Esta semana há um novo capítulo nos protestos contra a proposta do Governo para rever as leis do trabalho. Na quarta-feira, 3 de junho, a greve-geral convocada pela CGTP ameaça paralisar o país, ou pelo menos parte dele. Convocada pela CGTP-IN, a paralisação conta com o apoio de vários sindicatos associados à UGT. Prevê-se uma forte adesão com perturbações significativas em várias frentes, nomeadamente transportes (Comboios, metros e autocarros deverão sofrer graves supressões), Educação, Saúde, Tribunais e Serviços Públicos.
A paralisação convocada para quarta-feira (3 de junho) pela CGTP-IN tem reunido cada vez mais apoiantes, designadamente de sindicatos afectos à UGT, neste novo capítulo nos protestos contra a proposta do Governo para rever as leis do trabalho. Esta greve-geral, convocada pela CGTP, ameaça paralisar o país, ou pelo menos parte dele.
Vários sindicatos aderiram à greve geral convocada para esta quarta-feira, 3 de Junho, num protesto contra a revisão da lei laboral proposta pelo Governo. A paralisação promete ter um forte impacto em Lisboa, afectando múltiplos sectores de actividade. As maiores perturbações farão sentir-se nos transportes, com a interrupção da circulação do Metro e perturbações sentidas na CP, na Carris e na TAP. Mas a paralisação estende-se também à higiene urbana, saúde, equipamentos culturais e escolas.
Ao longo das últimas semanas, vários sindicatos associados à UGT têm vindo a declarar a sua adesão à greve geral de 3 de Junho, convocada pela CGTP-IN. Um dos casos é o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA/UGT), que apelou à adesão de todos os trabalhadores, “independentemente do sector onde trabalham, da sua profissão ou da sua idade, que adiram à Greve Geral de 3 de Junho. Que mostrem que os trabalhadores não estão dispostos a aceitar medidas que consideram prejudiciais aos seus direitos e ao seu futuro”.
Por seu turno, o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR/UGT) afirma que “não pode deixar de estar de acordo com os motivos da greve geral do próximo 3 de junho, sublinhando que as enfermeiras e enfermeiros têm todo o direito a paralisar nesse dia”.
Também o Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia (SINDEFER/UGT), o Sindicato dos Trabalhadores do Sector de Serviços (SITESE/UGT), Sindicato da Marinha Mercante, Indústrias e Energia (SITEMAQ/UGT), o Sindicato de Professores, de Técnicos Superiores, de Assistentes Técnicos e Operacionais (SINAPE/UGT), manifestaram a sua adesão.
Também vários sindicatos independentes, sem filiação a qualquer central sindical, estão a mobilizar para a luta contra o pacote laboral de 3 de Junho, como é o caso do Sindicato dos Maquinistas (SMAQ), o Sindicato dos Jornalistas (SJ), o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), o Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos (SITEU), a Associação Sindical dos Profissionais da Policia (ASPP), o Sindicato Independente do Serviço Comercial (ASSIFECO), o Sindicato Nacional de Profissionais de Seguros e Afins (Sinapsa), o Sindicato Nacional de Quadros Técnicos, o Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP) e o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD (STEC).
Lisboa sem transportes
Os trabalhadores portugueses levam a cabo a segunda greve geral contra a reforma da lei do trabalho que o Governo está a promover. A paralisação foi convocada pela CGTP e anunciada, simbolicamente, nas comemorações do Primeiro de Maio, tendo, entretanto, vários sindicatos setoriais já mostrado o seu apoio. Antecipa-se, assim, que serão impactados, por exemplo, os transportes, as escolas, os hospitais e até alguns call centers.
A CP já anunciou que prevê perturbações na circulação, com possíveis impactos no dia 2 e no dia 4, “por motivo de greve convocada pelos sindicatos SFRCI, SMAQ, ASCEF, ASSIFECO, FECTRANS/SNTSF, FENTCOP, SINDEFER, SINFA, SINFB, SINTTI, SIOFA, STF e SNAQ“.
Já no transporte aéreo, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroporto (SITAVA), que representa o pessoal de terra, foi o primeiro a indicar a adesão à greve geral. A estrutura ressalvou, porém, que os trabalhadores vão assegurar os serviços mínimos indispensáveis, incluindo voos urgentes por razões de segurança, voos ambulância, emergências em voo, voos de Estado e voos militares.
Entretanto, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), que representa os tripulantes de cabine, já aprovaram com uma larga maioria a adesão à greve geral convocada pela CGTP para o dia 3 de junho.
Assim, poderão ser registados constrangimentos na operação da TAP, Portugália, SATA, e de outras companhias com bases em Portugal, como a easyJet ou Ryanair. No total, o SNPVAC contabiliza “mais de 500 voos programados” para o dia da greve geral, sendo que a paralisação “irá afetar também os dias anteriores e subsequentes”, afirma num comunicado enviado aos associados.
Em contraste, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) decidiu, desta vez, não aderir à greve geral. “A primeira greve geral foi oportuna. Marcámos uma posição, tanto os pilotos como os trabalhadores de todo o país, contra o pacote laboral”, começou por referir o presidente da estrutura. A greve da próxima semana “não parece ter o timing mais adequado”, acrescentou.
Ainda nos transportes, os trabalhadores da Carris e da Carristur anunciaram que vão aderir à greve geral contra o pacote laboral convocada pela CGTP. Manuel Leal, do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), explicou ter ficado decidido, em plenário, a adesão, com a concordância de todas as estruturas sindicais representativas dos trabalhadores da Carris e Carristur.
Saúde e educação
A greve geral deverá ter impacto também entre quem trabalha no setor da saúde e no setor da educação. No que diz respeito ao primeiro, há a notar que o Sindicato dos Médicos do Norte, filiado na Federação Nacional dos Médicos, já informou que vai aderir à paralisação convocada pela CGTP em protesto não só contra a reforma laboral, mas também contra o agravamento das condições no Serviço Nacional de Saúde.
Também o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) já fez saber que se vai juntar ao protesto. A paralisação de enfermeiros vai realizar-se entre as 00h00 e as 24h00 de 3 de junho, podendo ter efeitos no dia anterior devido ao início do turno da noite, sendo assegurados os serviços mínimos.
Já na educação, a Fenprof avançou também com um pré-aviso de greve para 3 de junho. José Feliciano da Costa, um dos secretários-gerais desta estrutura que representa os professores, defendeu que “o processo de revisão da legislação laboral que está a acontecer é agressivo” e sublinhou que os docentes “também estão na greve em luta pela escola pública e pela valorização da carreira“.
Também o Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) já indicou que se vai juntar à greve geral contra o pacote laboral, sendo que o pré-aviso que entregou abrange docentes e investigadores das universidades, institutos politécnicos, escolas superiores não integradas e institutos de investigação.
O Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações e Comunicação Audiovisual (STT) emitiu um pré-aviso de greve, considerando “inaceitável” que, enquanto os “grupos económicos acumulam lucros e expandem os seus negócios, os trabalhadores sejam empurrados para a precariedade”.








