CÂMARA DE LISBOA LEMBRA ASSASSINATO DE ALCINDO MONTEIRO

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Há 25 anos, na noite de 10 de junho, um jovem de origem cabo-verdiana foi barbaramente morto por um grupo de skinheads. Hoje, a Câmara de Lisboa decidiu assinalar a tragédia e mostrar o combate da capital ao racismo e xenofobia.

Alcindo Monteiro, de origem cabo-verdiana, foi agredido até à morte por um grupo de skinheads no Bairro Alto, em Lisboa, na noite de 10 de Junho de 1995. No banco dos réus do julgamento sentaram-se 17 arguidos e em 2002 Hugo Silva foi condenado a 18 anos de prisão. Hoje, a Câmara Municipal de Lisboa não quis deixar de assinalar a data que marca o 25º aniversário do assassinato que, 10 de Junho de 1995, fez o país estremecer com mais uma morte por razões racistas: a de Alcindo Monteiro.

Alcindo Bernardo Fortes Monteiro, morava no Barreiro, era primo de dois dos músicos que integravam o grupo Karapinhas (Tutin di Giralda e Djone Santos), que acompanhou o rapper General D em estúdio e em espectáculos.

Nasceu no Mindelo (São Vicente), Cabo Verde. Os pais, Francisca e Bernardo, compraram um apartamento no Barreiro no fim da década de setenta. O pai foi fogueiro num ferry-boat na Alemanha e mais tarde trabalhou no Hospital de Almada.

Conhecido pelos seus dotes de cozinheiro de cachupa e de sorriso fácil, Alcino Monteiro como realçaram o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Mariana Vieira da Silva, foi vítima da intolerância, do racismo e do ódio de algumas franjas da extrema-direita portuguesa,

Tanto Fernando Medina, como Mariana Vieira da Silva salientaram que o racismo, infelizmente, «aparece de várias formas» e que todos temos «de ter consciência disso».


A ministra e o presidente da Câmara de Lisboa defenderam que os portugueses, em particular os lisboetas, «não querem uma sociedade de racismo, de intolerância e de ódio».

Fernando Medina e Mariana Vieira da Silva, acompanhados por familiares da vítima, colocaram uma coroa de flores no local «onde ocorreu o trágico assassinato».

O presidente da Câmara de Lisboa anunciou que, no próximo dia 5 de outubro, data de aniversário de Alcindo Monteiro, será fixada uma placa alusiva no mesmo local onde o jovem foi assassinado, «sinalizando o compromisso da cidade com o combate ao racismo e ao fascismo sob todas as suas formas».

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