No âmbito do lançamento da primeira pedra do novo edifício académico da Universidade Atlântica, em Oeiras, o presidente da instituição de ensino anunciou que Isaltino Morais vai ser agraciado com o grau de Doutor Honoris Causa desta universidade. O autarca enalteceu o papel do atual presidente do conselho de administração da Atlântica na manutenção de uma instituição de ensino a quem muitos já vaticinavam a morte anunciada. O autarca considerou o espanhol Carlos Guillén como “cidadão emérito” de Oeiras.
A Atlântica – Instituto Universitário, situada na Fábrica da Pólvora de Barcarena, deu início da expansão do seu campus com a cerimónia de lançamento da primeira pedra do novo edifício académico.
A cerimónia, realizada no dia 8 de julho, contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, e marca o arranque de uma infraestrutura que irá reforçar em cerca de 40% a capacidade instalada da instituição, criando novas condições para o ensino, investigação e vivência académica.
Com cerca de 3.200 metros quadrados, o novo edifício irá integrar salas de aula, laboratórios, espaços de estudo e áreas multiusos, destacando-se ainda a criação de um laboratório de simulação de última geração, equipado com tecnologias de realidade aumentada e experiências imersivas de simulação avançada.
Carlos Guillén, presidente do conselho de administração da E.I.A. — Ensino, Investigação e Administração S.A, sociedade que detém a instituição de ensino, começou por anunciar que o presidente da Câmara Municipal de Oeiras vai receber da Atlântica o grau de Doutor Honoris Causa. A cerimónia está agendada para o dia 8 de novembro de 2026, nas instalações da instituição, precisamente no dia em que a Atlântica cumprirá o seu 30º aniversário.
Com um discurso descontraído, Carlos Guillén sublinhou que a consagração de Isaltino Morais com este título honorífico peca por ser tardia. “Já o merece há mais de 30 anos”, justificou o académico e administrador da instituição, enaltecendo o papel do Município de Oeiras em todo o processo de instalação da instituição de ensino no concelho, e que “continua a colaborar e ajudar até aos dias de hoje”.
O responsável, que é espanhol, citou um ditado do seu país para relevar o papel do autarca no apoio à Atlântica e o seu trabalho em prol da comunidade: “Em Espanha dizemos que ‘é bem – nascido quem é agradecido’. E eu sou bem-nascido e muito agradecido, porque (Isaltino Morais) é um verdadeiro senhor em toda a ascensão da palavra. É sábio, proativo, empático, mas, acima de tudo, é muito boa pessoa”, declarou Carlos Guillén, assumindo “ser uma honra” estar ao lado do autarca para lançar a primeira pedra do novo edifício da Atlântica.
Espaço para 1200 alunos
O responsável sublinhou que o novo edifício, dedicado à investigação e à docência, vai ter capacidade para acolher 1200 alunos, divididos em dois turnos de aulas.
Carlos Guillén assevera que o edifício, rodeado de jardins, será “algo espetacular”, abrindo a porta para um incremento da “qualidade de ensino” da instituição e o “crescimento da universidade” num concelho “que adoramos”, cujo grosso dos alunos provém de Oeiras, mas cujas instalações “já estavam a ficar pequenas” para responder à estratégia de crescimento preconizada pela administração da universidade.
Com a abertura do novo edifício, a Atlântica “vai abrir-se para o mundo”, sublinhou o administrador, explicando que a instituição vai promover “todos os graus de conhecimento académico”, desde licenciaturas, pós-graduações e doutoramentos, destacando o reconhecimento que a Atlântica tem no mundo da academia, principalmente nas áreas das engenharias e da saúde.
“Há tempos, numa conferência no Porto, o ministro da Educação relevou várias universidades públicas (do Porto e do Minho) e destacou a Universidade do Porto e a Atlântica, sobretudo na área da Saúde, que pôs em 2º lugar apenas atrás da UP. Fiquei impactado com as afirmações do ministro, olhando para ele, mas o ministro repetiu a informação, dirigindo-se a mim… Este reconhecimento é fruto de um trabalho e esforço que tem sido feito ao longo de muitas anos pela nossa universidade”, anotou Carlos Guillén.
Ultrapassar o caminho das pedras
Por seu turno, Isaltino Morais lembrou que, desde a primeira hora, acompanhou o nascimento da instituição de ensino superior, fundada por Afonso de Barros. “Na altura, recordo-me bem de as dificuldades dos fundadores obterem o reconhecimento da instituição como universidade. Mas é certo que foi avançando, com mais ou menos dificuldades, chegando a Câmara de Oeiras a ser o maior acionista da instituição, juntamente com a Fundação Berardo”.
Em virtude das múltiplas vicissitudes, “muita gente acreditava que esta instituição iria desaparecer”. Contudo, “com o aparecimento de Carlos Guillén, como investidor na instituição”, a universidade ganharia um novo impulso e a certeza que “seria o homem certo para dar nova vida à instituição, ressuscitando-a”.
Atualmente, a Atlântica “é muito conceituada”, nomeadamente na área da Saúde, sendo, por isso, “um motivo de orgulho para o Município de Oeiras” ter dentro das suas fronteiras territoriais uma instituição de ensino de prestígio, sublinhou o autarca, mostrando-se “empenhado no sucesso da instituição”. Até porque Oeiras “é hoje um dos municípios do país que mais investe nas áreas da Educação, Ciência e Tecnologia”.
Aliás, o sucesso de Oeiras já foi reconhecido pela União Europeia, que atribuiu ao concelho a designação de “Capital Europeia da Ciência”, em 2027, juntamente com mais três cidades, “obrigando” o Município a reforçar o programa de apoio à ciência.
“Estamos a fazer investimentos de milhões de euros em instituições públicas de ensino, do Estado, vejam bem. Estamos a financiar o próprio Estado. Por exemplo, a Faculdade de Motricidade Humana está a receber um investimento de 7 milhões de euros nas novas obras que estão a realizar. O Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, vai beneficiar de um investimento municipal de 8 milhões de euros. A Universidade Nova—IMS vai ter um investimento camarário de 15 milhões de euros, que nascerá em Algés. O Instituto Superior Técnico, no Tagus Parque, está a receber o investimento de 5 milhões de euros”.
Para Isaltino Morais, estes investimentos municipais em instituições públicas traduzem “a preocupação do Município com a Educação e Ciência” no território. E aproveitou para elogiar “o risco de Carlos Guillén” que “está a fazer um investimento extraordinário numa instituição privada”, deixando antever a possibilidade de a Câmara “comparticipar parte do investimento”, apesar de “não me terem pedido nada”, pois a Câmara de Oeiras “não se pode manter alheia” ao esforço de crescimento da instituição.
Aos olhos de Isaltino Morais, as grandes realizações são concretizadas “por pessoas que têm sonhos e têm capacidade de os concretizar”, entrando a Universidade Atlântica na categoria de “sonhos que estão a ser concretizados”.
Universidade rompe ciclos de pobreza
Para ilustrar as políticas municipais de Educação, o autarca assegurou que, “nos últimos 6 anos, a Câmara de Oeiras já investiu mais de 10 milhões de euros em bolsas de estudo universitárias”, para os estudantes sem meios próprios para frequentaram o ensino superior. “O Município de Oeiras tem atribuídas 1580 bolsas de estudo”, um número “superior às bolsas atribuídas pelo conjunto de todos os municípios portugueses”.
Para além dos prémios municipais aos melhores alunos do secundário do concelho, que os têm levado a Silicon Valley, Japão, Pequim, para terem contacto com os modelos mais avançados de desenvolvimento que há pelo mundo, estes prémios não são exclusivos para os melhores alunos. “São também para aqueles mais envolvidos e participativos nos projetos de cidadania ou de empatia. É objetivo motivar todos os alunos a seguirem os exemplos daqueles que são referências e a chegarem aos seus patamares. É importante assinalarmos aqueles que são referências para servirem de estímulo a todos aqueles que ainda não encontraram um caminho”, sublinhou.
A terminar, Isaltino Morais agradeceu ao administrador da Atlântica por ter tido a crença “de manter e concretizar o sonho” de manter a universidade de pé, reconhecendo-lhe a “coragem” e a “utopia” de persistência de aguentar e ter feito crescer uma universidade privada no concelho, pois a universidade “continua a ser o maior elevador social” que quebra os ciclos de pobreza de muitas famílias. “O Carlos Guillén é, de facto, um cidadão emérito deste concelho”, concluiu.
Situada em Oeiras, no histórico complexo da Fábrica da Pólvora de Barcarena, a Atlântica – Instituto Universitário distingue-se, há quase três décadas, por um modelo de ensino inovador que combina o rigor académico e as oportunidades de investigação com uma forte ligação ao tecido e realidades empresariais. A oferta formativa da Atlântica engloba várias licenciaturas, quatro mestrados e dois doutoramentos nas áreas da Engenharia, Ciências Empresariais e Nutrição. Destaca-se, ainda, enquanto única entidade privada em Portugal que oferece uma licenciatura em Engenharia Aeronáutica, integrando o grupo de 135 entidades que constituem o AED – cluster para as indústrias da Aeronáutica, do Espaço e da Defesa.
Comprometida com o estabelecimento e manutenção de uma relação de proximidade com a comunidade, a Atlântica faz parte do Oeiras Community Valley, um consórcio que visa maximizar o impacto das iniciativas de responsabilidade social das empresas e instituições, fomentando uma conexão com o Município de Oeiras alinhada com os objetivos de Desenvolvimento Sustentável.









