Está patente no Espaço Santa Catarina, na Calçada do Combro, uma exposição sobre a vida e a obra do escritor, jornalista e pensador Fernando Honrado.

Personalidade multifacetada, cuja vida não se pode reduzir a uma frase, Fernando Honrado marcou a cultura e a politica portuguesa do século XX.A exposição, onde o percurso pessoal acompanha sete décadas da nossa História, propõe uma panorâmica de uma vida intensa. Das primeiras traduções às memórias, há uma vida cheia: oficial do Exército, jornalista, polemista, gestor, primeiro cônsul de Portugal em Cabo Verde, investigador histórico, autor de ensaio, ficção e teatro.

Como fez questão de salientar o editor e escritor Jorge Morais, «Fernando Honrado fez sempre as coisas à sua maneira, tendo a polémica como uma coisa que estava no sangue. Um pensador monárquico que lutou contra o anterior regime. Um homem da politica mas não o politico».O editor do livro Conversas Escritas, cujo lançamento foi efectuado a 14 de Janeiro, recordou que «foi fecundo o empenhamento de Fernando Honrado na dinamização cultural portuguesa ao longo da década de 60, tendo sido vice-presidente do Centro Nacional de Cultura durante a presidência de Fernando Amado, com quem trabalhou na fundação da Casa da  Comédia.É deste período – salienta Jorge Morais – «a sua mais rica produção no campo da dramaturgia, tendo deixado vasta obra de crítica e doutrina teatral».

Por seu turno, Maria Honrado (filha) referiu este pensador/escritor e polemista desenvolveu «um intenso labor jornalístico, indissociável da actividade politica – uma das grandes paixões da sua vida».Aliás, na perspetiva da filha, «o seu combate pelas liberdades levou-o a colaborar na campanha presidencial de Humberto Delgado (1958, a integrar o Grupo de Monárquicos Independentes nas eleições de 1961 e a ser membro fundador do movimento Renovação Portuguesa».

Falecido em 2014, Fernando Honrado trabalhou, em colaboração com o pelouro da Cultura da Câmara de Lisboa, na recolha historiográfica de testemunhos de opositores ao regime do Estado Novo».O autor do Posfácio do livro Conversas Escritas, Dr. Augusto Ferreira do Amaral, deu, por seu turno, um  testemunho sobre o percurso cultural e político de Fernando Honrado, recordou que foi na «Biblioteca Museu República Resistência que Fernando Honrado concebeu vários ciclos de conferências sobre diversas temáticas políticas e sociais».Já o advogado  Bartolomeu de Noronha recordou que Fernando Honrado manteve uma profunda amizade com o seu pai, D. Marcus de Noronha, salientou que foi na década 80, do século passado, o inicio da publicação das obras em livro de Fernando Honrado.

 

 

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