Cristina Correia

Lembra-se do tempo em que os arcos eram pesados, feitos de madeira, e a iluminação, artesanal, nada tinha a ver com a de hoje.

A mãe da marchante que é proprietária da carismática Parreirinha da Mouraria (com paredes cheias de fotos das marchas), prima da coordenadora da marcha da Mouraria, também desfilou, ela própria, durante 25 anos: A partir dos 13.

Cristina Correia abandonou o palco popular há alguns anos, não porque se tenha tornado muito cansativo. Apenas porque “temos que deixar espaço para os mais novos. Eu já tinha um percurso de muitos anos, o meu pai também, a minha filha já estava na marcha na altura, e os lugares nela são poucos…”.

Em mais de 30 anos, as marchas transformaram-se completamente. Os marchantes não levam luzes, os arcos são leves e iluminados e as coreografias mudaram, mas o sentimento de Cristina desde que deixou de marchar é o mesmo.

“Sou filha da Mouraria. Quando me perguntam de onde sou, nunca digo ‘Lisboa’, mas ‘Mouraria’. Agora, até torço mais do que quando era marchante. Estou de fora, tenho a percepção do que se passa lá dentro, do sofrimento.”.

Marcha da Mouraria 2010

Nos 18 minutos de desfile no pavilhão “o sentimento é enorme, a dor é muito grande, à espera que tudo corra bem”. E ver a filha desfilar é uma emoção que nem tem explicação.

Comenta que pode trocar de carro, de estabelecimento, de casa, “mas nunca de bairro ou de clube”.

Para ela, nas marchas era preciso “acabar com essa coisa da classificação, dos primeiros, segundos e terceiros lugares. O trabalho das marchas é todo igual, e, no fundo, só um bairro é que vê esse trabalho sair vitorioso. Não concordo com a existência das classificações”. As pessoas ficam desiludidas: “Perdem o interesse. Pensam, ‘Porque vamos lá, se só um é que vai ganhar?”.

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