Caneças mantém algumas caraterísticas rurais, enquanto a Ramada é marcadamente urbana. Em comum tem o mau estado dos arruamentos, a escassez de estacionamento e o preço das habitações.A vila de Caneças, que ainda tem aquele toque rural, ficou imortalizada pela voz de Amália Rodrigues que cantou sobre as «lavadeiras de Caneças», conhecidas nacionalmente pelo seu carisma e cantigas alegres. Elas eram verdadeiras lutadoras do século XX em Portugal, nomeadamente por terem desenvolvido uma atividade de extrema utilidade e referência e dedicarem grande parte da sua vida a melhorar a situação económica das suas famílias.

Quando entramos em Caneças deparamos-mos com o largo e o jardim central e o comércio em seu redor. Casas antigas ladeiam a rua principal de Caneças, assim como ainda se vêm pequenas quintas um pouco mais afastadas do centro.

As opiniões populares dividem-se sobre a elevação de Odivelas a concelho. Alguns consideram que deveriam ter ficado em Loures. As críticas são várias. Contudo, apesar de essas «pequenas divergências», a maioria não se imagina a morar noutro lugar.

Já a Ramada tem as características de um dormitório, onde a maioria da população trabalha fora da sua zona de residência. Apesar desta situação, os seus habitantes também têm algumas preocupações, como a falta de segurança nas escolas e o aumento das rendas de casa para valores incomportáveis para a maioria da população.

Mudança para Odivelas não trouxe melhoras

“Nem com a mudança de Loures para Odivelas Caneças desenvolveu muito”, reconhece Joaquim Martins, 75 anos, sublinhando que há várias situações que estão paradas no tempo, como “a falta de habitações. Não sei se é um problema da freguesia ou da câmara, mas precisam de resolver este problema”.

Também o estado da rede viária lhe merece críticas e dá como exemplo a sua rua: “Se quero andar na minha rua, tenho de comprar cascalho e areia e cimento, para tapar os buracos. Já lá foram os engenheiros e arquitetos da câmara. Ficaram de arranjar aquilo, já lá vão três anos e nada aconteceu”, acusa Joaquim Martins. “Andaram a alcatroar ao pé dos bombeiros e só da autoestrada para baixo, para cima não fizeram nada. Continua cheia de buracos. Temos mandado emails para a câmara sobre este assunto”.

Também para António Narciso a passagem de Caneças do concelho de Loures para o de Odivelas “não melhorou em nada”, lembrando, por exemplo, que “quem vem recolher o lixo são os carros de Loures. A junta de freguesia não tem uma máquina para abrir buracos. Quem tem de vir cá é o piquete de Loures”.

A viver em Caneças há 48 anos, António Narciso, 65 anos de idade, mostra “o mau estado de vários arruamentos. Umas ruas estão boas, outras estão péssimas. Melhorou a situação do abastecimento, uma vez que puseram saneamento novo há dois anos”.

António Narciso refere, por outro lado, que o jardim de Caneças “está melhor agora porque é uma empresa privada que faz a manutenção. Quando era tratado pela junta, não era jardim nem era nada. Era um caixote do lixo que estava ali”.

“Penso que Caneças tem tido uma evolução estupenda. E falo, não só como comerciante, mas também como residente”, afirma Ana Rita Dias, 37 anos.

A viver há pouco mais de ano e meio em Caneças, esta comerciante de botijas de gás refere que “tem cada vez mais uma oferta melhorada a nível de todos os serviços”.

O que lhe merece mais reparos é o estacionamento, “que é aquilo que toda a gente sabe, porque tem uma zona histórica que não está preparada para esse desenvolvimento. Mesmo, porque os recursos oferecidos à Junta de Freguesia para tentar melhorar, não são muitos”, adianta Ana Rita Dias, para quem “os passeios são estreitos há muitos anos”.

Sem se deter, adianta que “a rua principal de Caneças está sempre bonita. Sei que a zona envolvente não está assim tão limpa, nem com uma recolha tão cuidada, que é aquilo que se vê nas artérias principais desta freguesia”.

Para Adélia, de 59 anos, “se Caneças pertencesse a Loures era mais vantajoso. Era muito melhor do que agora”. A morar nesta vila há 42 anos, Adélia entende que existem vários equipamentos essenciais à população que fazem falta. Por exemplo, “precisávamos de umas piscinas municipais. Também faz falta uma policlínica, onde se pudesse fazer os exames médicos. Não temos nada, temos de ir a Odivelas”.

Além de estar contra o “encerramento da escola no centro de Caneças”, esta residente refere-se “à falta de civismo das pessoas, que deixam o lixo todo fora dos contentores, apesar de todos os dias ser feita a recolha”.

Rendas exorbitantes

Habitante recente na Ramada, Carlos Martins, 48 anos, considera que esta freguesia “é um sítio bom para morar”. Mas aponta “um problema enorme: rendas de casas elevadíssimas. A minha irmã mais nova, tem 32 anos, quer alugar uma casa perto dos pais e não consegue, porque as rendas são enormes”, acusa este morador”.

Para Margarida Ervedosa, 43 anos, “a mudança da freguesia da Ramada de Loures para Odivelas, trouxe vantagens”. Por exemplo, “desenvolveu-se ao nível de infraestruturas e mais visibilidade a nível político e também de sociedade”.

Também esta mudança de concelho, “permitiu desbloquear algumas decisões. O concelho de Loures era muito grande e tinha muito trabalho. E despachar aqui certas decisões não devia ser linear”, considera.

Também tudo aquilo “que é reparação de estradas e obras públicas, também se sentiu uma diferença”, refere esta professora.

Margarida Ervedosa sublinha a situação do serviço de saúde, “uma vez que a cidade cresceu muito, tem muito mais população, os centros de saúde estão um pouco mais sobrelotados. Embora aqui na ramada tenha sido construído um novo e ajudou a distribuir um pouco mais a população”.

Há uma situação que preocupa muito esta habitante, até pelas funções de educadora que desempenha, que é “a situação da segurança nas escolas. Tenho os meus filhos a estudar nas escolas da Ramada e de vez em quando há situações um pouco complicadas. Deveria haver mais policiamento e mais auxiliares nas escolas”.

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