Cristina Correia abandonou o palco popular há alguns anos, não porque se tenha tornado muito cansativo. Apenas porque “temos que deixar espaço para os mais novos. Eu já tinha um percurso de muitos anos, o meu pai também, a minha filha já estava na marcha na altura, e os lugares nela são poucos…”.
Em mais de 30 anos, as marchas transformaram-se completamente. Os marchantes não levam luzes, os arcos são leves e iluminados e as coreografias mudaram, mas o sentimento de Cristina desde que deixou de marchar é o mesmo.
“Sou filha da Mouraria. Quando me perguntam de onde sou, nunca digo ‘Lisboa’, mas ‘Mouraria’. Agora, até torço mais do que quando era marchante. Estou de fora, tenho a percepção do que se passa lá dentro, do sofrimento.”.
Nos 18 minutos de desfile no pavilhão “o sentimento é enorme, a dor é muito grande, à espera que tudo corra bem”. E ver a filha desfilar é uma emoção que nem tem explicação.
Comenta que pode trocar de carro, de estabelecimento, de casa, “mas nunca de bairro ou de clube”.