Câmara de Almada tenciona abrir novos furos para afrontar falhas de água no concelho

Câmara e SMAS de Almada apresentaram um pedido de desculpas à população pelas falhas no abastecimento de água no concelho. A autarquia constituiu um Gabinete de Crise para mitigar a falta de água que se faz sentir nas torneiras do território. “Movimento pelo Futuro da Costa” apela à compensação de consumidores afetados pela crise da água em Almada e assume que a luta só termina “quando todos tiverem água nas torneiras”.

Na sequência das diversas falhas registadas na rede de abastecimento de água no Município de Almada, os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada (SMAS Almada) e a Câmara Municipal de Almada apresentaram “um pedido de desculpas a todos os munícipes pelos constrangimentos e transtornos causados”, reconhecendo “o impacto que estas ocorrências têm no dia a dia das famílias, das empresas e das instituições e lamentamos profundamente os incómodos provocados”.

Em comunicado enviados às redações, assinado pela CMA e os SMAS, as autoridades municipais justificam as falhas no abastecimento de água pelo “aumento excecional do consumo de água registado nos últimos meses, associado a uma pressão sem precedentes sobre a rede de abastecimento”, mas garantem que os SMAS Almada “ativaram o respetivo Plano de Contingência, reforçando a monitorização permanente da rede e implementando um conjunto de medidas extraordinárias destinadas a garantir a continuidade do abastecimento de água à população”.

Segundo as entidades municipais, os dados registados “evidenciam uma situação verdadeiramente excecional, que exige uma resposta imediata, coordenada e articulada entre os diferentes serviços municipais”.

Neste contexto, “foi constituído um Gabinete de Crise, liderado pelo presidente do conselho de administração dos SMAS Almada, Luís Palma, integrando diferentes serviços dos SMAS Almada e da Câmara Municipal de Almada, podendo ser alargado a outras entidades sempre que a evolução da situação o justifique”.

De acordo com o comunicado, compete a este Gabinete acompanhar permanentemente a evolução da situação, avaliar a eficácia das medidas já implementadas e definir novas ações que contribuam para a mitigação dos impactos e para a normalização do abastecimento.

O atual contexto meteorológico, marcado por temperaturas persistentemente muito elevadas desde o mês de maio, “tem provocado um aumento muito significativo do consumo de água, colocando uma pressão acrescida sobre o sistema de abastecimento”.

A CMA sublinha que “desde o início do mandato têm vindo a ser desenvolvidas diversas medidas para reforçar a resiliência da rede, reduzir perdas e aumentar a capacidade de resposta dos serviços.”

Nos primeiros seis meses de mandato, “foi possível reduzir para cerca de metade as perdas de água provocadas por ruturas, apesar da elevada antiguidade de uma parte significativa das infraestruturas”. Em paralelo, conseguiu-se o reforço e monitorização da rede “através da utilização de diferentes tecnologias, incluindo inspeção interna das condutas, drones e análise de dados de satélite através do programa Copernicus”.

A análise dos consumos permitiu igualmente identificar alterações muito significativas nos padrões de utilização da água. Enquanto algumas zonas registaram uma diminuição do consumo, noutras verificou-se um aumento muito expressivo que não teve correspondência na faturação, indiciando situações de utilização irregular da rede. Em resposta, foram constituídas equipas conjuntas dos SMAS Almada e da Câmara Municipal de Almada que já se encontram no terreno, desenvolvendo ações de fiscalização e sensibilização, incluindo intervenções porta a porta nas zonas mais críticas.

Foi igualmente reforçada a articulação com as Juntas de Freguesia, envolvendo-as neste esforço comum de acompanhamento da situação e de apoio às populações.

Ao nível estrutural, foram iniciados contactos com as Águas de Portugal para avaliar soluções que permitam reforçar a redundância do sistema de abastecimento, quer através da margem norte, quer através de interligações com sistemas dos municípios vizinhos que dispõem de maior disponibilidade de recursos hídricos subterrâneos.

Foram também analisados os estudos técnicos em desenvolvimento sobre os recursos hídricos da região, que constituem um importante suporte científico para a definição das soluções de médio e longo prazo.

Novos furos para afrontar falhas de água

Em paralelo, decorrem diligências junto da Agência Portuguesa do Ambiente para que “os licenciamentos de novos furos de captação possam ser autorizados com carácter de urgência”, por constituírem a solução mais rápida para reforçar a disponibilidade de água nas atuais circunstâncias.

“Está igualmente a ser assegurada uma monitorização permanente dos equipamentos mais críticos e sensíveis do concelho”, de modo a garantir a continuidade do abastecimento de água às unidades de saúde, estruturas residenciais para pessoas idosas, equipamentos sociais e outras infraestruturas essenciais que acolhem as populações mais vulneráveis.

No âmbito das medidas já implementadas, encontra-se em curso uma redução da pressão da água na rede entre as 00h00 e as 06h00 em todo o território do Município de Almada.

“Sempre que se revele necessário, serão igualmente posicionados camiões-cisterna nas zonas mais críticas e junto de clientes sensíveis, garantindo uma resposta rápida às situações de maior exigência”, defende a CMA.

Prosseguirão ainda as ações conjuntas de fiscalização entre os SMAS Almada e a Câmara Municipal de Almada em todo o concelho, com especial incidência nos locais onde se registam consumos anormais e não faturados, particularmente nas freguesias da Charneca de Caparica, Sobreda e Costa de Caparica.

No âmbito da gestão solidária e rotativa da rede, os SMAS Almada procurarão comunicar antecipadamente à população todas as interrupções programadas no fornecimento de água, sempre que tal seja operacionalmente possível.

Será igualmente realizada uma avaliação interna para verificar se todas as medidas de preparação para o período de verão foram adequadamente implementadas, retirando as conclusões necessárias para reforçar ainda mais a capacidade de resposta.

Neste momento, “a prioridade absoluta é reduzir ao mínimo possível os constrangimentos no abastecimento de água”.

“Todas as equipas dos SMAS Almada e da Câmara Municipal de Almada encontram-se totalmente mobilizadas para esse objetivo, prosseguindo um trabalho permanente de monitorização, intervenção e procura de soluções, assegurando uma comunicação transparente, rigorosa e contínua com a população”, reforça.

Os SMAS Almada e a Câmara Municipal apelam ainda à colaboração de todos os munícipes para uma utilização responsável da água, evitando consumos não essenciais durante este período particularmente exigente.

“A cooperação de todos será determinante para preservar este recurso essencial, reduzir a pressão sobre o sistema de abastecimento e ultrapassar, em conjunto, esta situação excecional”.

MFC promete lutar até todos terem água nas torneiras

O Movimento Futuro da Costa (MFC) considera que a prioridade do momento deve ser encontrar soluções para os milhares de cidadãos afetados pelas sucessivas falhas no abastecimento de água no concelho de Almada.

“Nos últimos dias assistimos a uma sucessão de moções, comunicados e acusações entre forças políticas. Cada partido é livre de assumir as posições que entender. Contudo, importa perguntar: de que forma é que isso ajuda quem continua sem água nas torneiras? A água não tem cor política. A resposta a esta crise também não a deve ter”.

Este movimento de cidadania não dispõe de representação na Câmara Municipal nem na Assembleia Municipal, pelo que não pode apresentar propostas formais àqueles órgãos. Contudo, lembra que “os partidos que aí têm assento podem fazê-lo.”

Por esse motivo, “o MFC lança um apelo ao PS, PSD, CHEGA e CDU para que coloquem, neste momento, os interesses das populações acima das divergências partidárias e trabalhem em conjunto na aprovação de uma medida extraordinária de compensação para os consumidores afetados pelas sucessivas interrupções do abastecimento de água”.

Para o MFC, entre as soluções a considerar poderão estar a “redução extraordinária da tarifa da água para os consumidores afetados; compensações proporcionais à duração e frequência das interrupções; medidas específicas de apoio ao comércio, restauração, IPSS e demais entidades particularmente prejudicadas”.

O MFC assume que efetuou uma análise preliminar da viabilidade desta medida e considera que “é possível encontrar uma solução equilibrada e financeiramente responsável”.

Nesse sentido, manifesta desde já “total disponibilidade” para colaborar tecnicamente com todas as forças políticas na construção desta proposta, independentemente da sua autoria.

Neste momento, “os cidadãos esperam menos confrontação política e mais capacidade de entendimento”.

O MFC assume que “continuará a fazer aquilo que prometeu desde o primeiro dia: apresentar propostas, fiscalizar a ação pública e colaborar sempre que estejam em causa os interesses da Costa da Caparica e de todo o concelho de Almada”, uma vez que “esta luta só termina quando todos tiverem água nas torneiras”, conclui.

Junta e Bombeiros distribuem água à população

Segundo a Junta de Freguesia da Costa da Caparica, no dia de hoje, os Bombeiros Voluntários de Cacilhas estão a disponibilizar água à população na sequência das sucessivas falhas no abastecimento de água no território.

A disponibilização de água no quartel dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas dá-se em articulação com a Junta de Freguesia da Costa de Caparica. Ao dispor dos moradores estão nove mil litros de água armazenada num tanque dum veículo de combate a incêndios.

Numa publicação nas redes sociais  e site oficial da Junta de Freguesia, esclarece-se que “todos os munícipes que necessitem de água podem dirigir-se ao Quartel dos Bombeiros da Costa da Caparica, onde estará disponível o respetivo abastecimento”.

“Apelamos à compreensão e à utilização responsável deste recurso, dando prioridade a quem dele mais necessita. Esta água é para uso higiénico e não para consumo”, sublinha a autarquia, reiterando que continuará a acompanhar a situação e a prestar novas informações “sempre que se justifique”.

Os problemas mais recentes com o abastecimento de água no concelho já decorrem há pelo menos quatro dias, em plena onda de calor, afetando principalmente a Costa da Caparica.

Nr: Artigo atualizado pelas 19h20 de 07 julho 2026

Foto: CMAlmada

 

 

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