“Todo o esforço da revitalização dos mercados vai representar o melhor para Lisboa e para os lisboetas”.

Quem o diz é Luísa Carvalho. A presidente da Associação dos Comerciantes nos Mercados de Lisboa entende que com toda a estratégia traçada a partir do Plano Municipal dos Mercados de Lisboa 2016-2020, “Lisboa deve ser pensada como um todo e não como bairros”.

Ou seja, a dinâmica que os mercados imprimem aos bairros deve ser transversal a toda a cidade.

Daí a responsável congratular a câmara municipal pela criação da marca forte a “Mercados de Lisboa”. Uma “marca e identidade que queremos promover”, afirma Luísa Carvalho, salientando a importância de todo o merchandising, como aventais ou sacos de compras, que tem sido implementado pela Câmara Municipal de Lisboa de “forma ordenada, sempre em parceria com a associação”.

E acrescenta: “sentimo-nos um parceiro privilegiado da câmara de Lisboa no bem comum que é a renovação dos mercados”.

Há cerca de três anos na direção da  Associação dos Comerciantes nos Mercados de Lisboa, Luísa Carvalho entende que, no entanto, é necessário procurar sempre formas de trazer mais pessoas para os mercados.

Essa tem sido uma das funções desta associação, que abrange não só as bancas de vendas tradicionais, como todas as atividades que estejam no mercado.

“Podemos ter pessoas do pescado, hortofrutículas, de uma loja de informática ou da restauração. Representamos todas as profissões e todas as lojas que estejam inseridas dentro dos mercados de Lisboa”, explica.

Atualmente, a associação não tem todos os associados que gostaria de ter. “Já fomos a segunda maior associação dentro da União de Associações de Comércio e Serviços”, conta. “Foram-se perdendo as pessoas que foram saindo dos mercados, pela própria idade. Daí tantos lugares vazios”.

Mas o “mais preocupante é que as pessoas não percebem a necessidade de estarmos unidos e de que juntos podemos chegar mais longe. Acham que não é importante ser associado”, lamenta a presidente da associação.

Porém, acredita estar no caminho certo para angariar mais associados. “Estamos a fazer mais divulgação e já foram realizadas três edições do evento ‘Mercado dos Mercados’, onde damos a conhecer os comerciantes à população, mas na rua, fora das instalações de cada mercado”.

Hoje em dia, a Associação dos Comerciantes nos Mercados de Lisboa representa cerca de 55% dos comerciantes, mas já representou 90%.

“Com uma cota mensal de apenas sete euros, proporcionamos aos associados apoio jurídico, medicina no trabalho, informação, acompanhamento direto com as autarquias, entre outros serviços”, sublinha Luísa Carvalho.

Na formação, por exemplo, “estamos a promover a aprendizagem de noções básicas de inglês, mas também temos preocupação com a reciclagem, os lixos ou a exposição dos produtos”.

Segundo a responsável, “quando a formação não é feita no próprio mercado, ela realiza-se nas imediações”, causando menos transtorno. Mas também há ações de formação em contexto de trabalho.

Todas estas formações são “gratuitas e certificados, o que é uma mais-valia”, na opinião da presidente.

Os associados, esses, vão manifestando as suas preocupações. A principal é a falta de clientes.

No entanto, Luísa Carvalho entende que esse problema também depende dos comerciantes.

“Não chega a renovação dos mercados. Nós, enquanto comerciantes, temos de nos renovar. Infelizmente ainda não conseguem perceber o quão importante é haver formação e estarem esclarecidos”, sustenta.

“Temos que criar uma oferta diversificada, como o horário alargado que tem sido a minha luta”. E são poucos, revela, os mercados com horário alargado.

“As restantes lojas estão abertas, mas a partir das 15 horas não há peixe. Não tenho como obrigar. Mas o facto é que as pequenas superfícies comerciais estão cheias das 18 às 20 horas. Seria importante ter produtos frescos até mais tarde”, refere.

Ou seja, na opinião de Luísa Carvalho “não se pode ser comerciante isolado no mercado. Cada um tem que se ver como um todo, pensar como coletivo. Daí a experiência de sucesso dos centros comerciais”.

A própria associação tem em mãos o desafio de gerir um mercado próprio. O Mercado Alfacinha está há três anos sob gestão da Associação dos Comerciantes nos Mercados de Lisboa.

O antigo Mercado da Picheleira sofria com a estigmatização daquela zona de Lisboa. “Passados estes três anos, percebemos que a zona da Picheleira era estigmatizada sem motivo”, recorda.

“Já houve desistências”, não esconde, “mas o negócio não se faz num ano”.

A associação tem feito esforços no sentido de melhorar cada vez mais as condições do Mercado Alfacinha: “com a Câmara Municipal conseguimos um multibanco em setembro, importante para o mercado e para a freguesia”, enaltece Luísa Carvalho.

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