Na freguesia de Arroios, no coração de Lisboa, cidadãos de 92 países convivem em paz. Perante esta situação, a Junta está apostada na promoção da riqueza cultural do território e das suas gentes. Ainda que o número de moradores esteja a diminuir – em especial na Pena – há mais de uma década, a população da freguesia de Arroios tem rejuvenescido. Muito à custa da chegada de imigrantes jovens e à saída de idosos. Atualmente, é um microcosmo de múltiplas culturas, nacionalidades, costumes e hábitos, onde habitantes com dezenas de anos de bairro convivem com os recém-chegados de outras paragens mais ou menos longínquas.

Em comum, gostam da vivência do bairro e tem aquele sentimento bairrista ainda existente nas zonas antigos de Lisboa, com a vantagem de morar perto do centro da cidade.

Mas, também, têm algumas queixas a apontar, como a falta de limpeza das ruas, as dificuldades de estacionamento e a fraca mobilidade.

A advogada Ana Carla Silva, de 49 anos, da Praça do Chile, à semelhança de todos os outros entrevistados, considera que «é um bom bairro para viver. Tem muito comércio, bons transportes públicos e, essencialmente, é sossegado, apesar de já ter bastante turismo». Mas, como não «há bela sem senão» … afirma: «o pior agora é a higiene urbana. As ruas estão um pouco sujas em relação ao que eram».

Além dos problemas de higiene urbana, Catarina Pita, de 29 anos, e moradora junto ao Mercado de Arroios, lembra: «Os passeios não têm acesso para as cadeiras de rodas. Por exemplo, andei sete meses de cadeiras de rodas e não podia ir, como qualquer pessoa, à rua sozinha, porque não tinha acessos. Os passeios são altos e difíceis de ultrapassar. Isso é uma das coisas mais negativas do bairro e que faz muita falta às pessoas com dificuldades de locomoção. Um outro aspeto menos positivo refere-se à falta estacionamento».

Já Gustavo Rocha, 79 anos, reformado e residente no Largo Leão, queixa-se da «falta de parques para as crianças brincarem. Com a criação de mais parques permite melhorar a vida das pessoas».

Lucinda Gomes, 75 anos, reformada, residente no Jardim Constantino, recorda com nostalgia «já foi melhor, mais sossegado. Quando vim para aqui morar, há 55 anos, no Largo da Estefânia, havia a pastelaria Vitória. Os estudantes, quando acabavam os seus cursos, iam para ali tocar guitarra. Mas isso acabou após o 25 de abril».

Por ser uma freguesia que está na moda, os prédios começam a ter cara lavada. A população rejuvenesce e transforma-se. Há uma nova face e uma «movida própria» neste bairro cosmopolita e, ao mesmo tempo, envelhecido que, contagiado pela regeneração do Intendente, ganhou nova alma.

Aliás, para Sara Bettencourt, de 28 anos, desempregada e moradora recente na Av. Almirante Reis, «o movimento nesta zona é aliciante, mas também pode ser exaustivo. E tenho a noção que a nível arquitetónico, a Avenida Almirante Reis não foi bem estudada para a dispersão de sons produzidos pelo trânsito que aqui circula».A freguesia foi criada no âmbito da reorganização administrativa de Lisboa de 2012, que entrou em vigor após as eleições autárquicas de 2013, resultando da agregação das antigas freguesias de São Jorge de Arroios e Pena com a quase totalidade do território da antiga freguesia dos Anjos, para além de uma pequena parcela de território anteriormente pertencente à extinta freguesia de São José.

Como locais de interesse têm a Fábrica de Cerâmica da Viúva Lamego; Hospital Dona Estefânia; Igreja Paroquial de Nossa Senhora dos Anjos; Palacete da Estefânia, atual Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa; e o Palácio Sotto Mayor.

JUNTA DE FREGUESIA PROMETE SOLUÇÕES PARA A MOBILIDADE E HIGIENE URBANA

Com respostas sociais para a população sénior, a Junta de Arroios está atenta aos problemas de mobilidade para as pessoas com dificuldades de locomoção, através da melhoria do espaço público.

Numa pequena entrevista concedida aos Olhares de Lisboa, a presidente da Junta, Margarida Martins, adianta que estão também a ser tomadas medidas em termos de higiene urbana e aconselha os moradores a utilizarem «meios de transporte suaves».

Olhares de Lisboa – As pessoas de mobilidade reduzida queixam-se da falta de acessos. O que vai a junta de freguesia fazer para alterar esta situação?

Margarida Martins – A junta de freguesia em cooperação com a CML tem um programa de melhoria do espaço público que está a implementar, para que mais travessias de peões sejam acessíveis e mais passeios sejam ampliados. Em paralelo estão já identificadas zonas para implantar faixas de passeio confortável e calçada mista mais segura. Daremos também atenção à renovação dos pavimentos dos jardins, como por exemplo o do Jardim Braamcamp Freire ou Cesário Verde. A falta de atenção ao peão, e ao cidadão com mobilidade reduzida – por força de um desenho de cidade que não integrava, até há poucos anos, todos os cidadãos, mas respondia sobretudo ao uso do carro – conduziu a uma falta de investimento nos passeios, que ainda estão velhos e são estreitos, sobretudo numa freguesia como Arroios, um território densificado. Temos um longo trabalho pela frente para que a cidade seja utilizada pelo peão em segurança.

Alguns moradores queixam-se da falta de limpeza nas ruas., o que está a ser realizado para corrigir esse problema?

A Higiene Urbana constitui um desafio, de constante adaptação face às exigências e necessidades identificadas na manutenção das condições de salubridade em espaço público.

A Junta de Freguesia de Arroios atua em estreita cooperação com a Câmara Municipal de Lisboa, pelo que se encontra em implementação uma ação conjunta de melhoria da limpeza urbana, quer por via do aumento da oferta de contentorização subterrânea que está a ser levada a cabo pelo Município, quer pelo reforço de meios e competências atribuídas às juntas de freguesia, nomeadamente na limpeza e recolha de resíduos em torno dos ecopontos,  que se irá refletir sob o ponto vista do incremento dos recursos humanos e mecânicos dos serviços de Higiene Urbana da Junta de Freguesia de Arroios.

A sensibilização constitui também um aspeto fundamental, prevendo-se a realização de campanhas num contacto de proximidade junto das diversas pessoas, agentes e empresas que de alguma forma operam, florescem e caracterizam a vertente multicultural presente em Arroios, não deixando de fora as escolas, como forma de proporcionar informação e despertar para os assuntos da gestão dos resíduos, bem como da promoção das condições de salubridade pública.

A falta de estacionamento para moradores é outra das queixas. O que é possível fazer para alterar esta situação?

Os serviços da Junta de Freguesia recebem muitos pedidos para ampliação do estacionamento reservado a moradores, no que respeita ao automóvel, mas também a motociclos. A gestão do estacionamento não é competência das juntas de freguesia, muito embora estejamos sensíveis para as dificuldades quotidianas dos nossos fregueses. Nesse sentido estabelecemos uma comunicação com as equipas da mobilidade da CML, dando conta dos anseios da população e colaborando com o desenvolvimento de soluções.

Neste período em particular, de grande renovação do tecido social, constatamos que muitas jovens famílias que escolheram Arroios para residir entendem que a mobilidade na cidade deverá passar por se privilegiar os modos suaves de transporte. E isso significa usar menos o carro privado no futuro. Pensemos que o nosso automóvel que está parado durante 23 horas por dia, ocupando o espaço que podia ser para o peão, para árvores ou para convívio.

Hoje podemos cada vez mais ter acesso a tecnologias que nos permitem usar carros partilhados, de aluguer, potenciar o uso de transportes públicos e bicicletas, bem como retomar o hábito de andar a pé. Entendemos que quem tem carro próprio tem de o conseguir estacionar, mas gostaríamos de num futuro próximo ver mais pessoas na rua a caminhar, a brincar, a conviver ou a andar de bicicleta, e menos carros. É difícil mudar hábitos, mas temos exemplos conseguidos com resultados muito positivos em várias cidades europeias e também em Lisboa.

Estão previstos mais espaços verdes?

O território de Arroios conta com cerca de 25 espaços verdes, que abarcam as mais diversas tipologias, desde canteiros em enquadramento residencial, passando pelos jardins de bairro e os jardins principais, numa área relativamente consolidada, pelo que ser prevê o desenvolvimento do património arbóreo, pela plantação de árvores de alinhamento, quer em reposição nos locais onde já existam caldeiras, quer pela criação de novas caldeiras, que permitam beneficiar os arruamentos de Arroios, tanto pela absorção de dióxido de carbono, como pela climatização natural que permitem, de particular impacto para baixas as temperaturas locais, nos períodos em que o calor se faz sentir.

A junta de a de freguesia tem programas de apoio para os mais idosos?

Temos disponível para a população sénior várias respostas sociais, que vão de encontro às necessidades identificadas como prioritárias. O ‘Serviço Arroios Consigo’ funciona de 2ª a 6ª das 9h30 às 17h00, totalmente gratuito, e disponibiliza transporte a pessoas com mais de 55 anos ou com problemas de mobilidade para vários locais na cidade de Lisboa.

Segundo os nossos dados, a grande maioria utiliza este serviço para deslocar-se a serviços de saúde, nomeadamente consultas e centros de fisioterapia, uma vez que dispomos de uma carrinha com plataforma elevatória tornando possível transportar pessoas em cadeira de rodas. Importa referir que neste âmbito não nos fazemos substituir por serviços especializados de transporte de pessoas com dificuldade motora ou serviços de emergência médica.

Numa vertente mais social e intelectual, temos ao dispor da população sénior, uma Academia Sénior que academia funciona de 2ª a 6ª e oferece cerca de 23 disciplinas disponíveis para as pessoas poderem adquirir, desenvolver e aprofundar os seus conhecimentos, tais como: Literatura Portuguesa, Noções de Economia, Estudos das Religiões, Psicologia, Italiana, entre outras. Destacamos também atividades de teor mais prático, musical e expressivo, tais como Tai-Chi, Cavaquinhos Teatro, Tuna e Viola. Paralelamente existem aulas de expressão artística (pintura, atelier criativo, pintura matérica), e não descurando a área da saúde/desporto temos aulas de Movimento (ginástica adaptada às limitações de cada pessoa).

Pontualmente realizamos passeios a vários locais, fora da cidade de Lisboa, privilegiando a área cultural e gastronómica com vista não só ao conhecimento do território como também à redescoberta das tradições e costumes enraizados na História de Portugal.

Em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, executamos o programa Casa Aberta, que tem como objetivo melhorar as condições de segurança e acessibilidade na habitação de pessoas com mais de 65 anos ou com grau de incapacidade igual ou superior a 60%, de forma totalmente gratuita. Para pequenas reparações pontuais a Junta de Freguesia de Arroios criou o Projeto Arroios Arranja, disponibilizando recursos especializados, sem custo, para o utente. Relativamente ao material necessário para a reparação, é avaliada a situação económica do utente, sendo que caso se identifique carência económica, os materiais são igualmente gratuitos.

Sendo o isolamento e a solidão uma das grandes fragilidades desta população, a intervenção a realizar necessita do envolvimento de todas as entidades locais, de forma a conseguirmos, em conjunto, delinear e trabalhar estratégias que possam futuramente extinguir ou amenizar esta vulnerabilidade. Como tal, na Comissão Social da Freguesia de Arroios e no âmbito de ação do GABIP – Almirante Reis (Gabinete de Apoio a Bairros de Intervenção Prioritária) existem grupos de trabalho, no âmbito do isolamento e solidão da população sénior, constituídos por representantes das principais instituições locais onde destacamos: a PSP, PM, CML e SCML.

Vários dos apoios estão contemplados no Regulamento dos Apoios Sociais da Junta de Freguesia de Arroios, aprovado por unanimidade na Assembleia de Freguesia e disponível em www.jfarroios.pt.

Quais as principais atividades culturais e de lazer que a junta de freguesia vai apresentar para o mês de agosto?

A Junta de Freguesia considera uma das suas primordiais responsabilidades promover a divulgação da riqueza cultural deste território e das suas gentes, pelo que privilegia a realização de ações culturais e sociais que promovam a divulgação da(s) cultura(s).

Ao longo do ano, para além das atividades promovidas por esta Junta, acolhemos eventos dos parceiros e entidades locais com propostas que visam a dinamização da freguesia bem como a interculturalidade. Esta parceria pode-se caracterizar pelo apoio logístico em cedência de material o de espaço, como é o caso do Mercado de Culturas.

No dia 21 de agosto vamos acolher, mais um ano, “Milonga Tango na Rua no Largo do Intendente”, que é grupo composto por pessoas de diferentes escolas de tango que organiza milongas, ou seja, bailes de tango, de entrada livre e gratuita com o objetivo de dinamizar e divulgar o Tango Argentino em Lisboa.

 

 

 

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