos. Paralelamente, foi membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, entidade consultiva responsável por analisar questões éticas relacionadas com a ciência e a saúde, contribuindo de forma significativa para o debate bioético em Portugal.
Prémio Pessoa 1996
A excelência e o mérito de João Lobo Antunes foram reconhecidos ao longo da sua carreira, com várias distinções, entre as quais o Prémio Pessoa em 1996, pelo seu contributo intelectual e científico, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique em 2004, a Grã-Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada em 2014, por ocasião da sua última aula “Uma vida examinada”, o Prémio Nacional de Saúde em, 2015, pelo seu impacto no prestígio internacional do sistema de saúde português, e, em 2016, a Grã-Cruz da Liberdade, sublinhando o impacto profundo da sua obra na sociedade.
É o reconhecimento de uma vida dedicada à medicina, à investigação, à docência e ao pensamento, num percurso de excelência e compromisso com o serviço público.
João Lobo Antunes nasceu em Lisboa a 4 de junho de 1944 e cresceu na freguesia de Benfica. Formou-se em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, onde anos depois seria professor catedrático. Especializou-se em Neurocirurgia nos Estados Unidos, país no qual viveu entre 1971 e 1984, regressando depois a Lisboa.
Faleceu a 27 de outubro de 2016, tinha 72 anos.








