Cerimónia Comemorativa do 5 de outubro | LISBOA NÃO VAI DESPERDIÇAR FUNDOS EUROPEUS

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Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, reconheceu, durante as cerimónias do 5 de outubro, que a pandemia veio tornar visíveis debilidades da Área Metropolitana de Lisboa e alertou contra extremismos e «crises artificiais».

A habitação e os transportes estão no centro dos quatro programas com o que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, pretende aproveitar o plano de recuperação económica desenhado pelo governo e que mereceu grandes elogios do autarca no discurso que fez na cerimónia do 5 de Outubro, que decorreram esta manhã em moldes totalmente diferentes e, pela primeira vez, sem a participação popular.

De facto, as celebrações do Dia da Implantação da República decorreram, este ano, num modelo adaptado à situação de pandemia, com a participação do Presidente da República e as presenças do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, do primeiro-ministro, António Costa, e de três dos quatro presidentes dos tribunais superiores. O presidente do Tribunal Constitucional, Manuel Costa Andrade, não esteve presente por ainda aguardar o resultado do teste à covid-19, depois de ter participado no Conselho de Estado de terça-feira com António Lobo Xavier, este domingo soube estar infetado com Covid-19.

No seu discurso, o autarca de Lisboa, e também presidente da AML, considerou que o programa de recuperação é «uma responsabilidade pesada», mas também uma «oportunidade única que a Área Metropolitana de Lisboa não pode desperdiçar», num «vasto programa de combate à pobreza.

«Há uma visão estratégica e rumo definido», disse Fernando Medina, reconhecendo que «só a pandemia tornou visíveis vários problemas da AML, onde vivem paredes-meias, o que de mais desenvolvido o país tem e bolsas de pobreza, de afastamento da representação institucional e de extremismo».

Mas, para Fernando Medina, este «é o momento do proteger o músculo económico do país» e, por isso, é preciso que todos assumam «a coragem da responsabilidade da resposta à situação difícil do país, sem crises artificiais».





O autarca da capital considerou que, quem num passado recente, afirmou que era possível outra política económica, tinha razão. «Mas ter razão não basta. É preciso, quando confrontado com as suas responsabilidades, assumir a coragem da sua responsabilidade», apelou.

«Ninguém entenderia que, num país ainda marcado pelas feridas da última crise, os atores políticos preferissem uma crise artificial à responsabilidade da resposta à vida de milhões de portugueses», salientou.

Oportunidade a não desperdiçar…

Os recados orçamentais de Medina ficaram por aqui, mas o autarca lisboeta aproveitou a ocasião para defender que o plano de resposta à crise deve aproveitar os fundos europeus, de forma célere, tornando Portugal um dos países que mais rapidamente pode receber os fundos europeus.

Lisboa está pronta, disse, para não desperdiçar a «oportunidade», sublinhando que a cidade irá aproveitar para resolver «antigas vulnerabilidades na habitação ou nos transportes porque a pandemia tornou visíveis os problemas que andam “paredes meias” com o mais avançado a cidade tem».

«Esta é uma oportunidade que não iremos desperdiçar», disse, referindo ainda que este é o «momento-chave para o desenvolvimento de Portugal na próxima década».

A área de Lisboa está a ser das mais afetadas pela pandemia causada pela Covid-19 e Fernando Medina começou o seu discurso exatamente por essa parte, defendendo que é «momento de prosseguir uma política de verdade sobre a evolução da pandemia». Agora, disse, «ainda estamos entregues a nós próprios, como únicos instrumentos eficazes para o controlo da situação», anunciando que as medidas de controlo da pandemia se vão manter até pelo menos 15 de outubro.

Marcelo defende proteção à vida

Já o Presidente da República, no seu quarto discurso em cerimónias comemorativas da Implantação da República e o último do seu mandato, que se iniciou em 2016 e termina a 9 de março de 2021, apelou à unidade no essencial na resposta à crise provocada pela covid-19, com equilíbrio entre proteção da vida e da saúde e da economia, e sem dramatização a mais nem a menos.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que é preciso «continuar a compatibilizar a diversidade e o pluralismo com a unidade no essencial».

«O que nos diz este 5 de Outubro é que temos de continuar a resistir, a prevenir, a cuidar, a inovar, a agir em liberdade, a saber compatibilizar a diversidade com a convergência no essencial, a sobrepor o interesse coletivo aos meros interesses pessoais», considerou o Presidente da República.

O chefe de Estado referiu que «há quem prefira soluções para o estado de exceção sanitária que sacrificariam drasticamente economia e sociedade e há quem prefira soluções para a economia e sociedade que aumentariam riscos para a vida e saúde».

«Há quem proponha tempos e modos diferentes, do lado da vida e da saúde, como do lado da economia e da sociedade. Esta diversidade é democrática, e é por isso respeitável. Procuremos respeitá-la, buscando a convergência no essencial, evitando quer o excesso de dramatização, quer o excesso de desdramatização dos dois lados», acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

Ao contrário do que tem sido habitual nos últimos anos, os discursos decorreram no interior dos Paços do Concelho, no Salão no Nobre, e não na Praça do Município.

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