ANTIGAS INSTALAÇÕES DA RÁDIO RENASCENÇA PASSAM A FAZER PARTE DOS LUGARES DE ABRIL

As antigas instalações da Renascença passam a ser um dos “Lugares de Abril em Lisboa”. Esta iniciativa da Associação 25 de Abril e da Câmara de Lisboa elegeu 25 lugares da cidade considerados fundamentais na revolução dos cravos. Placa junto às antigas instalações da Renascença foi inaugurada hoje.

As antigas instalações da Renascença passam a ser um dos “Lugares de Abril em Lisboa” que é uma iniciativa comemorativa da revolução dos cravos prolongada no tempo. Começou em 2019, no ano do 45.º aniversário, e prolonga-se até ao ano do cinquentenário, em 2024.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e o capitão de mar e guerra Carlos Contreiras, um dos operacionais da revolução de Abril e representante da Associação 25 de Abril, estiveram presentes na cerimónia de inauguração da placa nas antigas instalações da Rádio Renascença. A placa está embutida no passeio  e pode ler-se:

“RÁDIO RENASCENÇA”

Às 00h20 do dia 25 de Abril, transmitiu a senha de confirmação da operação militar contra o regime, a canção “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso.”

Às 00h20 do dia 25 de Abril de 1974, o jornalista Álvaro Guerra transmitiu aos microfones da Rádio Renascença a senha de confirmação da operação militar contra o regime, a canção “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso, salientaram Carlos Moedas e o comandante Carlos Almada Contreiras, que consideraram que este momento «foi fundamental», porque foi através da transmissão desta música que «as unidades militares em todo o país tiveram a confirmação que tudo estavam em ordem para cumprirem a ordem de operações que tinham recebido».





O Capitão de Mar e Guerra, Carlos Almada Contreiras teve um papel decisivo para que a revolução corresse bem. Era madrugada de dia 25 de abril de 1974 e o oficial era responsável pelas comunicações da marinha. E foi dos primeiros a chegar ao Terreiro do Paço onde esperou, até com ansiedade, a chegada da coluna de Salgueiro Maia. Na véspera, como revelou, tinha alterado a senha de confirmação do início das operações que estava para ser a canção «Venham Mais Cinco» que, por estar censurada, não podia ser passada na rádio. Por isso, Almada Contreiras optou por passar a «Grândola Vila Morena», também de Zeca Afonso.

Já para Carlos Moedas é necessário «continuar a contar e a recontar, as vezes que forem necessárias, a história do 25 de Abril», quando o Movimento das Forças Armadas (MFA) levou a efeito um golpe de Estado através de uma ação militar, derrubando a ditadura do Estado Novo e iniciando um processo que levou à implantação de um regime democrático em Portugal.

Na perspetiva do autarca lisboeta, a colocação física das placas assinalando os locais, por onde a revolução passou, tem um «valor enorme e permite às pessoas conhecer os locais físicos da revolução dos cravos».

MFA «esteve aqui»

Como fez questão de lembrar, existem diversos locais da capital ficaram ligados à ação do Movimento das Forças Armadas e à conquista da Liberdade, tanto os que estavam previstos no plano de operações e constituíam objetivos das forças revolucionárias, como aqueles em que ocorreram confrontos com forças do regime ou mesmo os que se tornaram locais emblemáticos da Revolução.

Para Lisboa confluíram forças militares de vários pontos do País que, juntamente com as forças sediadas na Capital, aqui desenvolveram as ações que consumaram a libertação dos Portugueses e de Portugal. Enquanto outras forças manobravam em vários locais do País, em Lisboa participaram forças oriundas da própria cidade, como o Batalhão de Caçadores nº 5 (BC5), a Escola Prática de Administração Militar (EPAM), a Escola Prática de Transmissões (EPTms), o Regimento de Engenharia nº 1 (RE1), de Grupos de Comandos criados especificamente para o efeito, e também forças vindas de Almada, Aveiro, Estremoz, Figueira da Foz, Mafra, Santa Margarida, Santarém, Serra da Carregueira, Tancos, Vendas Novas e Viseu.

Estas «ações libertadoras executadas pelas forças do MFA dignificaram os Capitães de Abril e todos os militares participantes, assim como o povo que os apoiou incondicionalmente, acabando vários locais da cidade por ficar ligados ao 25 de Abril, à Liberdade e ao nascimento da democracia portuguesa», fez questão de afiançar o comandante Almada Contreiras. Recordando que «a colaboração entre os militares e os civis foi determinante para garantir o sucesso da operação militar».

«São esses locais que agora se assinalam», afirmou Carlos Moedas, salientando que «é necessário passar a mensagem aos mais novos e mesmo à geração dos anos 70» que temos de «defender todos os dias a liberdade», recordando que nenhum povo pode consentir na usurpação do direito à liberdade».

Lisboa, tem assim um roteiro das memórias mais importantes da Revolução do 25 de abril, inscritas e assinaladas (com placas informativas), nas ruas e no espaço público da cidade. A primeira dessas placas assinala na Rua do Arsenal o primeiro “Lugar de Abril”. Este é o cenário de um dos momentos decisivos do dia 25 de Abril de 1974, onde aconteceu o primeiro confronto entre os militares revoltosos e os membros do regime de Salazar.

Mas, o Arsenal foi apenas um de 20 pontos da cidade assinalados no âmbito deste projeto da Câmara Municipal de Lisboa, em parceria com a Associação 25 de Abril. Em 2019, foram colocadas mais nove placas no Terreiro do Paço; a Av. Elias Garcia, 162; o Largo S. Sebastião Pedreira; a Rua Sampaio e Pina, 24; a Travessa Estevão Pinto, Campolide; a Alameda das Linhas de Torres, 179; o Largo da Penha de França e a Rua do Quelhas, 2.

Como defendeu Carlos Moedas, todos os “Lugares de Abril” acabarão de ser sinalizados até ao 50. ° aniversário da Revolução.

Artistas censurados

Após a colocação da placa na Rádio Renascença, autarca seguiu para o Teatro São Luiz, onde descerrou uma placa em memória de todos os que, pela resistência e dedicação à cultura, procuraram vencer o obscurantismo da censura e a repressão ideológica, onde se pode ler: “Aos artistas censurados/Aos públicos que nunca o foram/Ao país que resistiu”

Do ponto de vista de Carlos Moedas, «a Liberdade construiu-se também nos pequenos gestos feitos por todos os que souberam encontrar modos de defender o teatro enquanto lugar de questionamento da sociedade».

Hoje, a exposição «48 Memórias» estão aberta até às 24 horas, sempre com entrada livre. À hora das senhas da Revolução de Abril, Paulo de Carvalho e José Afonso ecoam no São Luiz, lembrando as vozes dos que sofreram a tortura dos interrogatórios na sede da PIDE, que funcionou paredes meias com este Teatro.

25 ABRIL | 16H00 | Edíficio CML aberto | LISBOA

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, estará presente nos Paços do Concelho para receber e acompanhar os visitantes que se desloquem ao edifício da autarquia neste feriado de 25 de Abril.

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