Na Casa da Pesca em Oeiras, monumento nacional há vários anos ao abandono, já começaram as obras para o proteger e reabilitar.A Câmara assinou um acordo de cedência com o Estado que prevê que a autarquia fique responsável pelo património da antiga Estação Agronómica Nacional por mais de 40 anos.

O presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, fazendo jus ao adágio popular de «Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura» …. conseguiu, ao fim de quase 20 anos de luta, que o Ministério da Agricultura «passa-se para gestão camarária» a Casa da Pesca, a Cascata do Taveira e o Pombal, integradas no conjunto monumental da Estação Agronómica de Oeiras.

Atualmente, estas instalações encontram-se vedadas ao público, abandonadas, degradadas e em risco de ruína. Vários painéis de azulejos do conjunto da Casa da Pesca foram roubados, bem como outras peças ornamentais de grande valor histórico e cultural.

O estado de degradação do Património do Estado no concelho de Oeiras é uma grande preocupação para o Município, que há muito que reclamava a transferência da gestão destes imóveis, no sentido de os reabilitar, preservar e colocar à disposição das pessoas.

Nesse sentido, o Município assinou também um protocolo, com o Ministério da Defesa, com vista à manutenção e dinamização para fruição pública do Forte do Areeiro, onde será instalado, em breve, o Centro de Interpretação da Barra.

Entretanto, para mostrar o estado de degradação deste património, a Câmara de Oeiras convidou os oeirenses a visitar, no sábado, o complexo da Casa da Pesca, na Estação Agronómica de Oeiras, 15 dias depois de ter chegado a acordo com a Direcção-Geral do Tesouro para a cedência da Casa da Pesca à autarquia, que agora promete reabilitar este conjunto arquitetónico do século XVIII, votado ao abandono há dezenas de anos, até 2023.

Durante a visita ao complexo monumental, Isaltino Morais revelou que «o protocolo assinado prevê a cedência de utilização de parte da ex-Estação Agronómica Nacional durante um período de 44 anos» e que a autarquia «vai investir oito milhões de euros” na recuperação da Casa da Pesca e de outro património naquele local. nomeadamente a Cascata e Tanque do Taveira, Casa do Bicho da Seda, Mina e Cascata da Fonte do Ouro e o Pombal.

Há vários anos que a câmara e o Estado anunciavam a vontade de que o conjunto, responsabilidade do Ministério da Agricultura, passasse para gestão da autarquia. «Já foram redigidas várias minutas de protocolo e sempre chegámos a entendimento com os diferentes ministérios, mas depois o processo passa para Direcção-Geral do Tesouro e não avançava. Agora, com este Governo conseguimos finalmente assinar o protocolo de cedência destes 30 hectares que, no futuro, esperamos que aumentem para 100 hectares», afirmou Isaltino Morais, revelando, por outro lado, que recentemente foram roubados azulejos da Casa da Pesca.

Esta foi apenas um dos últimos episódios numa já longa história de degradação, que motivou mais de quatro mil cidadãos a assinarem uma petição, salvar a Casa da Pesca.

Este espaço monumental, que agora passou para a gestão municipal, é um sítio que guarda histórias antigas, do tempo da monarquia: era ali, no tanque fronteiro, que D. Maria I costumava pescar. E não é por acaso que constitui um dos conjuntos mais interessantes da arquitetura de veraneio, do século XVIII. Inserida numa propriedade com 130 hectares, a Casa da Pesca foi mandada construir pelo Marquês de Pombal, quatro anos depois do terramoto de 1755, numa época em que passaram por Lisboa vários artistas plásticos e arquitetos, que colaboraram na reconstrução da Baixa Pombalina.

Mas agora está tudo preparado para avançar com o projeto de reconstrução, tendo alguns trabalhos de limpeza já sido iniciados. Ao todo, a Câmara vai investir oito milhões de euros na recuperação do conjunto monumental – onde se inclui a Casa da Pesca – e em intervenções no complexo, que irão beneficiar também o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), com sede no local.

Ricamente decorada com azulejos e estuques, a Casa da Pesca integra a quinta que pertenceu ao Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo e, segundo Isaltino Morais, a autarquia vai «reabilitar, preservar e colocar à disposição das pessoas» este património classificado como Monumento Nacional desde 1940.

No anfiteatro da Cascata do Taveira, Isaltino Morais anunciou que, no próximo ano, vai voltar a convidar a população para ver «o estado em que as obras se encontram» e, em 2021, vai realizar um espetáculo comemorativo do 263º aniversário do município de Oeiras.

O presidente da Câmara de Oeiras, que recordou que o primeiro espetáculo de Amália Rodrigues, após o 25 de abril, foi efetuado na Cascata do Taveira, frisou que vão ser realizadas várias atividades culturais naquele espaço que, em principio, vai ser inaugurado em 2023.

Durante a visita, os historiadores José Meco, Filomena Serrão, Rodrigo Dias e Isabel Mendonça, que explicaram as utilizações das diferentes instalações e a sua integração na propriedade agrícola, lembrando que o Marquês de Pombal projetou a propriedade de uma forma sustentável economicamente.

Tanto os historiadores como Isaltino Morais chamaram a atenção dos visitantes para o estado de degradação dos tetos da Casa das Pescas, o roubo de vários azulejos da Cascata do Taveira e da Casa das Pescas.

Na mesma situação de degradação está a Casa do Bicho da Seda.

Mas, na opinião dos visitantes, a zona mais degradada é a da Mina e da Cascata da Fonte do Ouro, inclusivamente o «matagal escondeu» estes dois espaços e escadarias que dão acesso ao Pombal.

Ligar jardins de Oeiras

Isaltino Morais anunciou, por outro lado, que a autarquia «sonha» em criar o maior parque de jardins do país, «ligando» todos os jardins de Oeiras a Caxias. Neste momento, a edilidade já adquiriu vários terrenos que lhe permitem ligar, praticamente, todos os jardins em 240 hectares de terreno.

Mas, a luta de Isaltino Morais por gerir o património do Estado que se está a degradar no concelho de Oeiras continua. E, assim, no seguimento da linha de recuperação do património, o Município de Oeiras assinou ainda um protocolo, com o Ministério da Defesa, com vista à manutenção e dinamização do Forte do Areeiro, onde será instalado, em breve, o Centro de Interpretação da Barra e, também, quer ainda investir 4 milhões de euros no Convento da Cartuxa, que também é património do Estado e está degradado. A recuperação deste espaço só é possível quando a Direção-Geral do Tesouro autorizar a cedência das competências de gestão ou de utilização

 

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