Em dia de reflexão e de luto nacional, a cerimónia do 5 de outubro deste ano foi ajustada para um formato mais curto, sem discursos, por se realizar na véspera das eleições legislativas de domingo.O dia 5 de outubro assinalou-se, este ano, no dia de reflexão para as eleições legislativas, que se realizam amanhã, 6 de outubro e, por isso, não foram feitos discursos políticos durante a comemoração que decorreu, esta manhã, na Câmara Municipal de Lisboa, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e os diferentes vereadores da edilidade.

Este ano, à semelhança do que aconteceu com Mário Soares e Jorge Sampaio, pelos mesmo motivos, o Dia da Implantação da República realizou-se em moldes muito diferentes do que é habitual. Hoje, é dia de reflexão para as eleições legislativas de amanhã e é também dia de luto nacional, decretado pelo Governo na sequência da morte de Freitas do Amaral. Por causa disso, a bandeira portuguesa foi içada, mas ficou a meia haste.

Na rua, junto aos Paços do Concelho, e também ao contrário do que é habitual nestas comemorações, não havia populares.

A cerimónia começou às 9h00. Marcelo Rebelo de Sousa, Ferro Rodrigues, Fernando Medina e os vereadores dos vários partidos políticos representados na autarquia, ouviram o Hino Nacional e assistiram ao hastear da bandeira.

De hino republicano a símbolo nacional

Depois, dentro do edifício, perante a partitura original de «A Portuguesa», ouviram a diretora do Museu da Presidência, Maria Antónia Matos, falar sobre a sua história, lembrando que a «Portuguesa», que hoje é um dos símbolos nacionais de Portugal (o seu hino nacional), nasceu como uma canção de cariz patriótico em resposta ao ultimato britânico para que as tropas portuguesas abandonassem as suas posições em África no território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola. A letra foi escrita por Henrique Lopes de Mendonça e a música foi composta por Alfredo Keil em 1890, tendo-se transformado em hino nacional em 19 de junho de 1911.

Criada na sequência de um jantar de ilustres pensadores republicanos, entre eles Teófilo de Braga, Magalhães Lima, Bordalo Pinheiro, Henrique Lopes Mendonça (autor da letra) Alfredo Keil (autor da partitura em exposição nos Paços do Concelho), a «Portuguesa» rapidamente se transformou num hino republicano.

Aliás, em 31 de janeiro de 1891, numa tentativa falhada de golpe de Estado que pretendia implantar a república em Portugal, esta canção já aparecia como a opção dos republicanos para hino nacional, o que aconteceu, efetivamente, quando, após a instauração da República a 5 de outubro de 1910, a Assembleia Nacional Constituinte a consagrou como símbolo nacional em 19 de Junho de 1911.

A Portuguesa, proibida pelo regime monárquico, que originalmente tinha uma letra um tanto ou quanto diferente (mesmo a música foi sofrendo algumas alterações) – costuma dizer-se que onde hoje se diz «contra os canhões», dizia-se «contra os bretões», ou seja, os britânicos.

Momento simbólico

Já ontem, no decorrer de uma cerimónia, o presidente da República tinha explicado que as comemorações deste ano apenas seriam assinaladas com «um momento simbólico na Câmara Municipal de Lisboa de evocação da República, não haverá discursos, mas haverá esse momento simbólico».

O chefe de Estado assinalou que «a alternativa era fazer o que fez o Presidente Mário Soares, que não teve mesmo sequer um momento simbólico, quando houve uma circunstância correspondente». Já o antigo chefe de Estado Jorge Sampaio, «numa situação idêntica, fez uma cerimónia presidencial na Ajuda», notou.

«Entendo que a Câmara Municipal de Lisboa é muito importante simbolicamente em termos de proclamação da República, portanto o começo da manhã será na Câmara Municipal de Lisboa, mas sem discursos, como é próprio do dia de reflexão», adiantou, acrescentando que, hoje à noite, fará uma «intervenção à noite a apelar ao voto» e, amanhã, desloca-se em Celorico de Basto, distrito de Braga, para votar.

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