A Câmara Municipal de Lisboa entregou na passada segunda-feira uma viatura ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) para a expansão de cuidados domiciliários nas freguesias de Arroios e Misericórdia, que ainda não tinham cobertura do programa «Lisboa Cuida em Casa».

A expansão dos cuidados continuados ao domicílio, evitando o internamento hospitalar dos doentes, é, segundo o vereador Manuel Grilo, um dos principais objetivos da Câmara de Lisboa que, na segunda-feira, em Marvila, entregou a primeira das 3 viaturas de transporte de equipas médicas à Administração Regional de Saúde – Lisboa e Vale do Tejo.

Para o vereador Manuel Grilo, a entrega desta viatura vai permitir aumentar a capacidade de prestação de cuidados às pessoas em situação de dependência, aos cuidadores e às respetivas famílias que, pela sua situação de saúde ou por problemas mistos de saúde e sociais, requerem cuidados no domicílio, de carácter temporário ou permanente e que reúnam condições que lhes permitam permanecer no domicílio.

Com a entrega destas viaturas, segundo refere o autarca, o projeto «Lisboa Cuida em Casa» e o «Casa Aberta iniciaram a primeira das três fases deste projetos que passam pela cedência de viatura da Câmara de Lisboa ARSLVT ; seguindo-se uma segunda fase que passa pela disponibilização de linha direta para cuidadores informais com contacto direto com enfermeiros do Centro de Saúde para apoio ao cuidador informal; e, uma terceira fase, que é a de integrar obras de adaptação no domicilio ao projeto para que necessidades de utentes com dificuldades de mobilidade (Projeto Casa Aberta).

Mais 90 vagas

O autarca lisboeta realça que esta medida, no âmbito do projeto «Lisboa Cuida em Casa», vai permitir ao SNS aumentar em 90 vagas os seus serviços de cuidados continuados domiciliários, colmatando 30% das necessidades de vagas.

Do ponto de vista de Manuel Grilo, «esta entrega demonstra claramente que existem laços de cooperação intensos entre a Câmara de Lisboa e a ARS que vão permitir desenvolver uma parceria que vai beneficiar os lisboetas.»

Por seu turno, o presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Pisco, realçou que «é cada vez mais importante privilegiar a resposta domiciliária em detrimento da institucionalização». Pois, do seu ponto de vista, é «importante cuidar das pessoas em casa e, por isso, faz sentido serem os técnicos de saúde (médicos, enfermeiros e fisioterapeutas) a deslocarem-se a casa dos pacientes».

Desenvolver estratégias inovadoras de co-produção de cuidados e de capacitação do doente dependente e dos seus cuidadores informais, são – segundo o vereador Manuel Grilo e o presidente da ARSLVT, Luís Pisco – os grandes objetivos da cooperação existente entre a Câmara de Lisboa e a Administração Regional de Saúde.

Cooperação intensa

E, tendo em vista o reforço dos laços de cooperação entre a Câmara de Lisboa e a ARS, Luís Pisco salientou que, neste momento, a Câmara de Lisboa vai conclui as obras de reabilitação de 14 centros de saúde em Lisboa, instalados em edifícios de habitação e que, provavelmente, poderão «permitir que a ARS consiga atrair jovens médicos para os novos Centros de Saúde».

Segundo Luís Pisco, que esteve na recente inauguração do novo centro de Saúde do Areeiro, assim como no lançamento da primeira pedra dos futuros centros da Alta de Lisboa e no Alto dos Moinhos, essas três unidades de saúde vão assegurar a assistência médica a mais de 75 mil pessoas.

Já o médico Guilherme Ferreira, diretor executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Oriente,  recordou que «a viatura agora entregue vai permitir cobrir as freguesias da Misericórdia e Arroios e fornecer cuidados a uma tipologia de doentes com determinadas patologias e que se enquadram no tipo de assistência fornecida pelas equipas de saúde deste serviço, nomeadamente a pessoas acamadas».

Evitar hospitalização

A enfermeira Ana Lavareda, responsável por este serviço, após salientar que estas viaturas não vão pagar estacionamentos da EMEL, sublinhou que o grande desafio existente é o «de permitir que as pessoas possam ficar o máximo de tempo nas suas casas, evitando a institucionalização».

No entanto para que isso suceda, são necessários cuidados no domicílio por profissionais especializados, como os das equipas de cuidados ao domicílio da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) e da Câmara Municipal de Lisboa.

Luís Pisco, Manuel Grilo, Guilherme Ferreira e Ana Lavareda são unânimes em defender que a área dos Cuidadores Informais se liga obviamente com os cuidados ao domicílio e, por isso, apostar na criação de mais cuidados formais no domicílio está-se também a dar apoio aos cuidadores informais.

Dessa forma, o vereador Manuel Grilo salientou que o projeto «Cuidar em Casa» garante que o cuidador informal vai passar a ter um canal privilegiado de contacto com a sua enfermeira do Centro de Saúde através de uma linha dedicada.  «Vamos ser o primeiro município de Portugal a saber exatamente quantos cuidadores informais existem na cidade de Lisboa, quais as suas necessidades e qual o seu perfil», defendeu o autarca lisboeta.