CENTRO INTERPRETATIVO CONTA HISTÓRIA DAS ÁGUAS DE CANEÇAS

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Odivelas vai construir um Centro Interpretativo das Águas de Caneças e reabilitar a Fonte das Piçarras. Este pode ser o primeiro passo para a recuperação, também, das fontes dos Passarinhos, dos Castanheiros, das Fontainhas e de Castelo de Vide.

Implicando um investimento de 713 mil euros, já começou a ser construído o Centro Interpretativo das Águas de Caneças, no atual terreno da Fonte das Piçarras, que também está a ser reabilitada, para  preservar a memória histórica secular em torno da riqueza cultural da Vila de Caneças, das suas águas e dos seus costumes que «giravam em torno» das fontes das Piçarras, dos Passarinhos, dos Castanheiros, das Fontainhas e de Castelo de Vide. Todas classificadas como Imóveis de Interesse Municipal, por deliberação camarária de 8 de setembro de 2004.

Ao que «reza» a história, a crónica falta de água de que sofria a cidade de Lisboa até meados do século XIX, e que a construção do Aqueduto das Águas Livres não resolveu totalmente, quer a nível de quantidade quer a nível de qualidade, «criou» os aguadeiros de Caneças que abasteciam com água de melhor qualidade, límpidas, incolores, inodoras, de sabor férreo,  as classes mais abastadas de Lisboa.

Recomendadas como tónicas e reconstituintes, as águas de Caneças que não haviam sido encaminhadas para os aquedutos subsidiários do Aqueduto das Águas Livres foram encaminhadas para fontes, cuja exploração comercial se iniciou em 1910 nas Fontainhas.

No inicio do século XX, em 1930, desenvolveu-se em Caneças uma indústria de águas de mesa de uma certa importância económica. A água era vendida em Lisboa em bilhas de barro da região saloia. A água sobrante era utilizada na actividade agrícola ou para a lavagem de roupa (outra actividade económica tradicional da região saloia) imortalizado pela longa-metragem portuguesa “Aldeia da Roupa Branca”, com argumento e realização de Eduardo Chianca de Garcia, e mais tarde cantada por Amália Rodrigues (‘Lavadeiras de Caneças’)

A partir da década de 1940, com a generalização do abastecimento de água canalizada nas casas particulares e a concorrência das águas minerais, como a Água de Luso, as águas de Caneças entraram em declínio. Na década de 1960 ainda eram vendidas em Lisboa nas tradicionais bilhas de barro.





No fundo, é todos este passado que o Museu Interpretativo das Águas de Caneças quer mostrar e, por isso, o município de Odivelas vai, agora, criar naquele local um espaço museológico, com uma ampla área polivalente de exposições, cafetaria, loja e um contexto ambiental dedicado à água.

Em construção nos terrenos da Fonte das Piçarras, também conhecida por Fonte de Santo António, construída por volta de 1898, o futuro centro interpretativo, segundo o presidente da Câmara de Odivelas, Hugo Martins, «constitui uma grande homenagem à Vila de Caneças, às suas gentes e tradições».

«Este investimento, num espaço que se encontrava bastante degradado, reforçará a identidade local e representa a aposta que o município de Odivelas tem vindo a realizar nos últimos anos na recuperação e na valorização do seu património histórico e cultural», reforçou o presidente da Câmara Municipal.

Destacando-se pela sua decoração em estilo neomanuelino, a Fonte das Piçarras é uma das mais belas fontes de Caneças onde, anteriormente no seu local, existia um poço que abastecia a população da zona.

 

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